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O estilo e o coração de “Tartarugas Ninja: Caos Mutante”

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O novo filme dos répteis mutantes mais queridos do mundo, “Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, apresenta, talvez, a melhor versão do quarteto até hoje.

Por Caio Brandão | Repórter

Existem várias franquias que possuem uma influência que atravessa múltiplas gerações. Dentro desse grupo, talvez a mais inusitada seja Tartarugas Ninja. Indo desde os sangrentos quadrinhos originais, até o terrível live action de 2014, todo mundo já interagiu de alguma forma com Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael. 

O novo filme dos répteis mutantes mais queridos do mundo, “Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, apresenta, talvez, a melhor versão do quarteto até hoje.
Donatello, Michelangelo, Leonardo e Raphael, as Tartarugas Ninja - Foto: Paramount Pictures. - © 2023 Paramount Pictures.TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES is a trademark of Viacom International Inc.

Em 2023, porém, recebemos, por meio da animação “Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, o que talvez seja a melhor versão do quarteto. Sob a direção de Jeff Rowe e Kyler Spears e com roteiro de Seth Rogen e Evan Goldberg, em conjunto com Rowe, as tartarugas adquiriram vida nova em uma adaptação que traz sinceridade, estilo e naturalidade para uma franquia, à primeira vista, completamente maluca.

Contando, ainda, com nomes como Jackie Chan, Paul Rudd, Hannibal Burress e Ayo Edebiri, o longa claramente foi feito com total consciência do potencial que reside não só nas próprias Tartarugas Ninja, mas também das possibilidades infinitas da animação enquanto meio de storytelling. Dessa forma, o resultado desse esforço é uma obra que provavelmente será lembrada, ao lado de filmes como “Homem Aranha: No Aranhaverso” e “Gato de Botas 2: O Último Desejo”, como um dos longas mais importantes dessa ótima nova geração de animações blockbuster.

O estilo

Já nos primeiros minutos de filme, fica óbvio o completo controle sobre a estética visual que a equipe que ergueu a obra possui. Nesse sentido, o modo como o 2D e o 3D são mesclados a todo momento concedem ao longa uma aparência impressionante. Dito isso, é necessário reconhecer a influência das animações recentes do Homem-Aranha. Elas ficaram conhecidas por subir drasticamente o sarrafo no que diz respeito à qualidade e estilo de animação somados a roteiros primorosos.

Contudo, a direção consegue dar ao longa uma cara que se assemelha, ao mesmo tempo que se difere, dessas obras. Sendo assim, a influência dos filmes mencionados anteriormente serviram, acima de tudo, como aprendizados. Consequentemente, o longa é um banquete para os olhos. 

A animação em si, os cenários, o design de personagens, tudo isso carrega a bagagem das iterações anteriores da franquia, é verdade. Porém, todos esses elementos são revigorados e elevados a um novo patamar, erguendo esse novo look do universo das Tartarugas Ninja como, provavelmente, o melhor até hoje. 

Complementando todos esses pontos, temos, ainda, simplesmente Trent Reznor e Atticus Ross como os compositores da trilha sonora original. Reznor, conhecido pela lendária banda Nine Inch Nails, se juntou a Ross, colaborador de longa data, para conceder ao filme mais uma camada de expertise técnica. Além da vasta experiência dentro da indústria cinematográfica, claramente a dupla tem uma química ímpar. 

Esses fatores culminam, então, em faixas que se moldam ao filme sem esforço nenhum. Ademais, músicas já conhecidas pelo público também figuram na obra, como “What’s Up”, de 4 Non  Blondes, “Party Up”, do rapper DMX, e “Can I Kick It”, de A Tribe Called Quest.

O coração

Visualmente, o filme é maravilhoso, mas, e a trama? Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael são, acima de tudo, irmãos, e o roteiro faz absoluta questão de deixar isso bem claro. Essa irmandade, todavia, não se manifesta exclusivamente por atos explicitamente carinhosos: absolutamente todas as interações, por menores que sejam, transbordam aquele clássico amor de irmãos. Sendo assim, eles fazem piadas uns com os outros, brigam, comemoram conquistas, mostrando, com autenticidade, o que de fato é esse tipo de relação.

A questão familiar também se estende para Mestre Splinter, o rato mutante que se torna pai adotivo e mestre das tartarugas, após encontrá-las no esgoto. As interações de Splinter com os filhos adolescentes conjuram aquela típica relação turbulenta, mas sempre motivada pelo amor. É clichê? É. Mas, é um clichê executado com tanto carinho que, no final das contas, funciona.

Existe, ainda, uma segunda família de mutantes que compõem o núcleo do Super Mosca, o grande vilão do filme. Nesse caso, o que se vê é uma dinâmica familiar consideravelmente mais tóxica, mesmo que genuína, na qual o antagonista induz os irmãos a ajudá-lo em um plano apocalíptico.

Esses contextos servem para delinear a temática central do filme: a aceitação. Todos os mutantes almejam ser aceitos pela sociedade, alguns por vias pacíficas, outros pela violência. Usar, então, das relações familiares para construir essa discussão faz total sentido. A família, ou até, de certo modo, a falta dela, se configura como o primeiro vislumbre de sociedade que um ser humano (ou mutante) possui. 

Além disso, mostra como o contexto de crescimento pode moldar o comportamento de alguém, e como uma intervenção positiva nesse tipo de situação pode ser benéfica, coletiva e individualmente. “Tartarugas Ninja: Caos Mutante”, portanto, é um filme executado com primor tanto no âmbito técnico, quanto no subjetivo, resultando em uma das melhores animações do ano. 

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