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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Quem é Elisa de Sena: tambor, poesia e mistura contra o atraso

Neste terceiro episódio do podcast do Estado de Minas e do Culturadoria, um papo com a artista que compõe a partir da percussão - e isso significa muito

Especial para o Culturadoria | Por Luiza Rocha

30/10/2019 às 14:45

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Foto: Paulo Abreu/Divulgação

Como se conta a História? A cantora e compositora Elisa de Sena começa com o tambor. A artista criada no bairro Goiânia, em Belo Horizonte, formou-se em História, atuou com produção cultural e agora lançou seu primeiro disco, aos 37 anos. Sendo assim, ela é a convidada deste terceiro episódio do podcast Quem é.

“Eu me considero em construção sempre, em mutação. O que posso dizer é que sempre fui e sempre serei uma mulher negra, o que diz muito sobre minha arte. Hoje sou mãe, artista, contemporânea, ligada nas coisas da ancestralidade”, define.

 

 

Congado em movimento

Elisa foi levada pela mãe desde muito nova aos congados mineiros. Mais tarde, ela se juntou ao Tambor Mineiro, associação cultural criada por Maurício Tizumba. Igualmente por causa da mãe, a jovem foi sendo inserida no movimento negro, ambiente atravessado também por música e arte.

O tambor primeiro

O processo criativo de Elisa chama a atenção. Em vez de violão ou piano, ela compõe a partir do tambor. Na feitura do primeiro disco, Cura, primeiro veio o ritmo, a letra e depois as melodias, criadas por outros artistas, “preenchendo os espaços”. Na reivindicação de representatividade e protagonismo, parte essencial da escrita de Elisa, a forma e o processo significam muito.

Arma de afeto

Na poesia Templo, disponível em forma de “paisagem sonora”, Elisa se arma de poder, afeto e coragem “Estamos aqui, ali, ou lá para relembrar que não somos mais escravizadas/ Que nosso corpo, preta, nosso crespo, nossa dança, é poesia armada/ É pá pa pa quebrando mentes quadradas. (…) Levante sua cabeça, firme seu passo./ E caminhe se sabendo livre mesmo em um mundo marcado pelo atraso”.

Mistura

A compositora também ressalta a importância da música como desconstrutora do racismo e a favor do que chama de mistura. “Não vou fazer música negra só para a população negra, o que a gente quer é que o racismo seja desconstruído nas pessoas brancas, então tem que chegar nos outros. Os brancos tem que discutir a branquitude, só assim a gente vai mudar”.

Elisa de Sena é a terceira entrevistada do Quem é – Foto: Paulo Alberto / Divulgação

Podcast sobre artistas de Minas

O ‘Quem é’ é um podcast do jornal Estado de Minas e do Culturadoria, que traz, a cada 15 dias, uma conversa com artistas da cena mineira. Quem canta, pinta, borda e cria arte pode passar por aqui.

Com apresentação de Fred Bottrel e de Carol Braga, os episódios são publicados no site do Estado de Minas, no Culturadoria e em todos os tocadores. Este episódio teve produção de Rafael Alves e Luiza Rocha, trabalhos técnicos e edição de áudio de Luiza Rocha.

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