Teatro
‘Velocidade’ provoca o público a desacelerar o tempo
O Grupo Quatroloscinco faz sessão única no Minas Tênis Clube
Foto: Guto Muniz
Teatro
O Grupo Quatroloscinco faz sessão única no Minas Tênis Clube
Foto: Guto Muniz
“Velocidade”, décima montagem do Grupo Quatroloscinco, lança ao público uma provocação direta: e se fosse possível desacelerar o tempo? A peça se apresenta como uma peça-livro-sonho que reflete sobre a relação conflituosa com o tempo e com a velocidade da vida contemporânea. Em um mundo cada vez mais utilitarista, consumista e hiperconectado, onde distâncias, durações, memórias e relações se reduzem e se virtualizam, o espetáculo se afirma como um manifesto contra a pressa e a urgência.
O trabalho marca a retomada da parceria do grupo com o diretor e cineasta Ricardo Alves Jr., aprofundando a investigação entre teatro e cinema. Desta vez, o ponto de partida é a sonoridade. A dramaturgia aposta na construção poética de situações inacabadas, que abordam diferentes formas de olhar para o tempo. As cenas surgem e desaparecem como em um sonho ou fluxo de pensamento, criando uma experiência sensorial marcada por ritmos, pausas e acelerações.
A encenação abre espaço para o onírico em diálogo direto com a iluminação, que assume papel narrativo na construção das imagens. O jogo coletivo dos atores reforça a ideia de coralidade, com corpos que compõem paisagens em movimento contínuo. Variações de andamento e silêncio se alternam, convidando o público a vivenciar outra percepção do tempo dentro da sala de teatro.
“Velocidade” também se estrutura formalmente como um livro. O espetáculo é dividido em capa, prefácio, dedicatória, sete capítulos e verso da capa. A partir dessa organização, situações diversas e sobrepostas atravessam relações familiares e de trabalho, rotinas de vida, memórias de infância, sonhos recuperados e incertezas sobre o futuro. Cada fragmento propõe uma reflexão sensível sobre a percepção humana do tempo.
Dramaturgia e encenação constroem, assim, uma obra que afirma o teatro como uma máquina de desacelerar. Ao subverter a lógica da produtividade e da urgência, o espetáculo convida o espectador a repensar a forma como se relaciona com o tempo no cotidiano. A experiência se constrói menos pela narrativa linear e mais pela sensação, pelo acúmulo de imagens, sons e estados.
Com atuação de Assis Benevenuto, Ítalo Laureano, Marcos Coletta, Michele Bernardino e Rejane Faria, “Velocidade” reafirma a trajetória do Grupo Quatroloscinco na pesquisa de linguagens e na criação de obras que dialogam com questões urgentes da vida contemporânea, sem abrir mão da poesia e da experimentação.
Velocidade
Data: 13/3/2026, sexta-feira, às 20h
Ingressos: R$ 80 (inteira)
Classificação: 14 anos
Local: Teatro Minas Tênis Clube
Ingressos: Entre R$34 e R$80, pela Sympla ou bilheteria do teatro
Publicado por Minas Tênis Clube
Publicado em 06/02/26