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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Nem cinema, nem TV: videogames são a nova plataforma para grandes histórias

A indústria dos games cresceu e hoje oferece muito mais do que um simples jogo, mas sim histórias dignas de tela grande

Especial para o Culturadoria | Por Gabriel Lomasso

09/07/2020 às 16:55

Publicidade - Portal UAI
Cena do jogo The Last Of Us 2; Crédito: Naughty Dog / Divulgação

Contar histórias é uma tradição que acompanha a humanidade desde seus primórdios. O que começou com as pinturas e inscrições nas paredes das cavernas evoluiu ao longo de milhares de anos, tomando formas a partir de diferentes plataformas. E mesmo que já existam vários meios, sempre há um novo surgindo e inovando: é o caso dos videogames. 

Os videogames surgiram no meio do século passado. É uma plataforma que por muito tempo focou em uma experiência mais voltada para a diversão momentânea. Mas há alguns anos, foi possível notar que o investimento na construção narrativa dos jogos mudou. E muito.

No dia 19 de junho chegou às lojas o jogo The Last of Us: Parte 2, continuação de um dos mais aclamados jogos dos últimos anos, disponível para PlayStation 4. Assim como a primeira parte, este conta com uma narrativa muito bem construída. Ou seja, que não só envolve o jogador em desafios comuns para a plataforma, mas com um roteiro digno de cinema.

E é este o ponto que vem se destacando em jogos recentes. Para o profissional de marketing digital e gamer (como é chamado hoje os amantes de videogames) Pedro Garcia, esse tipo de jogo tem sido uma grande inovação para o mercado. “Acredito que a inovação sempre se fez necessária e jogos com um roteiro cinematográfico têm tomado proporções cada vez maiores. Acredito ser uma nova fórmula que tem muito para ser explorada”.

 

História de The Last of Us

No game, o jogador é apresentado a um mundo pós-apocalíptico. Nele um fungo mutante dizimou parte da população e a transformou em criaturas que se assemelham a zumbis – na história são chamados apenas de Infectados. Nesse novo mundo, conhecemos Joel, um contrabandista que recebe a missão de atravessar os Estados Unidos (ou o que restou do país) ao lado de Ellie. Ela é uma jovem que parece ser imune ao fungo.

A narrativa do primeiro jogo se constrói em cima da relação dos dois, mostrando uma evolução que se assemelha, e muito, ao que estamos acostumados a ver no cinema e na televisão. Torna-se, então, uma experiência que vai muito além de uma plataforma de jogo. Se transformando em uma história envolvente, de identificação com os personagens e que, de certa forma, te faz participar dela.

Na sequência, lançada nas últimas semanas, acompanhamos os desdobramentos de tudo o que aconteceu no primeiro jogo em uma camada mais profunda de desenvolvimento dos personagens e um roteiro que se arrisca em novos caminhos.

Aproximação com a realidade

Para além da narrativa, muitos desses jogos começaram também a usar atores reais na construção dos personagens. Nada de modelos 3D criados da imaginação dos desenvolvedores, agora muitas produtoras começaram a investir em um elenco real para captura de movimento e, assim, mais uma técnica que começa a aproximar os games do mundo real.

Para Pedro, o uso de atores só tem a trazer mais vantagens para quem experiencia o jogo. “Ele se torna mais humanizado, mais expressivo e mais envolvente. Um exemplo disso é o depoimento da Ashley Johnson, atriz que fez a Ellie de The Last of Us: Part 2. Ela cita uma cena marcante do jogo, em lágrimas, mostrando a experiência dela ao atuar na cena. Toda essa emoção, quando trazida para a filmagem e transportada para o jogo, deixa-o mais real”, comentou.

Personagens complexos, tramas amarradas e dilemas profundos tornaram-se, então, elementos essenciais na construção de muitos dos jogos que chegaram às plataformas e videogames. É possível enumerar alguns dos vários jogos que seguiram esse modelo e foram lançados nos últimos anos, como Until Dawn, um jogo que remete muito aos filmes de terror adolescente, a franquia Uncharted e Detroit: Become Human – um game que não só tem o uso de atores, mas também um roteiro com discussões filosóficos e sociais muito importantes.

 

videogame

Cena e Tomb Raider. Crédito: Crystal Dynamics / Divulgação

Franquias de sucesso também evoluem

Com certeza você já ouviu falar de Tomb Raider, um dos jogos de aventura mais famosos do mundo, que chegou a ter duas adaptações no cinema protagonizadas por Angelina Jolie. Em 2013, depois de quase 15 jogos para as diversas plataformas e gerações, a Crystal Dynamics decidiu recomeçar a história da heroína.

E para essa nova geração, chamou Camilla Luddington (Grey’s Anatomy) para viver a icônica Lara Croft nos jogos, a partir da captura de movimentos e dublagem. O novo jogo apresentou não só uma melhora em questão gráfica, mas também um roteiro muito mais complexo e bem construído. O sucesso foi grande e o reboot de Tomb Raider acabou gerando uma trilogia. Nos anos seguintes, os gamers puderam acompanhar as aventuras em Rise of the Tomb Raider (2015) e Shadow of the Tomb Raider (2018).

E o recomeço da história de Lara Croft ainda rendeu um filme, Tomb Raider, lançado em 2018 e com Alicia Vikander no papel da personagem. O longa teve o jogo de 2013 como base para sua construção.

O uso de atores e a inovação tecnológica não é algo tão inédito nos videogames, mas tem se tornado um grande diferencial para quem gosta de boas histórias e quer algo que vá além do gameplay. A tendência é que, para as próximas gerações de videogames, o número de jogos que seguem esse padrão cresça e dê aos jogadores novas e envolventes histórias para acompanhar, transformando o joystick em um controle remoto e os games em uma nova forma de cinema.

Dos jogos para as telas

Por muito tempo houve uma discussão sobre as adaptações de jogos para os cinemas. Nem sempre isso deu muito certo, com inúmeros filmes que se provaram grandes erros. Mas com a chegada dos “jogos cinematográficos”, algumas coisas começaram a mudar e existem títulos que são considerados aptos para adaptações por muitos fãs. Alguns já estão confirmados, outros apenas especulados.

The Last Of Us, por exemplo, em breve estreará nas telas da HBO. O jogo será transformado em série e sua produção pode começar em breve, ficando a cargo de nomes responsáveis pelo Chernobyl, uma produção de sucesso também da HBO.

O primeiro Tomb Raider teve um sucesso morno, mas a Warner também já garantiu uma sequência, que segue sem data de estreia definida. Além destes, o famoso jogo de luta Mortal Kombat também chegará aos cinemas pelas mãos de James Wan, com expectativa de estreia para 2021.

Recentemente também tivemos adaptações que fizeram sucesso com Detetive Pikachu, baseado em um jogo da franquia Pokémon, e Sonic. Os dois já tem uma sequência confirmada para os próximos anos.

video game Cena do jogo The Last Of Us 2; Crédito: Naughty Dog / Divulgação

Cena do jogo The Last Of Us 2; Crédito: Naughty Dog / Divulgação

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