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Radionovela: iniciativas digitais revivem formato que foi sucesso no rádio

Sucesso na era de ouro do rádio, as radionovelas estão de volta com nova roupagem e esbanjando do uso de novos recursos

Por Jaiane Souza *

23/07/2020 às 11:45 | *Colaborador

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Arte da radionovela "Perguntas para Madê". Créditos: Maíria Tula

Os podcasts estão cada vez mais populares. E, antes, o que tinha o caráter mais informativo, abriu espaço para outros formatos, como os bate-papos, leituras, programas de entrevistas e para a dramaturgia, como é o caso da radionovela.

Exemplo disso é a áudio série de ficção Sofia, lançada recentemente pelo Spotify no Brasil. A produção é um exemplo claro que como as narrativas auditivas vieram para ficar. Conta a história da assistente virtual Sofia, “a mais intuitiva do mundo”. A produção é estrelada por Monica Iozzi, Cris Vianna (como Sofia), Otaviano Costa e Hugo Bonemer.

Na cena de Belo Horizonte não é diferente. A radionovela Perguntas para Madê está no ar pela programação do Circuito Municipal de Cultura.  Utiliza de recursos de contação de histórias para estimular e provocar a imaginação. “Buscamos algo que evoque uma ludicidade para dialogar com esse contexto da quarentena”, explica Erika Rohlfs, atriz, professora e uma das criadoras do projeto.

Tudo começou quando a atriz recebeu uma mensagem de uma amiga com um pedido de ajuda para resolver um mistério, que, na verdade, não era mistério nenhum. Assim, a ideia ficou e Erika, ao lado de Thiago Gazzinelli, também ator, músico e professor, criou Perguntas para Madê uma radionovela de investigação.

Histórias

Para pegar o público, a história precisa ter narrativa atraente. No caso da radionovela, a principal característica é a “narrativa folhetinesca”, ou seja, aquela que é publicada sequencial e periodicamente, com agilidade e elementos interligados justamente para prender a atenção, particularidade retirada dos folhetins publicados em jornais e revistas anteriores ao rádio.

Sendo assim, essa foi uma das técnicas utilizadas em Perguntas para Madê. A radionovela conta a história de uma ex-detetive que vivenciou um trauma e, por isso, ficou anos sem sair de casa. Só que o faro é realçado quando aparece um mistério bem na porta da casa dela. A partir daí começa a jornada de investigação.

Vale destacar que a personagem principal tem cerca de 70 anos, idade aproximada de Miss Marple, personagem da escritora Agatha Christie. “Eu lia muito e amava Agatha Christie quando eu era mais novo e a Madê tem características de personagens dela, como a Miss Marple. Além disso, tentamos trazer para a radionovela a atmosfera dos filmes noir, com suspense e mistério” detalha Thiago Gazzinelli. 

Trilha sonora e imaginação

As novas produções em áudio estão caprichando nos efeitos e trilhas sonoras. São as chamadas “paisagens sonoras”, que criam, por exemplo, uma ambientação repleta de elementos na intenção de que o ouvinte forme uma imagem visual a partir da imaginação. No rádio isso foi fundamental para que o meio de comunicação se estabelecesse e se mantivesse. Agora, é um recurso também de acessibilidade.

No caso de Perguntas para Madê, Gazzinelli convidou o artista Guilherme Borges para compor toda a trilha sonora original para a radionovela e auxiliar nos demais efeitos de áudio. “Optamos por esse formato pela facilidade de manipular o som para levar o ouvinte para lugares que não conseguiríamos com imagens. Por áudio você consegue transportar alguém para dentro da cabeça de uma pessoa, por exemplo, para dentro do esgoto, pra qualquer lugar”, explica Thiago.

Os episódios estão sendo postados no YouTube e têm acesso gratuito. Além disso, há acessibilidade em libras, que, de acordo com Erika, foi feita de forma a dialogar e passar a história como ela foi roteirizada. Outro ponto que levou os artistas a contarem as aventuras de Madê neste formato foi o advento da quarentena. Cada um gravou da sua casa e a direção foi feita, quando preciso, por videoconferência. Os atores foram improvisados, participaram a mãe de Erika, o irmão mais novo e até o pai. A atriz ainda deixa a dica: quando for ouvir a radionovela, tenha ao seu lado a sua criança interior, aquela que é curiosa e gosta de histórias.

radionovela

Crédito: Amazon Prime Video / Divulgação

Outros projetos

Além de Perguntas para Madê Sofia, ambas disponíveis gratuitamente, outros projetos também são realizados no Brasil e no mundo e mantém viva a tradição do rádio. O audiodrama (como também são chamadas as radionovelas atualmente) Aventuras Bizarras foi criada por dois irmãos atores que queriam oferecer um universo cinematográfico para os próprios personagens. Outra opção é o Contador de histórias, um projeto de audiodrama e storytelling. Ele conta ainda com a versão infantil Contador de Historinhas.

No campo educacional, o destaque vai para a radionovela Literatura nas Ondas do Rádio, um projeto de extensão que cria adaptações de obras de autores nordestinos que são leituras obrigatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio e para vestibulares. Para quem gosta de ficção científica, a dica é 1986, um podcast storytelling. 

A nível internacional o formato já até se desdobrou em outras narrativas. O audiodrama estadunidense Lore, que explora mistérios e eventos trágicos para criar as narrativas, foi adaptado para a série Homecoming pela Amazon Prime Video e é estrelada por Julia Roberts. Veja aqui.

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