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Sobre o Rio: conheça intervenção artística que revela rios canalizados em BH

Projeto da artista visual Isabela Prado levará às ruas da cidade cerca de 230 placas com nomes de rios e córregos

Por Thiago Fonseca *

20/03/2020 às 10:30 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Aline Xavier e Roberto Bellini / Divulgação

Você já reparou que em algumas esquinas de Belo Horizonte, além dos nomes das ruas começou a aparecer recentemente uma placa diferente? Ela é branca e diz Córrego do Leitão. Trata-se de uma inusitada instalação criada pela artista visual Isabela Prado. Ela começou a pensar nesse projeto em 2006 e, curiosamente, a execução coincidiu com a mais forte chuva registrada na história da cidade. E ela tem tudo a ver com o Sobre o Rio, o trabalho de Isabela. Belo Horizonte tem 208 km de rios e córregos escondidos sob ruas, avenidas e construções, segundo a Sudecap. 

Sendo assim, ideia do projeto é espalhar, dentro do perímetro da Avenida do Contorno, em BH, cerca de 230 placas com nomes de córregos que estão por baixos das vias. O córrego do Leitão, como por exemplo, é um deles. Além dos outros afluentes do Ribeirão Arruda, Serra e Acaba-Mundo. “As placas mudam a percepção da cidade. As pessoas começam a se orientar com uma informação a mais ao entender que um córrego passa por ali e o sentido que ele está caminhando. Dessa forma, as placas são de relevância também para os momentos de chuva. Uma intervenção artística, permanente e que orienta”, explica Isabela Prado.  

Além de ser a idealizadora do projeto, a professora da UFMG também coordena e acompanha a instalação das placas. Todo o processo passa por registro de foto e vídeo e, numa próxima etapa, será publicado em livro. “Em resumo, o projeto é uma reflexão da relação da cidade com os córregos. Saí de BH, em 2001, e quando voltei, em 2006, o arrudas estava sendo canalizado e isso me chamou atenção. Comecei então, um mapeamentos dos córregos canalizados”, conta Prado. 

Reflexão sobre canalização

O projeto foi aprovado por Lei Municipal de Incentivo a Cultura em 2018. No ano passado saiu do papel com os patrocínios do BDMG e do UniBH. As intervenções começaram no mesmo período em que fortes chuvas atingiram Belo Horizonte, causando destruição e mortes. A canalização das águas foi discutida e apontada como um dos agravantes das consequências do período chuvoso.

“Enquanto artista ideia do projeto veio bem antes da catástrofe. De certa forma o Sobre o Rio veio reforçar a importância da reflexão sobre a canalização. Tudo o que vivenciamos neste ano foram as águas mostrando que tem que ser consideras e lembradas. Isso reforça a relevância da pesquisa e de conversar sobre o tema. Em síntese, um projeto que Muda a forma perceber a cidade”, salienta a pesquisadora. 

As placas foram desenvolvidas por Isabela e estão sendo instaladas permanentemente nas mesmas balizas que carregam a sinalização de ruas e avenidas, tendo as mesmas especificações das placas de rua já existentes. O desejo da artista é sinalizar toda a cidade. Mas o projeto aguarda mais verba. Para produção de placas e instalação. Isabela acompanha tudo de perto.

 

Isabela Prado, idealizadora do projeto Entre Rios e Ruas – Foto Aline Xavier e Roberto Bellini / Divulgação

Sobre o Rio

Em resumo, Sobre o Rio é um trabalho autoral da artista Isabela Prado, um dos frutos de sua reflexão poética de mais de 10 anos sobre a relação de Belo Horizonte com seus córregos, a presença hidrográfica na cidade e seus desdobramentos cotidianos, afetivos e históricos sobre os cidadãos. 

Isabela Prado é artista visual, assim como, professora da Escola de Belas Artes da UFMG. Graduada em Belas Artes pela UFMG e Mestre em Artes pela Indiana University, EUA, participou de vários programas de residência artística em diversos países (Argentina, Brasil, EUA, Jordânia, Palestina) e de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 2011, foi contemplada com o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, com o projeto Entre Rios e Ruas, que deu origem ao livro Lição: se essa rua fosse um rio (2016). Artista finalista do Prêmio Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas 2019.

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