Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Bastidores: confira, aqui, curiosidades sobre cinco músicas de Rita Lee

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Neste dia de luto para o Brasil, o Culturadoria selecionou cinco composições de Rita Lee para lembrar algumas histórias por trás da composição

Patrícia Cassese | Editora Assistente

“José” – Rita Lee lançou seu primeiro disco solo “Build Up”, dirigido por Arnaldo Baptista, em 1970. A faixa do álbum que estourou nacionalmente foi a versão em português de “Joseph” (1969). Para quem não era nascido à época, trata-se de uma música do cantor e compositor francês (nascido no Egito, mas de origem grega) Georges Moustaki. A letra fala sobre o “pai” de Jesus Cristo, o carpinteiro José. A versão em português, na verdade, foi feita por Nara Leão para Rita Lee.

Capa do disco "Lança Perfume", lançado pela Som Livre
Capa do disco "Lança Perfume", lançado pela Som Livre

Sobre a música, Rita Lee contou, em sua autobiografia, publicada pela Globo Livros. “Foi a única música que estourou nas rádios, algo nunca antes alcançado pelos Mutas, o que gerou ciumeira e desdém”. A roqueira diz que a ciumeira foi tanta que, nos shows que se seguiram, “o mimo musical de Nara entrou na lista negra”. Ou seja, era sumariamente proibido de ser tocado ao vivo “porque pegava mal roqueiristicamente falando”.

“Alô, Alô Marciano”

A canção de Rita Lee e Roberto de Carvalho estourou na voz de Elis Regina, que a gravou no disco “Saudade do Brasil” (1980). Rita contou que, após o icônico especial “Mulher 80”, exibido pela Globo, na esteira do sucesso do seriado “Malu Mulher”, Elis lhe pediu uma música.

“Rob e eu fizemos ‘Alô, Alô Marciano’ numa levada sambalanço à la Jorge Ben”. No dia em que ia pôr a voz, a pimentinha convidou o casal para assistir à gravação. Todavia, a levada era outra, “mais jazzy, mais chique”. “Entramos no aquário da técnica e avistamos Elis no estúdio, deitada num sofá, com meio headphone na cabeça”, diz Rita Lee. Ela acrescentava que a gaúcha estava fumando e cantando com um microfone na mão. “Matou de prima. A música fez um baita sucesso”.

A letra faz várias referências a acontecimentos que, à época, tratavam de mudar o mundo, caso da Revolução Islâmica de 1979. Na ocasião, o aiatolá Khomeini assume o poder no Irã (a citação está no trecho “tem sempre um aitolá pra atolá Alá”).

“Lança Perfume”

“Lança Perfume”. Música e disco de 1980, ecoam, como Rita diz, em seu livro, o momento “casal de coelhos” do par formado por ela e Carvalho. “A graça era transar em locais inusitados, de banheiros de avião a praias desertas”, diverte-se. Não só. “De banheiras de espuma a escadas de incêndio, de elevadores de serviço a camarins de shows”.

Assim, segundo a cantora, munidos de vasta “bagagem erótico-musical”, o casal partiu para o novo disco. E com o que ela diz serem “parcerias cada vez mais autobiográficas”.

“Éramos crème de la crème para voyeurs auditivos”, cita Rita Lee. E exemplifica: primeiramente, com os sugestivos ‘me vira de ponta cabeça, me faz de gato e sapato”. Não só: “Me deixa de quatro no ato, me enche de amor”.

Ou “misto-quente, sanduíche de gente, empapuçados de amor”.

“João Ninguém”

Rita Lee confessou que se inspirou no ex-presidente João Figueiredo para escrever esta faixa de “Lança Perfume”. “O general, ditador do ‘prendo e arrebento’, foi o muso inspirador do meu ego para escrever a letra. “Um cara pé de chinelo que saiu do estábulo e virou rei, mas o cheiro do estábulo nunca saiu dele”, diz ela, na biografia.

“Aliás, uma carapuça que cabe perfeitamente em nossos políticos de hoje”, arremata, ferina.

A letra diz: “João Ninguém não perde um vintém/Nouveau riche quatrocentão/Sem talento pra ser feliz/Milionário por vocação”.

“Cor de Rosa Choque”

“Cor de Rosa Choque” – Parceria com Roberto de Carvalho, a música de 1982 fala sobre sobre temas nem um pouco comuns em letras de música. Caso de menstruação (“mulher é bicho esquisito/todo mês sangra”).

De cunho feminista até a medula, a letra grita que dondoca “é uma espécie em extinção”. E enfatiza que o “sexo frágil” não foge à luta. Ou, ainda, “que nem só de cama vive a mulher”.

A música foi o tema de abertura do revolucionário “TV Mulher”, programa exibido pela Rede Globo de 1980 a 1986. A atração tinha apresentação de Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias e a sexóloga Marta Suplicy como uma das participantes.

Curiosidades sobre 3 músicas de Rita Lee
Curiosidades sobre 3 músicas de Rita Lee

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