Música

Festival Planeta Brasil dá certo apesar de abertura conturbada

50 Cent. Foto: @planetabrasil enviado por assessoria de imprensa

Planeta Brasil foi realizado neste final de semana, em Belo Horizonte, com atrações e público de todo o país

Por Maria Lacerda | Culturadora

Cercado de polêmicas, o Festival Planeta Brasil agitou o fim de semana (24 e 25 de setembro) na Esplanada do Mineirão. Considerado um dos maiores festivais de Belo Horizonte e equiparável a grandes eventos do país, reuniu artistas de diversos gêneros em shows grandiosos.

Criado em 2009, o Planeta Brasil chegou ao 13º ano destacando cada vez mais a capacidade da capital mineira em sediar eventos de grande porte. Sujeito a incidentes e imprevistos, como já vimos acontecer em festivais como Lollapalooza e Rock in Rio, o evento dividiu opiniões entre o público.

Através das redes sociais, o público alternava entre opiniões negativas e positivas sobre a experiência. Estão incluídos aí os problemas com atrasos e cancelamentos de apresentações. Apesar disso, o Planeta Brasil fez o mais importante: dar palco para música de qualidade em um período necessário, onde precisamos cada vez mais de contato com a cultura.

Polêmicas e cancelamentos

Antes mesmo da realização do festival, mensagens que questionavam a conduta da produção começaram a circular pelas redes sociais. Os rumores foram desmentidos pela assessoria do evento. Mas isso não bastou para muitos dos internautas e frequentadores.

O Planeta Brasil começou com mais de duas horas de atraso. A demora para abertura dos portões gerou tumulto e até vandalismo. Em nota, e em conversa com os jornalistas que estavam presentes no evento, a organização explicou que precisou adiar a abertura por conta de uma solicitação do Corpo de Bombeiros. Assim, o público só teria sido autorizado a entrar no evento após liberação do CBMMG. A informação foi confirmada pelos militares.

O problema, que fugia do controle da organização, acabou em atrasos e até mesmo cancelamentos de performances. Os artistas MC Borges e Chefin MC estão entre os nomes que cancelaram as participações. Eles também fizeram críticas ao festival. Urias, que participaria do show do Baco Exu do Blues, no domingo (25), também cancelou a apresentação. A alegação é “não cumprimento do contrato” por parte da organização.

Além disso, a empresa Mainstreet, responsável por artistas como Poze do Rodo e Orochi, também vetou a participação de clientes. Gestora da carreira de artistas famosos entre o público jovem, a empresa emitiu uma nota afirmando que nenhum dos assessorados subiria ao palco do Planeta Brasil no sábado e no domingo.

Estrutura e apresentações

Ao todo, cinco palcos estavam preparados para receber mais de 100 atrações. Quatro estavam separados nos arredores do Mineirão, enquanto o palco do BHDF, evento de música eletrônica, ocupou a parte interna do estádio. Os problemas na abertura, no entanto, não afetaram a energia contagiante das apresentações.

Durante o dia, o Planeta Brasil apresentou grandes representantes da música brasileira. Por exemplo, Natirruts, Vanessa da Mata, Criolo e Iza passaram pelos palcos do festival. Ainda, a banda australiana Sticky Fingers e o rapper americano Ty Dolla Sign também agitaram o público mineiro. Aliás, não só mineiro, já que o evento estava repleto de pessoas de outros estados, como influenciadores digitais, o ator e ex-BBB Babu e o cantor Livinho.

Para quem vos escreve, os melhores shows da noite foram de Duda Beat, Planet Hemp, Djonga e Iza. Entre as atrações internacionais, o destaque inevitável era para 50 Cent, headliner da noite. O rapper, que veio ao Brasil exclusivamente para o festival, foi o responsável por encerrar o evento com um show repleto de clássicos, que agitou o público.

Já Duda abriu a maratona. Assim, mostrou o carinho que tem pelo público mineiro e fez uma apresentação impecável ao lado da dupla de dançarinas, backing vocals e banda. Já o Planet Hemp estremeceu a Esplanada como um furacão, com direito a bate-cabeça do público, repetido na apresentação eletrizante de Djonga.

Outra força da natureza presente no evento foi Iza, que deu um show de carisma e talento apresentando seus maiores sucessos e lançamentos mais recentes. Para encerrar a noite, 50 Cent reuniu grande parte do público presente no festival, todos ansiosos para ouvir e ver de perto um dos maiores rappers da atualidade.

Djonga no Planeta Brasil. Foto: Maria Lacerda
Djonga no Planeta Brasil. Foto: Maria Lacerda

Djonga anuncia novo álbum

Santo de casa pode não fazer milagre, mas um artista de casa faz questão de tentar. Assim foi o show de Djonga, o belo-horizontino que se transformou em uma das vozes mais importantes da cena atual do rap nacional. O rapper entregou um momento ímpar para o público, com a clássica mensagem de “fogo nos racistas” e momentos emocionantes.

O artista reuniu uma multidão no Palco Sul, com direito à presença de toda a família e amigos de peso. Homenagens aos filhos e à avó de Djonga deram um toque mais que especial para a apresentação. Ainda, o show incluiu uma participação de artistas d’A Quadrilha, selo criado pelo rapper, para uma performance da música #SDD. 

Encerrando a noite, o rapper de 28 anos anunciou o lançamento do sexto álbum de estúdio. O dono do lugar, feito na gravadora aberta pelo artista, sediada em BH, chega ao público em 13 de outubro. Quebrando a tradição de lançar um álbum anual em 13 de março, Djonga prometeu ao público que a nova produção virá em comemoração – ou protesto – ao resultado das eleições presidenciais do dia 2.

Problemas resolvidos no segundo dia de festival

Conforme já havia sido informado pela assessoria do festival, os incidentes que afetaram o primeiro dia de evento não impactaram o dia seguinte. Nesse domingo (25), os portões foram abertos pontualmente, ao meio-dia, quando a música já começou nos dois palcos destinados para música eletrônica.

No Palco Norte, considerado o principal do evento, quem abriu as apresentações foi a mineira Marina Sena. Pouco depois, a banda curitibana Jovem Dionísio, responsável pelo sucesso da internet, “Acorda Pedrinho”, iniciou as apresentações no Palco Sul. Além disso, os shows cancelados foram substituídos, incluindo um especial com Djonga e outros 11 artistas.

Assim como no primeiro dia, as duas últimas apresentações do palco principal são de artistas internacionais. O rapper 2 Chainz antecedeu a lenda do R&B, Lauryn Hill, que encerrou a noite e a edição do festival.

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Publicado por Carol Braga

Publicado em 26/09/22

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