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Literatura

“A Terra é redonda” analisa o futebol em diversos campos, inclusive o político

Jamil Chade e Milly Lacombe trocam cartas que refletem sobre a onipresença do futebol, num bate bola delicioso

Jamil Chade e Milly Lacombe [Foto: Juliana Lubini]

Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

Nunca é só futebol. Essa é uma certeza reafirmada com a leitura de A Terra é redonda: Um bate-bola sobre política, paixões e futebol. O livro, lançado pela Editora Nós, se constrói como um diálogo afetuoso entre dois dos nossos maiores jornalistas na atualidade, Jamil Chade e Milly Lacombe. Numa série de cartas escritas um para o outro, os autores refletem sobre a onipresença do futebol na vida, na cultura, na política e nos nossos afetos. Especialmente no Brasil, país em que esse esporte já nos deu tantas alegrias e ídolos inesquecíveis.

Futebol é política

Futebol é política e vice-versa. Sabe aquela falácia de que não se deve misturar as duas coisas? Pois A Terra é redonda esmiúça a relação entre o futebol e, não apenas a política, mas também o poder e o dinheiro. É política a escolha de um clube ou de uma confederação de não punir uma torcida por entoar gritos racistas contra um time adversário. É política a discrepância absurda de salários entre a maior jogadora do mundo e o seu suposto equivalente masculino. Assim como é profundamente política a apropriação da camisa canarinho por um grupo social.

Nesse sentido, os autores leem as regras do jogo à luz da geopolítica contemporânea. É bonito acompanhar o relato sobre atletas palestinos que se reúnem para jogar futebol entre os escombros de um país devastado por uma guerra desleal. É desalentador compreender os meandros da Fifa e o perigoso jogo de interesses entre a entidade e o governo dos EUA. Jamil Chade, inclusive, parece antecipar um escândalo que mais tarde se concretizou. Uma ligação direta de Donald Trump para o presidente da Fifa resultou na suspensão de um cartão vermelho aplicado a um jogador norte-americano.

Futebol é afeto

Mas, se o futebol é política e também é negócio, Chade e Lacombe fazem questão de não perder de vista que ele é, antes de tudo, afeto. Poucas coisas mobilizam paixões com tanta intensidade quanto esse esporte. Os jornalistas retornam às crianças que foram – aos primeiros jogos, às primeiras vitórias e, sobretudo, às primeiras derrotas – para seguir acreditando no futebol como possibilidade de encontro e em sua capacidade de transformar o tecido social.

Num bate-bola delicioso, crítico, analítico e profundamente afetuoso, A Terra é redonda reafirma que o futebol não existe isolado do mundo nem das relações – entre pessoas, comunidades e países. Pelo contrário: ele é um espelho das disputas que atravessam a sociedade e, justamente por isso, pode nos ajudar a compreendê-las melhor.

A Terra é redonda
[Editora Nós]

Encontre “A Terra é redonda” aqui

Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel.

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Publicado por tgpgabriel

Publicado em 13/08/26

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Jamil Chade e Milly Lacombe [Foto: Juliana Lubini]
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“A Terra é redonda” analisa o futebol em diversos campos, inclusive o político

Jamil Chade e Milly Lacombe trocam cartas que refletem sobre a onipresença do futebol, num bate bola delicioso

Jamil Chade e Milly Lacombe [Foto: Juliana Lubini]

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