Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Venom: Tempo de Carnificina… entre tapas e beijos

Em uma sequência quase despretensiosa, feita para o público que curtiu o primeiro filme, Venom: Tempo de carnificina, é o romance mais inesperado de 2021

Por Maria Lacerda | Culturadora

Em 2018, Venom dividiu as opiniões entre o público e a crítica especializada. O longa contou a história do jornalista investigativo Eddie Brock, que acaba se tornando o hospedeiro do simbionte Venom. Eis uma figurinha já conhecida dos fãs de super-heróis, seja pelos HQ’s, como pelo Homem-Aranha 3 (2007), dos tempos de Tobey Maguire.

Venom. Foto: Sony Pictures

O longa de Ruben Fleischer acabou conquistando uma sequência graças ao sucesso de bilheteria. Isso mesmo não sendo dos mais memoráveis e de não ter sido levado a sério. Venom arrecadou mais de 850 milhões de dólares pelo mundo e a sequência, Venom: Tempo de Carnificina, parece seguir o mesmo caminho, arrecadando 11 milhões de dólares na pré-estreia. Detalhe: só nos Estados Unidos.

De volta para o futuro

Sem se levar a sério e já conhecendo bem o público alvo, a sequência de Venom aposta num lado mais trash, usando a abusando de um humor meio pastelão, que definitivamente não é pra todo mundo. Os eventos de Tempo de Carnificina seguem um ano após os acontecimentos do fim do primeiro filme, acompanhando o relacionamento complicado entre Venom e Eddie, que tenta recuperar sua carreira. 

A grande chance do jornalista aparece quando o serial killer Cletus Kasidy (Woody Harrelson), preso por conta das investigações de Eddie Brock, se dispõe a ser entrevistado por ele. Vai contar os maiores segredos envolvendo os crimes e a própria vida. Tudo muda quando Eddie descobre a localização dos corpos das vítimas do assassino. Quando a execução não acontece como planejado, Cletus surge mais forte, se tornando o hospedeiro do simbionte Carnificina, uma versão ainda mais grotesca do Venom.

Discussão de relação 

A dinâmica entre os dois personagens de Tom Hardy é o ponto alto do longa. Ele abraça a galhofa, sem medo de ser feliz e, assim, traz uma veia inesperada para o filme. Enquanto o personagem humano de Tom Hardy só quer uma vida tranquila, o simbionte quer sair pela cidade como o Protetor Letal. Por isso, as DRS dos personagens ocupam grande parte do filme. Eles discutem como um casal em crise, digno de uma comédia romântica. 

O conflito acaba em uma grande briga, com direito à mobília e automóveis destruídos. A consequência é a separação definitiva do simbionte e seu hospedeiro. Falta compreensão tanto para o lado humano, como para o lado extraterrestre, mas uma coisa que o filme tem de sobra são as insinuações sexuais entre os personagens de Hardy. Sério.

Ah, e mais um momento em que a intenção do diretor Andy Serkis de romantizar a relação entre Eddie e Venom ficou clara foi na seleção do subtítulo do filme. Em entrevista, Serkis contou que consideraram uma referência à banda inglesa Joy Division, com o título Love Will Tear Us Apart (O amor vai nos separar, em português), quer mais romance do que isso?

Que haja carnificina

O romance não para por aí. A história do vilão, o serial killer Cletus Kasady, interpretado por Woody Harrelson, é retratada desde 1996, quando estava vivendo em um orfanato. Lá, ele conhece Frances Barrisson, personagem de Naomie Harris, com quem vive um romance. Os dois são separados quando Shriek – nome que vem de seu poder, que envolve um grito pra lá de penetrante – é levada para uma prisão secreta do governo.

Por isso, após se transformar no bizarro Carnificina, Kasidy vai ao encontro de seu amor interrompido. Com pouquíssimo tempo de tela, Harris e sua personagem têm potencial, masacabam não chamando muita atenção. O vilão alucinado de Woody Harrelson cumpre bem seu papel, mas acaba caindo em uma linha previsível, não conseguindo se destacar frente ao personagem principal – o relacionamento de Venom e Eddie.

Não teve pra ninguém

Como Eddie, Hardy mantém a energia meio apática, mas é o monstro que rouba a cena, carregando as melhores cenas de comédia do filme. Destaque especial para quando Venom cai nas noitadas após se separar de Eddie. A situação rende um discurso hilário sobre como extraterrestres são incompreendidos. Ele fala, também, sobre como está cansado de se esconder. Qualquer semelhança com comédias românticas, provavelmente não é mera coincidência. 

Em termos de entretenimento, se filmes que tendem mais para o besteirol são a sua praia, Venom vai, com toda certeza, ser do seu agrado. Mas, se você estiver esperando um filme sério sobre anti-heróis e conflitos morais, ou se você só quer assistir algo com bons efeitos visuais… tem muito filme melhor por aí.

Fica, vai ter spoiler!

Pensando em momentos surpreendentes no roteiro, a melhor parte do longa foi, sem sombra de dúvidas, a cena pós-créditos. Dessa maneira, após o desfecho do filme, Eddie e Venom, procurados pela polícia, precisam fugir  para uma ilha no México, o que simboliza quase uma lua de mel. Então, ao conversarem sobre segredos do passado, o simbionte resolve mostrar ao jornalista um pouco do que viu em sua longa vida extraterrestre. Até aí tudo bem, né?

Apesar disso, as coisas mudam, literalmente. De repente, o casebre em que a dupla estava se transforma em um bangalô de um hotel praiano. Em seguida, a TV, onde estavam assistindo uma boa novela mexicana, mostra um rosto já conhecido nos noticiários. Quem? Ninguém mais, ninguém menos que o Peter Parker de Tom Holland, exposto após os acontecimentos de Homem-Aranha: Longe de Casa. Em resumo: não é que o multiverso chegou à Sony? Ah, dona Marvel…

Venom. Foto: Sony Pictures

[ COMENTÁRIOS ]

[ NEWSLETTER ]

Fique por dentro de tudo que acontece no cinema, teatro, tv, música e streaming!