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ApareSidra: uma sidra brasileira com sotaque inglês

ApareSidra é uma sidra artesanal brasileira no estilo inglês, criada em BH por Cláudia Pitanguy e Rafael Ávila. Conheça a história da bebida, o processo de criação e a parceria com o Culturadoria.

ApareSidra | Foto: João Paulo do Vale

O Brasil ganhou mais uma bebida para chamar de sua e com um nome que já chega fazendo graça: ApareSidra, uma sidra artesanal brasileira produzida no estilo inglês. Fresca, seca, levemente azedinha e direta ao ponto. Desenvolvida por Cláudia Pitanguy e Rafael Ávila,  desembarca no país a partir de Belo Horizonte com proposta clara: abrir espaço para uma sidra que não tenta se disfarçar.

A história começa com um encontro que parece simples, mas desses que mudam a rota de tudo. Os sócios são amigos e se conheceram na universidade. Cursaram Relações Internacionais na mesma época, mas seguiram caminhos diferentes. Anos depois, se reencontraram num lugar em comum: o desejo de criar uma bebida nova para o Brasil. Mas com um detalhe: sem inventar moda demais, mas também sem repetir o óbvio.

“Eu fui para a docência e para a inovação, a Cláudia foi para gastronomia e de repente a gente se encontrou nesse lugar de trazer uma bebida que já existe, mas com uma pegada mais inovadora e talvez mais contemporânea”, resume Rafael.

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A sidra que virou paixão

Cláudia fala de sidra como quem conversa sobre uma lembrança afetiva. Ela morou cinco anos na Inglaterra e, por lá, descobriu uma bebida que não tinha nada a ver com a sidra brasileira que muita gente conhece por aqui. A memória brasileira está ligada à uma bebida geralmente mais doce.

“Desde que conheci a sidra inglesa, eu fiquei apaixonada. É uma bebida fascinante. Abracei realmente com tudo que eu tinha”, conta. A paixão não ficou só nela. Cláudia transformou a sidra num tipo de ritual obrigatório para quem a visitava no exterior. Era quase um teste de intimidade: chegou, sentou, brindou. No começo vinha a desconfiança, depois a surpresa.

“Todas as minhas visitas na Inglaterra eram obrigadas a experimentar. A pessoa fazia aquela careta primeiro… uma sidra? Sim, você vai experimentar uma sidra”, diz, rindo. Foi assim também com Rafael. Ele provou, entendeu na hora. 

Na Inglaterra, sidra é presença garantida em qualquer pub. Você pede uma cerveja, mas também encontra, ali do lado, uma torneira de sidra. Ela vem servida em copo de chope, e funciona como bebida oficial dos dias mais quentes para os padrões ingleses. Quando Cláudia retornou ao Brasil, sentiu saudades da bebida.  “Como não temos? Eu fiquei muito órfã quando eu vim”, diz.

Receita brasileira, estrutura inglesa

Transformar uma referência afetiva em produto exigiu mais do que saudade. Exigiu, por exemplo, método. O Brasil tem outras maçãs, outra oferta, outra escala. Ou seja, tudo isso muda o resultado. Na Europa, as variedades de maçãs se multiplicam. Aqui, o desafio foi encontrar, no que existe, um caminho possível.

“Na Inglaterra ou na França, são, por exemplo, mais de 2.000 tipos de maçã. Aqui no Brasil a gente tem quatro, cinco tipos mais comuns. Então a gente conseguiu encontrar naquilo que o Brasil oferece a receita mais adequada ao nosso paladar”, explica Cláudia.

A ambição, no entanto, não era criar uma sidra “adocicada para agradar”. A ideia era manter uma espinha dorsal mais inglesa: seca, fresca, limpa.

Entre França e Inglaterra, a escolha foi clara

Rafael detalha essa diferença como quem desenha uma rota. A sidra francesa tende a parecer um espumante, mais borbulhante e com outra lógica de serviço. A inglesa, embora não seja cerveja, conversa com ela na estrutura: mais direta, mais de copo, mais de bar.

Também houve um cuidado com a linguagem. O mercado brasileiro já tem histórico com a palavra “sidra”, e isso poderia levar a atalhos: inventar uma nomenclatura nova, trocar a palavra, suavizar ou esconder o que ela é. Eles foram pelo caminho oposto.

“A sidra é um fermentado alcoólico de maçã. A gente poderia ter trabalhado com outras fórmulas, outros termos, mas a gente falou: não, é uma sidra”, diz Rafael. E aí entra a brincadeira que vira conceito. “Ela nunca se escondeu. Ela é a aparecida. Já chegou aparecendo”, brinca.

Testes, cobaias e paciência

Antes de virar produto, a ApareSidra foi uma sequência de tentativas. Ao longo do processo criativo da receita, muitas degustações. Teve sidra pura, teve sidra de pera, teve saborizada, teve versão que animava e versão que não saía do lugar. E teve um grupo fiel de amigos que bebeu, avaliou e devolveu verdade. “Demorou. Muitos amigos foram cobaias”, conta Rafael.

A passagem do artesanal doméstico para a produção industrial trouxe um choque de realidade. Não era só repetir a receita. O outro desafio era traduzir a receita para um sistema inteiro novo, com equipamentos, fornecedores e técnicas que mudam o resultado final. “Quando a gente foi para a fábrica, praticamente começou do zero”, diz Rafael.

O processo levou meses. Eles começaram a testar receitas em 2024, refizeram o caminho na fábrica e chegaram, em 2025, a uma fórmula definitiva.

Só maçã e fermento

A versão final carrega uma defesa simples: poucos ingredientes, muito controle e nenhuma maquiagem. A ApareSidra não leva conservantes, não leva estabilizantes e não tem açúcar adicionado. Ou seja, o que ela oferece é o essencial da sidra bem feita.

“A receita hoje está super equilibrada. Ela não leva nada a não ser o suco da maçã,  fermento e seu nutriente e, claro, tempo”, afirma Cláudia.

É justamente essa escolha que coloca a bebida no lugar que ela quer ocupar. Ou seja, uma sidra leve, seca, refrescante. Com um detalhe importante: sem pedir desculpas por ser sidra.

Parceria com Culturadoria

O lançamento da ApareSidra em Belo Horizonte vem acompanhado de outra notícia: a marca passa a ser patrocinadora da coluna de gastronomia do Culturadoria. A parceria chega como um brinde editorial, daqueles que combinam curiosidade, repertório e prazer.

Assim, entre o pub inglês e o calor brasileiro, a ApareSidra encontrou um caminho possível: manter estrutura, mudar o cenário, ajustar a fruta, respeitar o paladar. O resultado chega leve, seco, com borbulha fina e vocação para refrescar.

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 15/01/26

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