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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Lu e Vitor Cafaggi comentam adaptação de ‘Turma da Mônica -Laços’ para o cinema

Live-action com os personagens da Turma da Mônica chega aos cinemas no dia 27 de junho

Por Carol Braga

24/06/2019 às 12:09

Publicidade - Portal UAI
Foto: Serendipity Inc / Divulgação.

A graphic novel mais vendida do país. Bem, este era o “posto” ocupado por Laços, trabalho dos irmãos Lu e Vitor Cafaggi. Aqui cabe o passado pois a história criada pelos roteiristas e desenhistas mineiros foi a escolhida para o primeiro filme em live-action da Turma da Mônica. O que isso significa? Que além do feito de ser a grafic novel mais vendida, o sucesso também tende a se expandir para o cinema.

As primeiras críticas publicadas já sinalizam isso. O crítico Rodrigo Fonseca, do blog P de Pop, considerou a adaptação “sublime”. Para Francisco Russo, do Adoro Cinema, Turma da Mônica – Laços é encantador. Julia Sabbaga do Omelete classificou o longa como excelente.

Laços tem direção de Daniel Rezende (Bingo: o rei das manhãs). O elenco é formado por Kevin Vechiatto como Cebolinha, Gabriel Moreira, o Cascão, Giulia Barreto, a Mônica, e Laura Rauseo, a Magali. Entre os adultos, Monica Iozzi, interpreta a Dona Luísa, Paulo Vilhena como seu Cebola, Fafá Rennó como Dona Cebola, Rodrigo Santoro faz o Louco e Ravel Cabral vive o Homem do Saco.

Vitor e Lu Cafaggi são de Belo Horizonte. Assim como boa parte da geração deles, cresceram lendo Turma da Mônica. Mais do que isso. No caso do Vitor, era até colecionador de gibi. Sendo assim, na entrevista a seguir eles comentam sobre a relação com os personagens de Mauricio de Sousa e também a adaptação para os cinemas. “Era mais como um sonho divertido e meio impossível de acontecer”, revelou Lu Cafaggi.

Como começou a sua relação com A Turma da Mônica? Você tem um personagem favorito?

(Lu) Minha personagem preferida é a Magali. Nós sempre lemos. O nosso irmão mais velho, o Enzo, aprendeu a ler aos 4 anos de idade e, desde então, começou a colecionar os quadrinhos da Turma. Quando o Vitor era criança, ele lia e colecionava os gibis da Turma e também de outros personagens. Eu nasci 10 anos depois dele, então, quando quis aprender a ler, tive a sorte de já encontrar uma gibiteca muito rica em casa. E o Vitor, que já era um adolescente na época em que eu estava sendo alfabetizada e tinha se afastado um pouco das revistas para crianças, revisitou os quadrinhos da Turma pra poder ler comigo. Lembro, por exemplo, que dávamos diferentes vozes e sotaques pros personagens, combinávamos juntos um ritmo na leitura que me ajudava também a ler os desenhos com calma.

Com tudo isso, os personagens ganharam uma presença muito real na nossa imaginação. O que mais curtíamos fazer era comentar sobre eles e sobre as histórias, percebendo nuances, entendendo traços mais sutis da personalidade de cada um. Quando a gente lê com atenção, a gente sente como que o Cascão não é só um menino que não toma banho, que a Magali não é só uma menina comilona… O mais legal da Turma é essa possibilidade da gente encontrar, na simplicidade da ficção deles, histórias tão multifacetadas e delicadas como as do nosso dia a dia.

(Vitor) Entre todos os personagens do Mauricio meu favorito é o Chico Bento. Dentro da Turma, eu não consigo mais escolher entre Cebolinha e Cascão.

Em 2013, com o lançamento da graphic novel, vocês imaginavam que essa história viraria uma live action tão aguardada?

(Vitor) Acho que não. É possível que isso tenha passado por nossas cabeças em algum momento, mas não era um pensamento recorrente. Era mais como um sonho divertido e meio impossível de acontecer. Mas, o engraçado, é que quando Lu e eu fomos convidados a fazer uma graphic novel da Turma, uma das primeiras coisas que a gente pensou foi: como seria um filme da Turma da Mônica? Desde o início, queríamos que a história tivesse um clima parecido com o de alguns filmes que marcaram nossas infâncias como Goonies e Conta Comigo.

Palavras como “família” e “amizade” certamente podem descrever o romance gráfico. Representar e contar uma história com esses laços tão fortes exige muita criatividade e sensibilidade. Vocês acreditam que esses laços inspiraram os leitores e vão inspirar os espectadores do filme?

(Lu) Acredito que sim. A natureza das relações que construímos com as pessoas é cheia de possibilidades diferentes, nuances, combinações estranhas e a gente acaba achatando o significado dessas coisas por alguma conveniência. Por isso, acho importante que o tema dos laços afetivos seja trabalhado nas histórias que lemos, músicas que ouvimos. Enfim, todo tipo de material que nos sensibiliza. Sendo assim, acho importante que a gente se sensibilize pra complexidade e pro tamanho que essas coisas têm na nossa vida. É como se, entre ‘ir com a cara de alguém’ e ‘começar uma amizade’, houvesse várias possíveis formas da gente ir tecendo esse afeto. e de ‘começar uma amizade’ a ‘continuar nessa amizade’ temos aí mais uns mundos inteiros e sempre em transformação.

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Foto: Serendipity Inc / Divulgação.

Há referências aos anos 80 em Laços e agora com a popularidade de séries juvenis como Stranger Things da Netflix e outras produções, você acredita que a live action vai manter essas referências?

(Vitor) Eu acho que alguma coisa vai ter sim. Pode ser uma referência direta ou no clima de alguma cena. Mas isso vem naturalmente. O Daniel Rezende, os criadores de Stranger Things e eu temos idades próximas. Possivelmente assistíamos ás mesmas coisas na TV e no cinema em nossas infâncias e, por isso, devemos ter referências parecidas dessa época.

Uma boa história é aquela que vai além do papel, com personagens que tocam além da leitura. Quais histórias em quadrinhos já tocaram você? Alguma delas foi uma influência para a criação de Laços e a sequência Lições?

(Vitor) Quase tudo que a gente lê, assiste, ouve, vive, acaba influenciando de alguma maneira. Laços é muito influenciada por cinema. Lições tem muito de nós mesmos. Do que vivemos em nossas infâncias. Tem um quadrinho chamado This One Summer, que Lu e eu adoramos, e que tem uma influência não direta em Lições. Dessa maneira, ela evoca muito dos sentimentos que queríamos trazer com a história.

Na live action o personagem Louco será interpretado por Rodrigo Santoro. O que você acha particularmente do personagem?

(Vitor) As pessoas adoram o Louco! E eu, na verdade, não sei muito bem porquê. Nunca me interessei muito pelo personagem. Mas, mesmo assim, tô bem curioso e animado pra ver ele no filme. Parece que conseguiram encaixar legal ele na história e o Rodrigo Santoro é um ator incrível!

O forte laço do Cebolinha com Floquinho é um exemplo para aqueles que tem um bichinho de estimação. De onde surgiu a inspiração para colocar o Floquinho num papel tão importante para o desenrolar do romance gráfico?

(Vitor) Se não me engano veio um pouco de Como Treinar Seu Dragão. A gente é apaixonado pelo primeiro filme. Lembro que uns meses antes de sermos convidados pelo Sidney, a Lu tinha comentado comigo que tinha visto um curta em que o Banguela sumia e o Soluço ia atrás dele. Alguma coisa assim. Por isso, acho que a ideia surgiu um pouco daí.

Na verdade, desde o início, nosso plano para o filme era mostrar a Turma sozinha. Mostrar como eram esses quatro personagens sem a influência de mais ninguém por perto. Chegamos logo na ideia de fazê-los partir numa quest. Nesse momento acho que entrou essa coisa do Floquinho desaparecer, pra queles fossem atrás dele. Fora que a gente sempre teve cachorro em casa ou no sítio. Sempre fomos muito próximos deles e o pensamento de que algo de ruim pudesse acontecer com eles é até hoje um dos maiores medos que eu tenho.

 

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