Música

Roberto Carlos: Show em BH sintetiza o amor do público pelo “Rei”

Roberto Carlos - Foto: Gabriel Pinheiro

O Rei Roberto Carlos, chega ao Expominas, com muita expectativa do público, e dois shows lotados na capital mineira.

Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

O clima era de expectativa. Pouco a pouco o saguão do Expominas se via tomado por fãs da atração da noite. A promessa era de casa cheia. De tanta procura, um show extra foi anunciado para o dia seguinte.

A sensação é próxima de observar os millenials que cresceram ouvindo Sandy & Junior e compareceram em peso na turnê de reunião da dupla. Cartazes, camisetas estampadas com o rosto e faixas na testa com o nome ou dizeres apaixonados em homenagem ao ídolo. Mas a geração aqui é outra. Na plateia vemos um público ligeiramente variado – é predominantemente mais velho e feminino – em polvorosa. São fãs que cresceram junto ao artista e o acompanham, em muitos casos, há mais de 60 anos. Sim, ele, Roberto Carlos. Ou, para muitos, o “Rei”.

Um medley de sucessos de Roberto dá início ao show. Ele ainda não está no palco. Apenas o maestro e a big band que o acompanha tomam seus lugares e começam um pout-pourri de canções do artista. Os músicos são afiadíssimos. O clima de celebração da banda traz ares de festa – algo próximo de uma grande formatura ou casamento. Tudo em grandes proporções. Mas não ficamos apenas nas versões instrumentais de trechos de seus hits. Não demora muito para que a big band ganhe o coro, em uníssono, da plateia presente. 

Celebração

Até que o locutor anuncia a entrada do cantor. De terno azul e camisa branca estampada por baixo – as cores favoritas que, aliás, também são as cores predominantes nas vestimentas do público -, Roberto entra ovacionado. São aproximadamente 4 mil pessoas na plateia. Há muitas mães acompanhadas dos filhos. Ao vê-las, só lembrava da minha avó, que não perdia um especial de fim de ano do “Bebeto”.

De cara, ele entoa os primeiros versos de  “Emoções”, música-patrimônio do cancioneiro popular nacional. É, o “Rei” não está para brincadeira. O que vemos a seguir é uma sequência de sucessos e falas bem humoradas do cantor entre uma música e outra. Quem esperava um Roberto Carlos ranzinza, após a polêmica da bronca dada em um show da turnê atual, não o encontrou no palco do Expominas.

Roberto Carlos - Foto: Gabriel Pinheiro
Roberto Carlos – Foto: Gabriel Pinheiro

Só clássicos

Boa parte dos clássicos estavam no setlist, sobretudo canções do período romântico do cantor, aquele de maior predominância na carreira. “Como vai você”, “Como é grande o meu amor por você”, “Detalhes” e “Outra vez”, por exemplo. De clima leve, Roberto Carlos fazia breves comentários entre as canções, citando, por exemplo, a “reiva” de Juma na novela “Pantanal”. Ao fim de “Desabafo”, as vozes femininas dominavam os versos “Mas sempre acabo em seus braços/ Na hora que você quer”. No que o cantor interrompe: “Nós, os caras, sabemos que não é na hora que nós queremos. Nesses meus mais de 35 anos de experiência [Roberto arranca aqui risos da plateia] aprendi que não é na hora que nós queremos, mas na hora em que elas querem. Então, agora, nós, os caras, vamos cantar e as meninas vão ficar quietinhas”.

Roberto fez, ainda, uma sequência especialmente matadora com “O calhambeque”, “Olha” e “Sua estupidez”, as duas últimas, particularmente, algumas das minhas músicas preferidas do seu vasto repertório. Antes, ainda tocou “Ilegal, imoral ou engorda”, outra favorita por aqui. “Que culpa tenho eu?/ Me diga, amigo meu/ Será que tudo que eu gosto e ilegal, é imoral/ Ou engorda?”

Rosas

Próximo ao fim do show, logo antes de “Como é grande o meu amor por você“, a plateia, já sabendo que um gesto específico estava prestes a acontecer, se dirige em peso para a frente do palco. É um mar de mulheres – há um ou outro homem, mas são poucos – que aguardam o célebre momento em que o ídolo jogará rosas, vermelhas e brancas, para o público. O momento aguardado chega em “Jesus Cristo”, que encerra o show. São várias rosas, disputadas por muitas e muitas mãos. O empurra-empurra segue até que a última flor seja arremessada pelo “Rei”.

Ver um show do Roberto Carlos é uma experiência que todos deveriam ter. Há algo deliciosamente kitsch na sua figura e no charme que ela emana. Milimetricamente calculado, ele sabe o quê e quando dizer para ter o público na palma da mão, que responde a fala sedutora do artista com suspiros apaixonados e os olhos marejados.

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Publicado por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

Publicado em 28/09/22

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