LiteraturaPoesia
Mar Becker traz conjunto precioso de poemas em “Noite devorada”
Nova coletânea da poeta gaúcha é lançamento do Círculo de Poemas
Mar Becker (Foto Marcelo Alexandre Becker)
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Nova coletânea da poeta gaúcha é lançamento do Círculo de Poemas
Mar Becker (Foto Marcelo Alexandre Becker)
Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura
Mar Becker escreve o amor como a figura de um pássaro: “aproxima-te do amor sem muitas perguntas”, a poeta nos diz. Nesse sentido, como um pássaro arisco, o amor pode alçar vôo ao menor som. “sem perguntas aproxima-te, como descobrindo no/ tempo um tempo sem/ palavras/ com medo de que/ se chamado, o amor/ (esse pássaro)/ se assuste”. O amor é um dos temas que norteiam “Noite devorada”, nova coleção de versos de Mar Becker publicada pelo Círculo de Poemas, uma coleção de poesia e um clube de assinaturas da Fósforo Editora.
“só um corpo derrotado pela noite pode amar”, escreve Becker em uma das primeiras páginas do volume. Apenas uma frase, uma linha no alto da folha branca. São muitos os versos breves, muitas vezes únicos, que compõem “Noite devorada”. Em resumo, Mar Becker parece extrair o máximo do mínimo: o mínimo de palavras, o máximo de sentidos. Perco as contas de quantas vezes me peguei preso em páginas de versos solitários. “sou eu mesma uma noite devorada”.
Os poemas de Mar Becker lidam com o tempo, o amor e o desejo de maneira bem íntima, nos vestígios de uma memória que permanece, que atravessa o esquecimento, permanece no corpo e ganha corpo no texto. Por exemplo, memórias de um tempo sem poesia: antes de ler poesia, antes de escrever. “longe do primeiro poema que viria/ a escrever estava perto demais/ do teu corpo/ ouvindo-o —“.
“porque o amor torna frágil tudo o que toca
e porque eu mesma não evitei que
tocasse meu corpo
meus ossos
minha respiração
meu sono
por isso temo por mim —
pelo risco de desabar a um
tremor de pálpebras”

“ler um livro como se olha o mar”, Becker traz o mar no nome e em versos que quebram como ondas. Nesse movimento contínuo, vão e voltam temas, vão e voltam imagens, que se sedimentam, acumulam sentidos e, sobretudo, sensações. “tudo é rastro” aponta noutro momento. Buscando inspiração na praia-poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, “a outra quer voltar/ a reaver as horas não vividas junto ao mar”.
“Noite devorada” é um conjunto precioso. Entre o dia e a noite, a luz e a sombra, os versos de Mar Becker se encontram numa espécie de penumbra, tanto revelando, quanto escondendo, convidando o leitor a mergulhar em seus sentidos como se mergulhasse nas águas do mar. “se ao tocar na água a penumbra fizesse música/ seria a minha.”
“Noite devorada” foi enviado em primeira mão para os assinantes do Círculo de Poemas, uma coleção de poesia e um clube de assinaturas da Fósforo Editora. A cada mês, o assinante recebe em casa uma caixinha com duas publicações cuidadosamente editadas. No mês seguinte, essas obras são vendidas também em livrarias de todo o país.
Encontre “Noite devorada” aqui.
Gabriel Pinheiro é jornalista e crítico de literatura. Escreve aqui no Culturadoria e também em seu Instagram: @tgpgabriel
Publicado por tgpgabriel
Publicado em 17/07/25