Shiiti transforma tinta sumi em memória em exposição na UFMG
“Memória Sumi - 墨” reúne instalações e fotografias que investigam tempo, intimidade, repetição e os processos vividos no ateliê.
Bokuchi | Foto: Shiiti
“Memória Sumi - 墨” reúne instalações e fotografias que investigam tempo, intimidade, repetição e os processos vividos no ateliê.
Bokuchi | Foto: Shiiti
A tinta sumi, produzida a partir da fuligem, conduz uma investigação sobre memória, tempo e intimidade na nova exposição individual de Shiiti. “Memória Sumi – ?” será aberta na sexta-feira, 9 de outubro, às 19h, no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Sérgio Salomão, a mostra poderá ser visitada até 15 de novembro. O percurso reúne quatro instalações e séries fotográficas. Nelas, o artista leva para o espaço expositivo práticas, resíduos e experiências do cotidiano de seu ateliê.
A relação de Shiiti com a tinta sumi está no centro da pesquisa. Feito de fuligem, o material permite ao artista explorar transformações provocadas pela água, pela secagem e pelo próprio passar do tempo. Além disso, repetição, imperfeição e rascunho deixam de ser etapas descartáveis para integrar as obras.
A exposição começa com “Sedimentos”. Dezenas de frascos ficam dispostos sobre prateleiras brancas flutuantes. Com a secagem lenta e a evaporação da água, o sumi volta a se depositar nas paredes de vidro. Assim, os resíduos registram tempo, rotina e memória.
Em “Cartas para Mim”, frases são sobrepostas em camadas contínuas. Aos poucos, o texto perde a legibilidade e se aproxima do desenho. O acúmulo de pensamentos funciona como registro do estado anímico do artista.
Na parede principal da galeria, “Ensaio Shod?” apresenta centenas de estudos em papel de arroz dedicados ao shod?, a caligrafia, e ao sumiê, a pintura. Em vez de mostrar apenas resultados considerados acabados, Shiiti expõe as tentativas que fazem parte do processo.
Dessa forma, os desvios também ganham espaço na pesquisa. O artista questiona a cobrança pelo perfeito e incorpora falhas e repetições ao trabalho.
Já “Bokuchi”, instalada no centro da sala, retoma porcelanas em diálogo com ampliações fotográficas. As imagens destacam resíduos deixados nos utensílios e ampliam detalhes que poderiam passar despercebidos durante o fazer artístico. Fotografias de “Sedimentos” também seguem essa proposta de revelar paisagens formadas ao longo do processo.
Shiiti é artista visual e bacharel pela Escola Guignard, da UEMG. Sua pesquisa articula a identidade nipo-brasileira com memória, tempo e ritualidade do gesto. Além da tinta sumi, trabalha com desenho, aquarela e fotografia.
Em “Memória Sumi – ?”, o artista reúne vestígios de estudos, tentativas e erros. A fuligem, resultado da queima e matéria-prima da tinta, torna-se o ponto de partida para registrar aquilo que se transforma e permanece ao longo do tempo.
Exposição “Memória Sumi – ?” – Shiiti
Abertura: 9 de outubro de 2026, às 19h
Visitação: até 15 de novembro de 2026
Terças a sextas: 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados: 9h às 17h
Local: Centro Cultural UFMG – Sala Ana Horta
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 04/10/26