Exposição

Paulo Whitaker abre individual Veludo ricochete

Mostra na Albuquerque Contemporânea reúne 16 obras inéditas, entre pinturas em óleo sobre tela e desenhos em carvão e esmalte sintético.

Foto: Paulo Whitaker

A Albuquerque Contemporânea inaugura, no dia 16 de junho, a exposição Veludo ricochete, individual de Paulo Whitaker. A mostra reúne 16 obras inéditas, apresentadas pela primeira vez ao público.

O conjunto inclui treze pinturas em óleo sobre tela e três desenhos em carvão e esmalte sintético. Todas as obras foram produzidas recentemente pelo artista.

O título da exposição foi tomado de uma das obras expostas. A escolha aponta para aspectos centrais da pesquisa desenvolvida por Whitaker ao longo de mais de três décadas.

Em sua produção, formas recorrentes surgem e reaparecem em diferentes configurações. Elas criam relações de aproximação, sobreposição, deslocamento e transformação. Assim, o artista constrói um vocabulário visual próprio, sempre reorganizado por meio de variações de escala, cor, textura e gesto.

Entre permanências e desvios, Veludo ricochete apresenta uma pintura marcada por continuidade e mudança. O trabalho de Whitaker parte de elementos que retornam, mas nunca da mesma maneira. Cada obra propõe novas combinações e amplia as possibilidades de leitura do conjunto.

Rigor, acaso e movimento

As obras reunidas na exposição revelam um processo que combina rigor construtivo e abertura ao acaso. Máscaras, moldes e recortes utilizados pelo artista ao longo dos anos aparecem como instrumentos para a criação de um repertório formal em constante movimento.

Nesse processo, decisões precisas convivem com acidentes, interrupções e encontros inesperados entre materiais e cores. Por isso, a construção das imagens não se limita ao controle absoluto. Ela também se abre a desvios que interferem no resultado final.

A mostra evidencia esse campo de tensão. De um lado, há procedimentos, recorrências e estruturas. De outro, há o gesto, a matéria e a surpresa. A relação entre esses elementos sustenta parte importante da pesquisa pictórica de Whitaker.

No texto crítico que acompanha a exposição, o curador e pesquisador Tálisson Melo propõe uma leitura da produção do artista a partir da ideia do jogo. Para o autor, as formas que atravessam a trajetória de Whitaker podem ser compreendidas como peças de uma partida sem conclusão.

Cada trabalho, nessa perspectiva, constitui um universo autônomo. Ao mesmo tempo, integra um sistema mais amplo de relações, recombinações e recorrências. A pintura aparece, então, como um campo dinâmico de absorções e ricochetes.

Em Veludo ricochete, cada gesto reverbera e transforma o conjunto. A exposição apresenta Paulo Whitaker em diálogo com seus próprios procedimentos, seus materiais e suas formas recorrentes. O resultado é um recorte recente de uma pesquisa pictórica contínua, voltada à experimentação e à rearticulação constante de seus elementos.

Mais informações no site Galeria Alburquerque.

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Publicado por albuquerquecontemporanea

Publicado em 14/06/26

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