Foto: Fox Film do Brasil/Divulgação
07 nov 2018

Quatro tópicos sobre o filme Bohemian Rhapsody

Com tantas opções de entretenimento que temos hoje, grande parte delas você nem precisa sair de casa, quando decide ir ao cinema, por exemplo, tem que ser uma experiência que realmente faça diferença. Pois Bohemian Rhapsody, a cinebiografia do Queen, é um filme que deve ser visto sim na tela grande. Se for no IMAX, melhor.

Isso porque o melhor que o longa dirigido por Bryan Singer tem a lhe oferecer está nas partes em que a música – e consequentemente o vigor do rock – são protagonistas. Nos outros momentos, Bohemian Rhapsody se iguala a várias outras histórias de celebridades contadas pelo cinema. Na jornada ao estrelato, tem a revelação, o deslumbre, a arrogância e, no caso do Queen, a reconciliação.

“Só musicão”

Foi inevitável não soltar esta frase clichê depois da jornada de 134 minutos de Bohemian Rhapsody. Por mais que reconheça todo o mérito do repertório criado entre as décadas de 1970 e 1980, quando você ouve um hit atrás do outro, tem uma dimensão do que o Queen significa para a música mundial.

Além da canção que dá título ao filme, momentos que particularmente chamaram minha atenção foram os bastidores da composição de clássicos como a própria canção que dá nome ao filme além de We Will Rock You e Under Pressure, por exemplo.

 

Foto: Fox Film do Brasil/Divulgação

 

Rami Malek

Por mais que as interpretações de Gwilyn Lee como Brian May, Ben Hardy como Roger Taylor e Joseph Mazzello como John Deacon chamem atenção, nada se compara à recriação de Rami Malek para Freddie Mercury. Até aqui nada diferente, em se tratando de cinebiografias.

A atuação é um aspecto que costuma chamar atenção neste gênero. Para citar um caso recente, Gary Oldman faturou o Oscar 2017 pela interpretação de Winston Churchill. Costumo dizer que são tipos de filmes feitos para que os atores solem. Malek sola. O Freddie Mercury dele está na expressão corporal. Parece possuído.

Saí da sala de cinema e até dei um Google para vê-lo em outros papeis e descobri que ele foi o Faraó Ahkemenrah  em Uma Noite No Museu (2006). Ou seja, o vocalista do Queen é o papel mais importante da carreira dele.

Roteiro e direções convencionais

Não vá ao cinema achando que, por se tratar de uma biografia de uma figura tão extravagante como Freddie, o longa seja inovador. Não tem nada disso e talvez seja um ponto de decepção. Conforme a crítica da revista Variety afirma, o longa raramente faz jus à autenticidade do protagonista.

O roteiro é extremamente formal e, inclusive, realmente parece poupar as bizzarices cometidas por Mercury. Aliás, foi essa a crítica que Sascha Baron Cohen fez ao script quando decidir pular fora do projeto. Ele havia sido o primeiro escolhido para interpretar o protagonista.

Quando digo formal, me refiro a opção feita por contar a história da banda por meio de Freddie Mercury e, assim, seguir a jornada do herói. Os personagens tem poucas nuances de bem e mal, os papéis são muito marcados. O “agente” Paul Prenter é claramente um vilão no filme. Será que foi assim mesmo na realidade?

Se a direção brilha nas cenas musicais, não consegue manter a mesma potência nos momentos dramáticos do longa. A diferença é muito grande. Uma das cenas que tinha tudo para ser uma das mais fortes e lindas do filme fica piegas. É quando Mary Austin (Lucy Boynton) e Freddie conversam sobre a sexualidade dele. Era um momento de descoberta para ele. É uma cena delicada, mas com cortes secos demais que a deixam previsível.

 

 

Prêmios?

A julgar pelos comentários de usuários em sites como IMDB e Rotten Tomatoes, Bohemian Rhapsody terá uma renca de indicações na temporada de prêmios que começa em dezembro. Será? Estou com a maioria dos colegas críticos. O filme tem fragilidades de roteiro e direção, algumas apontadas acima.

Sinceramente, não faço grandes apostas. Apenas nas interpretações. Recentemente a revista Collider publicou que o estúdio 20th Century Fox decidiu submeter o longa ao Globo de Ouro, porém na categoria Drama, e não de comédia ou Musical. Um equívoco. Já falei e repito: a parte musical é o que melhor Bohemian Rhapsody tem a oferecer ao espectador de cinema. É disso que se trata, né?

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