Patrícia Cassese | Editora Assistente
Em cartaz no CCBB BH até a segunda-feira, da 24 de fevereiro, a exposição 9ª Bolsa Pampulha: Camará apresenta ao público os projetos desenvolvidos pelos dez bolsistas selecionados em 2024 para o programa de residência artística do Museu de Arte da Pampulha (MAP), que transcorreu de abril a outubro. Uma das atividades que marcam o fim da exposição é o lançamento do catálogo no domingo, 23 de fevereiro, das 11h às 13h.
Com curadoria de Juliana Gontijo (SP) e Pollyana Quintella (RJ), a 9ª Bolsa Pampulha: Camará traz obras em diversos suportes, como fotografia, pintura e instalação. “Os artistas bolsistas se dedicaram muito à pesquisa e à produção dos trabalhos expostos, e acredito que isso se reflete numa exposição consistente e pujante, tanto nos temas quanto nas estéticas que aborda”, conta Juliana, em entrevista ao Culturadoria.
Ela acrescenta que o fato de o CCBB BH atualmente ocupar o posto de centro cultural com maior número de visitantes da América Latina vem possibilitando que um número considerável de pessoas visitem a exposição. “Atualmente, ‘Camará’ tem atraído mais de 700 pessoas por dia, o que confere grande visibilidade a um programa público que há mais de 20 anos movimenta a cena artística nacional”.
Artistas
A edição 2024 do Bolsa Pampulha foi realizada em parceria com a Organização da Sociedade Civil Viaduto das Artes. Os dez artistas selecionados, cujos trabalhos estão expostos no CCBB, são: Ana Raylander Mártis dos Anjos, André Felipe Cardoso, Anti Ribeiro, Dyana Santos, Érica Storer, Gilson Plano, Rafael Prado, Val Souza, Wisrah C. V. da R. Celestino e Yanaki Herrera. A edição também contou com uma bolsista com ênfase em pesquisa curatorial, Luíza Marcolino. Os artistas Froiid e Lucas Menezes foram os tutores.
O título da mostra
Na entrevista ao Culturadoria, a curadora Pollyana Quintella chamou a atenção para o título escolhido para a exposição “9ª Bolsa Pampulha: Camará”. “Chegamos a essa palavra chave que nos ajuda a pensar algumas relações que estão presentes na prática desses artistas: Camará”. A palavra, lembra ela, nomina um arbusto muito utilizado pelo paisagista Burle Marx em diversos projetos, inclusive na Pampulha. “Curiosamente, trata-se de uma planta que já foi considerada como uma praga, por se alastrar por pastos, lavouras, e, assim, atrapalhar o exercício do agronegócio”.
Em contraponto, prossegue ela, é uma planta bonita, com flores coloridas. “Ou seja, também carrega esse sentido ornamental. Assim, nos pareceu uma escolha interessante tanto por estar ligada à história da Pampulha quanto por ser ao mesmo tempo invasora e decorativa. Portanto, ambígua. E que remete a essas tensões sociais, disputas de território que acabam por se fazer presentes também nos trabalhos dos artistas. Em particular os que se debruçaram diretamente sobre questões de território, mas permeados por uma certa tensão, uma certa crítica. Portanto, a ambiguidade do Camará nos ajudou a organizar essas relações da exposição”.
Novidades
Desafiadas a falar sobre a 9ª edição do Bolsa Pampulha, Pollyana reflete que foi uma experiência muito especial para o programa, que, lembra, é referência na produção experimental de arte no Brasil. “Foi importante porque, nessa edição, o programa voltou a ser internacional (a anterior havia sido regional, voltada a artistas de Minas), que sempre foi um pouco DNA dele. Isso nos garantiu fazer uma seleção muito diversa, bem como contemplar todas as regiões do Brasil”.
Outro ponto relevante, acrescentam, foi que o programa estreitou um vínculo com o Viaduto das Artes, iniciativa que, como se sabe, está sediada no Barreiro. “Ou seja, reforça a vocação recente do Bolsa Pampulha de descentralizar. Sair do cercado, digamos assim, do projeto modernista da Pampulha para encontrar uma produção mais diversa, que está lidando com outros demarcadores de classe, de raça, de gênero. Uma BH mais ampla, mais complexa”, diz Pollyana.
O processo
As curadoras também enfatizam que, no curso do processo do Bolsa Pampulha, houve uma série de atividades extras, como visitas a ateliês e o Diálogos MAP, que convidou expoentes entendidos como vozes interessantes para o perfil de trabalho dos artistas. “Ao longo dos seis meses de residência, procuramos combinar encontros e atividades coletivas com momentos de orientação individual, tanto presenciais quanto online. Mantivemos uma troca constante com a equipe de tutoria, formada por Froiid e Lucas Menezes, para entender e experimentar dinâmicas que melhor se ajustassem a cada etapa dessa longa residência”, constata Juliana.
Para ela, o aspecto mais prazeroso do processo foi ver as pesquisas se desenvolvendo para lugares inusitados, “e perceber que nossa orientação contribuiu para isso”. Pollyana arremata: “Então, o que se pode ver no CCBB é resultado de uma caminhada muito mais ampla do que a própria exposição ‘9ª Bolsa Pampulha: Camará’, que pode ser lida como a ponta do iceberg de um processo”.
Serviço
Exposição “9ª Bolsa Pampulha: Camará”
Onde. Galerias do Térreo do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários).
Quando. De quarta a segunda, das 10h às 22h
Quanto. Ingressos gratuitos, disponíveis na bilheteria física ou pelo site.
Lançamento do catálogo da Exposição “9ª Bolsa Pampulha: Camará”
Data: 23 de fevereiro de 2025
Das 11h às 13h
Local: Foyer do Teatro I do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários)
Ingressos gratuitos disponíveis exclusivamente na bilheteria física uma hora antes do evento (sujeito à lotação)
Classificação indicativa: Livre
Publicado por Carol Braga
Publicado em 20/02/25
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