Gastronomia

No Rivo, o cuidado com os detalhes é ingrediente principal

Novo restaurante dos chefs Alethea Ruckert e Max Catolino aposta em uma experiência que combina técnica, hospitalidade e atenção aos detalhes.

Max Catolino e Alethea Ruckert, chefs e proprietários do Rivo. Foto Estevão Andrade

Nem sempre a memória mais forte de um restaurante está ligada a um prato específico. Às vezes, o que fica é a sensação de que tudo foi pensado para fazer sentido. Foi essa a impressão que tive ao conhecer o Rivo, restaurante comandado pelos chefs Alethea Ruckert e Max Catolino, em Belo Horizonte.

A trajetória da dupla ajuda a explicar parte da expectativa que cerca a casa. Alethea trabalhou por cinco anos na Osteria Francescana, em Modena, na Itália, restaurante de três estrelas Michelin comandado por Massimo Bottura. Já Max Catolino acumula passagens por cozinhas de destaque como o Evvai, em São Paulo, atualmente detentor de duas estrelas Michelin. A experiência acumulada em restaurantes de referência aparece no cuidado com cada detalhe do Rivo.

Desde a chegada, percebe-se uma preocupação que vai além da cozinha. O atendimento é atento sem ser excessivamente formal. Os pratos chegam à mesa com apresentações cuidadosas, mas sem afetação. Há uma busca evidente por construir uma experiência coerente do início ao fim.

Pratos servidos no Rivo. Foto Carol Braga
Pratos servidos no Rivo. Foto Carol Braga

As etapas

O couvert já dá pistas dessa proposta. O brioche de massa folhada (R$ 36) servido com manteiga de anchovas é delicado e saboroso, daqueles que despertam a curiosidade para o que vem depois.

Entre as entradas, o tomate (R$ 82) surpreende pela combinação de diferentes texturas e preparos. É um prato que demonstra técnica sem transformá-la em espetáculo. Também experimentei o Bacalhau Mantecato (R$ 74), outra opção que reforça a proposta autoral da cozinha.

Nos principais, escolhi o peixe do dia com purê de couve-flor, mexilhão, gremolata e coentro (R$ 152). Foi o prato que mais me marcou. Tudo estava em equilíbrio. O peixe tinha protagonismo, mas sem apagar os demais elementos. O purê, os mexilhões e o frescor do coentro conversavam entre si sem disputa. É um daqueles pratos elegantes justamente porque não precisa provar nada o tempo todo.

Também passaram pela mesa o Fusilli com Camarão (R$ 134) e uma massa cabelo de anjo preparada com trufas frescas, um dos especiais do dia. As massas, aliás, ocupam lugar importante no cardápio, refletindo a experiência de Alethea na cozinha italiana.

Delicadeza no intervalo

Mas talvez um dos momentos que melhor sintetize a filosofia do Rivo aconteça entre o prato principal e a sobremesa. A casa serve uma granita de melão para limpar o paladar. É um gesto simples, mas que demonstra atenção à experiência completa. Não me lembro de ter encontrado esse cuidado em outros restaurantes de Belo Horizonte. O pequeno intervalo prepara o cliente para a próxima etapa da refeição e reforça a sensação de que cada momento foi pensado.

Entre as sobremesas, a curiosidade ficou por conta do divertido “Não Me Chame de Carbonara” (R$ 82), criação inspirada em uma sobremesa de Massimo Bottura e que tem a banana como um dos elementos centrais da composição. Já a Chocotorta (R$ 48) ganha personalidade com toques de cupuaçu. Ambas encerram a refeição com criatividade e equilíbrio.

Ao final da refeição, a impressão é que o Rivo não quer impressionar apenas pela técnica ou pelos ingredientes. O restaurante parece mais interessado em construir uma experiência completa, em que cozinha, serviço e hospitalidade trabalham juntos. E é justamente essa atenção aos detalhes que faz a casa se destacar entre as novidades da gastronomia belo-horizontina.

Os preços mencionados nesta resenha foram consultados em junho de 2026 e podem sofrer alterações sem aviso prévio. Visitei o restaurante a convite.

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 18/06/26

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