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Richard Neves lança disco instrumental ‘O Mergulho’

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Richard Neves é produtor musical e tecladista do Pato Fu. No trabalho autoral, foge de todos os estereótipos e entrega um disco moderno e ousado

Por Carol Braga

O Mergulho, o primeiro disco solo de Richard Neves, é mesmo um convite a entrar nas profundezas da música contemporânea. Ao fim da primeira audição, é normal a sensação de certo atordoamento. Isso é positivo. Sinal de que a música que ele nos oferece não é mais do mesmo. Ou seja, provoca deslocamentos necessários para tempos tão pasteurizados. 

Richard Neves. Foto: Pablo Bernardo
Richard Neves. Foto: Pablo Bernardo

São sete faixas instrumentais. Em todas elas, percebe-se o quanto a pesquisa sonora é importante para a construção do álbum. Além dos sintetizadores – uma marca da trajetória de Richard, a percussão também tem destaque. Deste modo, apesar dele ser publicamente conhecido como um tecladista, não é possível dizer que o instrumento seja o protagonista absoluto. 

Participações

O álbum de estreia de Richard Neves também destaca-se pelas inúmeras colaborações de músicos conhecidos da cena autoral e instrumental brasileira. Entre as participações especiais, Matheus Bahiense (congas) e Paulo Santos (bongô e tambor falante) contribuem na faixa-título, enquanto Chico Amaral adiciona suas melodias de flauta em “La Mano Negra”. 

Já Marcos Suzano traz o pandeiro e a bateria eletrônica para “Jogos dos Arcos”. Raquuel, com efeitos vocais, e John Ulhoa, com guitarras distorcidas, enriquecem “Um Pedaço de Pão”. Sérgio Pererê, Júlia Tizumba e Acauã Ranne colaboram em “Curumim Cunhatã”, e Jorge Alabê fornece samplers para “Remanso” e “Um Pedaço de Pão”. Daniel Guedes completa o time de colaboradores com sua percussão em “O Rei da Mata”. 

Richard Neves, além de ser o responsável pelos teclados, synths, farfisas, rhodes, violões, berimbaus, guitarras e algumas vocalizações, também assume a produção do álbum, resultando em uma obra diversificada e profundamente colaborativa.

Como foi a transição de trabalhar em bandas e projetos consolidados para a produção de seu primeiro álbum solo? 

Richard Neves: Na verdade, não houve transição. Os processos correram mesmo paralelamente, mesmo fazendo o disco, mesmo fazendo o lançamento. Eu segui com as minhas atividades nos outros projetos, aí, do Pato Fu, com as trilhas sonoras, que eu tenho feito especialmente com o John Ulhoa, fora do Pato Fu, e as outras produções também que eu tenho feito de outros trabalhos, de outros artistas, Sérgio Pererê. Enfim, outros artistas que eu tenho a alegria de produzir.

Quais foram os principais desafios e diferenças que encontrou nesse processo?

Richard Neves: O principal desafio que eu tive, eu acho, especialmente agora foi assumir a frente. Nunca estive necessariamente à frente de um projeto. Então, isso para mim tem sido um desafio bem grande.

O álbum “O Mergulho” apresenta uma gama diversificada de influências musicais. Como você equilibrou essas diversas inspirações para criar uma narrativa coesa em seu trabalho solo?

Richard Neves: Bom, para criar uma coesão entre as músicas do disco, já que ele perpassa várias influências minhas de estilos musicais que eu gosto e que eu escuto desde criança em casa mesmo – o eixo central foi o uso das percussões afrolatinas e os sintetizadores. Acho que isso foi o norteador do disco. A partir disso, sim, beber em outras fontes de vários estilos musicais que perpassam e correm o disco. Fico feliz por ser um disco diverso.

Você menciona que o processo de criação do álbum ocorreu durante a pandemia. Como esse contexto influenciou sua abordagem criativa e o desenvolvimento das músicas?

Richard Neves: A pandemia, acho que para mim e para todo mundo, é uma reviravolta, um processo psicológico muito profundo também. Além de toda a tensão que a gente viveu. Acho que esses momentos de reviravolta muitas vezes nos lançam a provocações, a inspirações. Olhar para dentro de nós mesmos e, assim, acredito que são sementes também para brotar outros frutos. Esse disco foi um dos frutos que nasceram da pandemia. 

Além de ser responsável pelos teclados e synths, você também assumiu a produção do disco e tocou uma variedade de instrumentos. Como foi o processo de multitarefa durante a criação deste álbum e qual papel cada aspecto desempenhou na sua visão artística para “O Mergulho”?

Richard Neves: Então, essa história de tocar vários instrumentos durante a produção, uma coisa foi a própria pandemia. Outra coisa foi que eu sou produtor musical e, de fato, toco alguns instrumentos, então eu gosto de tocar alguns outros instrumentos que não somente os teclados, que é como a maioria das pessoas me conhece profissionalmente, como eu me apresento geralmente em público, mas eu também toco violão, enfim, agora estou aprendendo a sitar.

Gosto muito de tocar percussão, viola caipira. Então eu tenho esses instrumentos aqui e gosto de tocar. O berimbau que eu toquei também no disco. Enfim, isso já faz parte do meu processo de produção musical, seja no trabalho do Mergulho, ou seja em outros trabalhos de outros artistas.

Então, para mim, isso é quase que uma diversão, timbrar com outros instrumentos, arriscar em outros instrumentos. Traz uma alegria profunda e, de certa forma, é também natural.

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