fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Quem é Chico Buarque escritor?

Além de poeta da música, o artista também escreve no ramo da literatura. Já foi premiado com o Jabuti e Prêmio Camões

Por Jaiane Souza *

18/12/2019 às 09:26 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Frame do vídeo do canal da editora Companhia das Letras no YouTube

Que Chico Buarque é um músico renomado e de poesia refinada já é claro. Entretanto, Francisco Buarque de Hollanda também se envereda pelos lados da literatura e da dramaturgia. Além de cerca de 80 discos entre parcerias, solos e compactos, o gigante da música brasileira já lançou diversos livros: romance, novela e dramaturgia.

A publicação mais recente do escritor na literatura é Essa gente. O livro faz transparecer como Chico se mantém ativo no âmbito da reflexão sobre a sociedade e política. O narrador apresenta as questões do contexto do Brasil e faz críticas de forma indireta. Isso porque narra a história de um personagem que tenta resolver a sua vida profissional e pessoal no Rio de Janeiro, tentando restabelecer o diálogo com o filho adolescente e reatar com as duas ex-mulheres.

O começo

A história do artista na literatura começou na adolescência, quando publicou as primeiras crônicas no jornal Verbâmidas. Depois disso, foi colaborador em outros jornais como o Estado de São Paulo e O Pasquim. Esse segundo se destacou pelo tom de sátira e oposição à ditadura militar que assombra o Brasil entre as décadas de 1960 e 1980. E já que o assunto é ditadura militar Chico Buarque foi mais uma pessoa da classe artística que sofreu com as opressões do período. Por isso, foi preciso se autoexilar na Itália em 1969 para se manter seguro. Foi na mesma época que teve diversas composições censuradas, entre elas os sucessos Cálice e Apesar de você. Após isso, se tornou uma das personalidades mais ativas na luta pela democratização do Brasil e na crítica à política. 

As primeiras publicações de Chico começaram a surgir em 1966 com o conto Ulisses no Suplemento Literário d’O Estado de São Paulo. Em 1974 escreve a novela Fazenda modelo, em 1979, livro poema infantil. Os romances vieram a partir de 2004, com Budapeste, que começou a render prêmios literários.

Prêmio Camões

A produção literária de Chico Buarque resultou no reconhecimento e consagração com o Prêmio Camões, por exemplo. Trata-se de um dos principais troféus literários em língua portuguesa que avalia o conjunto da obra de diversos escritores de diferentes países que têm o português como língua oficial. Só para exemplificar, são eles Brasil, Portugal, Moçambique, Cabo Verde e outros.

A premiação reconhece o autor que tenha tipo expressiva contribuição para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural do português por meio do conjunto de sua obra. A edição de número 31 do Camões oferece ao vencedor 100 mil euros e o reconhecimento citado. No entanto, a condecoração deste ano está sendo atípica. Isso porque o atual presidente, Jair Bolsonaro se recusou a assinar a premiação e disse que até o final do possível segundo mandato assinaria. 

Chico Buarque, por sua vez, rebateu a declaração afirmando que a não assinatura de Bolsonaro é, para ele, um segundo prêmio Camões. Mesmo que toda a polêmica envolvendo o prêmio exista, o Ministério da Cultura de Portugal confirmou a entrega do diploma a Chico sem a assinatura do presidente brasileiro, uma vez que ela é apenas uma formalidade e não impede a entrega do prêmio. A cerimônia está prevista para 25 de abril de 2020, em Lisboa. 

 

chico buarque

Frame do vídeo do canal da editora Companhia das Letras no YouTube

Prêmio Jabuti

Por sua vez, no Brasil, o Jabuti é o principal prêmio literário e já condecorou Chico Buarque algumas vezes. Três vezes para ser mais exato. A primeira foi em 1992, o livro Estorvo venceu as categorias Romance e Livro do Ano Ficção. Estorvo foi lançado em 1991, é o primeiro romance de Chico e conta a história de um personagem atormentado acontecimentos esquisitos ao mesmo tempo que passa por situações familiares e reais. 

O segundo e o terceiro Jabuti vieram em 2014 e 2010, respectivamente, também premiaram Budapeste e Leite derramado nas mesmas categorias. Em Budapeste Chico Buarque narra a história de José Costa, que é um ghost-writer, ou seja, uma pessoa que escreve, mas não recebe os créditos. Por outro lado, Leite derramado mostra o dia a dia de um homem que está em um leito de hospital e fala em monólogo.  

Demais prêmios

Além de importantes prêmios como o Jabuti e o Camões, Chico também foi reconhecido pelo troféu Associação Paulista de Críticos de Arte, o APCA. O livro em destaque foi O irmão alemão. A obra é o quinto romance lançado escritor pelo autor e mistura autobiografia com elementos fictícios. Tudo isso a respeito da busca incansável por um irmão alemão do escritor. A ideia é encontrar o tal irmão que sequer chegou a conhecer. O contexto da ditadura militar volta ao livro, já que ele se passa na juventude de Chico Buarque, mostrando o cotidiano da família.

Em resumo, Chico Buarque é um artista versátil, que transita entre a música e a literatura. Os livros do escritor estão disponíveis em livrarias físicas e virtuais.

 

chico buarque

Frame do vídeo do canal da editora Companhia das Letras no YouTube

 

 

photo

Cinema brasileiro: oito filmes imperdíveis no Cine Humberto Mauro

Cinema Brasileiro em cartaz. Esse foi o tema escolhido para a última mostra do ano no Cine Humberto Mauro. Dessa forma, 26 longas-metragens nacionais, produzidos entre 2018 e 2019, oferecerão ao público a oportunidade de prestigiar a diversidade da produção recente do país. A ideia é contemplar obras que tiveram poucas oportunidades de exibição nos […]

LEIA MAIS
photo

Man Ray em BH: um guia para explorar a mostra em cartaz no CCBB

Estrelas da moda, de Hollywood e das artes plásticas. Figuras que mudaram o rumo das áreas onde atuaram, tipo Picasso, Duchamp, Coco Channel. Todos passaram pelas lentes do fototógrafo americano Man Ray, cujos registros estão entre as mais de 200 fotografias que compõem o acervo da exposição montada até fevereiro no Centro Cultural Banco do […]

LEIA MAIS
photo

Como as ocupações de arte transformaram a paisagem de BH

Há três anos, quem passa do alto do bairro Floresta, principalmente na rua Sapucaí, observa que a paisagem de Belo Horizonte está diferente. Colorida. No Lagoinha, no Morro das Pedras, Horto, Santa Tereza e em dezenas de outros bairros também. São as ocupações artísticas que modificaram o cenário de BH. Dia após dia, a capital […]

LEIA MAIS