Música
Shostakovich na Sala Minas Gerais com a Sétima Sinfonia
Filarmônica apresenta obra escrita no cerco de Leningrado e encerra as séries Presto e Veloce.
Foto: Alexandre Rezende
Música
Filarmônica apresenta obra escrita no cerco de Leningrado e encerra as séries Presto e Veloce.
Foto: Alexandre Rezende
Encerrando as séries Presto e Veloce, a Filarmônica de Minas Gerais executa, pela primeira vez na Sala Minas Gerais, a Sétima Sinfonia de Dmitri Shostakovich. Escrita durante o cerco de Leningrado, a obra ocupa lugar singular na história da Segunda Guerra Mundial e retorna ao palco mineiro em 4 e 5 de dezembro, às 20h30. A regência é do maestro Fabio Mechetti. Os ingressos estão disponíveis no site da Filarmônica e na bilheteria, a partir de R$ 39,60.
Criada em meio à resistência da população de Leningrado, a sinfonia alcançou projeção internacional após sua estreia em 1942. Com duração extensa e grande impacto expressivo, tornou-se símbolo de sobrevivência e afirmação cultural. Os concertos integram as celebrações pelos 50 anos da morte do compositor russo, lembrado por sua força criativa e pela habilidade de traduzir tensões políticas e humanas em música.
Shostakovich compôs a obra em um momento de forte pressão do Partido Comunista, ainda sob o regime stalinista. A cada novo trabalho, buscava conciliar suas referências pessoais com as exigências oficiais. A Sétima Sinfonia, dedicada à cidade natal, traz elementos que dialogam com a estética soviética: fanfarras, marchas, ostinatos e temas folclóricos. O célebre “tema da invasão”, do primeiro movimento, foi concebido como o “tema de Stalin” e, mais tarde, associado a leituras anti-nazistas. Apesar das interpretações externas, o compositor afirmou, em suas memórias, que a obra presta homenagem à resiliência dos moradores de Leningrado.
Composta em 1941, a sinfonia retoma influências de Mahler, Bruckner e Stravinsky. É também a mais longa escrita por Shostakovich. Ao mesmo tempo, incorpora um caráter quase pictórico, marcado por imagens sonoras intensas. Esse conjunto de escolhas estéticas reforça o lugar da obra como registro sensível das contradições do século XX e dos desafios vividos pela União Soviética no período.
À frente da Filarmônica desde 2008, Fabio Mechetti consolidou o projeto artístico da orquestra e ampliou sua presença no cenário nacional. Com carreira desenvolvida nos Estados Unidos, atuou como Regente Titular das sinfônicas de Jacksonville, Syracuse e Spokane. Foi também Regente Associado de Mstislav Rostropovich na Orquestra Sinfônica Nacional de Washington, além de convidado de orquestras na Europa, América Latina e Ásia. Natural de São Paulo, é Mestre em Composição e Regência pela Juilliard School.
Filarmônica de Minas Gerais – Sétima Sinfonia de Shostakovich.
Série Presto: 4 de dezembro – 20h30 – Sala Minas Gerais.
Série Veloce: 5 de dezembro – 20h30 – Sala Minas Gerais.
Regência: Fabio Mechetti.
Programa:
Shostakovich – Sinfonia nº 7 em Dó maior, op. 60, “Leningrado”.
Ingressos: A partir de R$ 39,60, pelo site da Filamônica.
Informações: (31) 3219-9000 | www.filarmonica.art.br
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 02/12/25