Astrônomo da UFMG descobre 31 novos aglomerados
Pesquisa com dados da missão Gaia amplia conhecimento sobre a Via Láctea e soma mais de 120 objetos catalogados
Filipe Andrade Ferreira, astrônomo do Espaço do Conhecimento UFMG | Foto: Fernando Silva
Pesquisa com dados da missão Gaia amplia conhecimento sobre a Via Láctea e soma mais de 120 objetos catalogados
Filipe Andrade Ferreira, astrônomo do Espaço do Conhecimento UFMG | Foto: Fernando Silva
Um estudo conduzido por um astrônomo do Espaço do Conhecimento UFMG identificou 31 novos aglomerados de estrelas na Via Láctea. A descoberta integra um artigo aceito para publicação na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, com base em dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia.
O trabalho é de Filipe Andrade Ferreira, doutor em Física pela UFMG, em parceria com pesquisadores de diferentes instituições. A análise reforça a hipótese de que a Via Láctea possui estrutura espiral floculenta, com braços segmentados, o que contribui para novas formas de representar graficamente a galáxia.
Além disso, os objetos identificados apresentam características específicas. São relativamente jovens, pouco densos e formados por poucas estrelas. Para chegar a esses resultados, os pesquisadores utilizaram informações como brilho, posição e velocidade estelar, combinadas a um método de inspeção manual supervisionada de gráficos.
Esse procedimento permite identificar conjuntos estelares que, muitas vezes, passam despercebidos por análises automatizadas. Dessa forma, a pesquisa avança na detecção de aglomerados menos evidentes, ampliando o alcance dos estudos astronômicos.
A trajetória de Ferreira nessa área começou em 2018, durante o doutorado. Inicialmente, ele analisava o aglomerado NGC 5999 quando encontrou três novas concentrações de estrelas.
“Eu já sabia que não existia nenhum objeto na região, então analisei essas três novas concentrações e me dei conta de que eram três aglomerados de estrelas desconhecidos na literatura. Eles foram rigorosamente analisados, comparados com objetos conhecidos e tiveram propriedades como idade, distância e composição química determinadas para validar as descobertas. Esses primeiros aglomerados foram batizados de UFMG 1, UFMG 2 e UFMG 3, em homenagem à Universidade. A partir da primeira descoberta, em conjunto com o projeto inicial do doutorado, mantive uma vertente na minha pesquisa voltada à procura de conjuntos abertos de estrelas. Além de um trabalho com UFMG 1, UFMG 2 e UFMG 3, que foi publicado em 2019, tivemos outros três trabalhos reportando descobertas em 2020, 2021 e este mais recente de 2026, totalizando 93 aglomerados descobertos”, conta o astrônomo.
Com os novos resultados, o catálogo associado à UFMG chega a 128 aglomerados, considerando descobertas simultâneas feitas por diferentes grupos de pesquisa. Esse avanço acompanha um movimento global impulsionado pelos dados da missão Gaia, fundamentais para medir distâncias e mapear a estrutura da galáxia.
Ao mesmo tempo, o estudo fortalece uma linha de pesquisa no Departamento de Física da UFMG. Também contribui para outros trabalhos desenvolvidos pelo grupo de Astrofísica da instituição.
“O reconhecimento e a circulação desse conhecimento reafirmam que as pesquisas feitas dentro da UFMG ou por pesquisadores formados na Universidade têm alcance mundial e merecem investimento”, afirma.
Nesse contexto, o Espaço do Conhecimento UFMG mantém a articulação entre pesquisa e divulgação científica. A instituição atua diretamente com o público, ampliando o acesso ao conhecimento e aproximando a produção acadêmica da sociedade.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 16/04/26