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Arte urbana ganha força como patrimônio cultural

Grafites e murais se consolidam como símbolos de identidade, resistência e turismo nas cidades brasileiras

Foto: Gianliguori (iStock)

Por Laura Paulino

A cultura, no universo acadêmico, é um conceito amplamente debatido pelos teóricos das ciências humanas, seja na Sociologia, Geografia, Antropologia, entre outras. Alguns a consideram uma instância da sociedade, algo que representa a identidade, as manias, o território de uma determinada população. 

A cultura é fluida, herdada e modificada continuamente, sendo sempre heterogênea. Ela é variável, portanto, algo que em um momento não era muito bem aceito, passa a fazer parte do coletivo social. Entre todas as formas de expressões culturais, a arte constitui-se como um dos pilares.

A arte de rua, os grafites, os murais, ou seja, a ocupação cultural das cidades brasileiras, especialmente na década de 1980, sofreram forte discriminação. Recentemente, especialmente nas últimas duas décadas, o cenário mudou. Depois de muitos anos de estigmas, a arte urbana está vivendo um tempo de valorização e passou a ser reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pela Lei nº 14.996 de 2024. 

Histórico

Historicamente, o grafite no Brasil surgiu inspirado nos movimentos internacionais, sobretudo no hip-hop norte-americano das décadas de 1970 e 1980. No entanto, como a cultura é fluida, no Brasil, essa apropriação e diálogo deu-se a partir das experiências e contradições urbanas do território nacional, regional e local. 

A desigualdade social, a segregação socioespacial, o cotidiano das periferias, os debates sobre gênero, raça, são temas geralmente abordados nas produções visuais presentes nos muros das grandes metrópoles e cidades. O Brasil, portanto, não importou essas manifestações culturais. Na realidade, as ressignificou fundindo elementos das culturas presentes no território nacional. 

Culturalmente, a arte urbana brasileira tem em sua máxima expressão a forma de resistência e de afirmação territorial. Nas periferias de metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador, os murais e grafites buscam, além de denunciar as contradições do nosso tempo, construir novos imaginários. 

Os artistas de rua, muitas vezes nascidos nos locais e que expõem suas produções artísticas, imprimem seus traços no espaço urbano, construindo uma identidade com raízes na vivência concreta dos seus cotidianos. O reconhecimento da arte urbana encontra amparo em outros setores da sociedade, além dos movimentos culturais e coletivos artísticos. 

Turismo

Por exemplo, o turismo tem contribuído para consolidar essa forma de expressão como símbolo identitário. Esse processo, inclusive, produz movimento de valorização, preservação e cuidado com o espaço urbano como lugar de memória e convivência. 

Entre as cidades brasileiras que são referências internacionais nesse campo, São Paulo é, possivelmente, um exemplo excelente. Especialmente considerando que é a cidade mais populosa da América Latina. Os pontos turísticos em São Paulo, como o Beco do Batman, na Vila Madalena, ou os murais da Avenida Paulista, mostram como a arte de rua tornou-se um cartão-postal. 

No fim, a arte urbana escreve no território as marcas e símbolos que expressam e evidenciam o pluralismo cultural que é o Brasil. Valorizar essas manifestações é, além de materializar o direito à cidade, demonstrar que, como lugar de consumo e circulação, o território é vivo de criação, memória e identidade, independente dá sua extensão territorial na escala geográfica.

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Publicado por Laura Paulino

Publicado em 16/07/25

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Foto: Gianliguori (iStock)

Apoiadores: Lei Rouanet, Instituto AngloGold Ashanti, UNIBH, AngloGold Ashanti, Ministério da Cultura