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Tela Brasil libera streaming gratuito de cinema nacional

Nova plataforma pública reúne + 500 obras brasileiras, com acesso gratuito pelo Gov.br, recursos de acessibilidade e obras pouco difundidas no país

My name is now Elza Soares (2018) | Dir. de Fotografia: Paolo Giron

O cinema brasileiro ganhou uma nova janela de circulação. O governo federal lançou a Tela Brasil, primeira plataforma pública federal de streaming dedicada ao audiovisual nacional. O serviço é gratuito e pode ser acessado pelo login Gov.br, inicialmente na versão web.

A chegada da plataforma amplia o acesso a filmes, séries, documentários, animações e registros históricos que nem sempre encontram espaço nos circuitos comerciais ou nos grandes serviços de streaming. Portanto, a novidade também fortalece a distribuição de títulos nacionais e aproxima o público de obras fundamentais para entender a memória, a diversidade e as disputas simbólicas do país.

O catálogo inicial reúne 555 obras produzidas entre 1910 e 2025. São 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas. Há filmes premiados, documentários históricos, produções infantis, obras ligadas à música brasileira e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais.

Dicas de filmes para começar a explorar a plataforma.

Entre os destaques disponíveis, o Culturadoria seleciona 11 filmes imperdíveis para você conferir.

A Hora da Estrela (1986), de Suzana Amaral, adapta Clarice Lispector com sensibilidade e força. A trajetória de Macabéa expõe pobreza, solidão e marginalização social em uma São Paulo hostil.

Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, é obra central do Cinema Novo. O filme atravessa o sertão, a fé, a violência e a busca por justiça.

Terra em Transe (1967), também de Glauber Rocha, segue atual ao tratar de poder, crise política, idealismo e desencanto no país fictício de Eldorado.

O Menino e o Mundo (2014), de Alê Abreu, encerra a lista com uma animação inventiva. Pelo olhar de uma criança, o filme aborda desigualdade, trabalho e modernidade com delicadeza visual.

Orfeu Negro (1959), de Marcel Camus. Narra a trágica história romântica entre a jovem Eurídice e o motorista e músico Orfeu. Os dois se conhecem durante o carnaval no Rio de Janeiro e se apaixonam, mas Orfeu tem uma noiva ciumenta.

Tia Ciata (2017) de Raquel Beatriz e Mariana Campos. Um curta que evidencia o protagonismo feminino negro a partir da trajetória de Tia Ciata (Hilária Batista), figura central na resistência cultural brasileira. A narrativa aproxima passado e presente ao reunir depoimentos de mulheres negras atuantes em diferentes frentes de combate ao racismo.

O sal da terra (2014), de Juliano Ribeiro Salgado e Wim Wenders. Nesta obra documental centrada no fotógrafo Sebastião Salgado, acompanhamos uma jornada global que investiga as pegadas de uma humanidade em contínua transformação. 

Dependências (2023), de Luisa Arraes. Uma mãe convida o futuro chefe para um chá em casa. Mas o desaparecimento de Dadá, empregada da família há mais de 20 anos, expõe contradições, dependência e a infantilização da classe média brasileira.

DIVINAS DIVAS (2017), de Leandra Leal. O documentário celebra ícones da primeira geração de artistas travestis a brilhar nos palcos. A obra mergulha na intimidade, no talento e nas histórias de uma geração que desafiou convenções sociais.

MY NAME IS NOW, ELZA SOARES (2018), de Elizabeth Martins. No documentário, Elza Soares nos guia por uma jornada que atravessa o tempo, o espaço e as superações, encarando-se diretamente diante do espelho e da câmera. 

PROJETO PIXINGUINHA (2006) Uma série documental de 11 episódios sobre o projeto criado em 1977 pela Sociedade Musical Brasileira e Funarte. A iniciativa reuniu diferentes gerações, como Nara Leão e Cartola. Hoje, a Funarte preserva esse acervo com depoimentos e registros históricos disponíveis em série.

Além de grandes títulos como Carandiru (2003), Olga (2004), Ilha das Flores (1989), O que é isso Companheiro (1997) e outros

Como assistir aos filmes da Tela Brasil

Para assistir, basta acessar a Tela Brasil, fazer login com uma conta Gov.br e navegar pelo catálogo disponível. As obras podem ser encontradas pelas categorias ou por gêneros, como Ficção, Documentário, Animação e Experimental. Depois da escolha, a reprodução começa diretamente na página da obra.

Os aplicativos para Android e iOS estão previstos para os próximos 30 dias. Até lá, o acesso ocorre pela web.

O catálogo inaugural combina obras financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual com acervos de instituições do Sistema MinC, como a Cinemateca Brasileira, o Centro Técnico Audiovisual, a Funarte e a Fundação Cultural Palmares. A parceria com a Empresa Brasil de Comunicação também deve integrar, gradualmente, mais de 150 títulos da TV Brasil à plataforma, somando cerca de 3 mil horas de conteúdo audiovisual brasileiro.

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Publicado por juniodecarvalho

Publicado em 03/06/26

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