CinemaOscar 2026
Quem ganhou o Oscar 2026?
A noite terminou sem prêmios para o Brasil, mas a torcida organizada pelo cinema brasileiro mostra que algo importante já mudou.
Wagner Moura | Foto: Trae Patton / The Academy
CinemaOscar 2026
A noite terminou sem prêmios para o Brasil, mas a torcida organizada pelo cinema brasileiro mostra que algo importante já mudou.
Wagner Moura | Foto: Trae Patton / The Academy
Durante semanas o Brasil viveu uma espécie de suspense coletivo. Não apenas pela possibilidade de novas estatuetas, mas pela sensação rara de se reconhecer dentro da grande narrativa do cinema mundial. Depois do histórico Oscar de “Ainda Estou Aqui” no ano passado, o país voltou a acompanhar a cerimônia com intensidade. Afinal, desta vez o Brasil comparece com cinco indicações, quatro delas para “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e uma para o diretor de fotografia Adolpho Veloso.
No fim da noite, nenhuma estatueta veio para o Brasil. O Oscar terminou consagrando “Uma Batalha Após a Outra” como melhor filme e distribuiu prêmios entre produções como Pecadores e Frankenstein. Mas a pergunta que ficou no ar não é apenas quem ganhou — é o que significa perder depois de chegar tão perto.
Confira aqui os vencedores das estatuetas.
Há algo de novo no modo como o país acompanha essa premiação. Durante décadas o Oscar foi um espetáculo distante, quase estrangeiro demais para provocar mobilização real. Nos últimos dois anos, porém, o cinema brasileiro passou a disputar espaço no centro dessa conversa global. E isso muda o lugar da derrota.
Na noite da cerimônia, uma imagem que circulou nas redes sociais ajuda a entender esse momento. Diante do cinema São Luiz, no Recife, um grande tapete vermelho se estendia pela rua, cercado por uma multidão. A sala estava lotada, mas também havia gente do lado de fora, acompanhando tudo como quem participa de uma festa coletiva. Não era apenas uma sessão de cinema. Parecia carnaval.
Gente na rua, torcida organizada por um filme. Não por futebol, não por política, mas por cinema.
Aquela multidão talvez seja a melhor resposta para a pergunta que muitos fizeram quando o último prêmio foi anunciado.
Talvez tenha ganhado o próprio cinema brasileiro. Ou, pelo menos, a consciência coletiva de que ele existe, mobiliza e importa. O Oscar é, antes de tudo, a premiação de uma indústria gigantesca, estruturada, que mede forças globais de produção e circulação. Entrar nesse jogo já não é trivial. Estar entre os finalistas duas vezes seguidas é ainda menos.
Há derrotas que soam como silêncio. Outras parecem mais um momento de respiração antes do próximo capítulo.
A torcida que ocupou ruas, bares e cinemas pelo país não cabe numa estatueta dourada. Ela mede outra coisa: o desejo de ver nossas histórias no mundo.
E esse desejo, ao que tudo indica, já ganhou.
Publicado por Carol Braga
Publicado em 16/03/26