‘Horizonte Abissal’ investiga corpo, solo e paisagem
Primeira individual de Glayson Arcanjo na capital reúne mais de 20 obras no Centro Cultural UFMG.
Foto: Glayson Arcanjo
Primeira individual de Glayson Arcanjo na capital reúne mais de 20 obras no Centro Cultural UFMG.
Foto: Glayson Arcanjo
O Centro Cultural UFMG recebe, a partir de 31 de julho, a exposição ‘Horizonte Abissal’, primeira mostra individual do artista Glayson Arcanjo em Belo Horizonte. A abertura será às 19h. A entrada é gratuita.
Com curadoria de Yana Tamayo, a exposição reúne mais de 20 trabalhos produzidos entre 2021 e 2026. As obras investigam as relações entre o corpo humano, o solo, o tempo e as diferentes materialidades que formam a paisagem.
O público poderá conferir desenhos, fotografias, pinturas, vídeos e instalações. Dessa forma, a mostra apresenta diferentes etapas da pesquisa desenvolvida por Arcanjo nos últimos anos.
Mineiro e radicado em Goiânia, o artista também atua como professor da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. Em sua produção, ele articula criação, pesquisa e ensino, além de investigar processos ligados ao desenho e à experimentação poética.
Em ‘Horizonte Abissal’, o território habitado pelo artista transforma-se em um campo de observação. A paisagem aparece como um espaço instável, marcado por processos geológicos, ciclos orgânicos e atividades produtivas em larga escala.
Além disso, os trabalhos abordam tensões políticas e econômicas relacionadas aos usos da terra no Brasil. O Cerrado ocupa um espaço importante nessa reflexão. O solo surge como fonte de abrigo e nutrição, mas também como território de disputas, fronteiras e transformações.
Grande parte das obras nasce do contato direto com a terra. Glayson Arcanjo coleta amostras de solo, peneira os materiais e prepara pigmentos. As tonalidades preservam características minerais e orgânicas dos locais pesquisados.
Depois, o pó é misturado à água e aplicado sobre superfícies como papel e porcelana. Nesse processo, a espera, o acaso e a experimentação interferem no resultado. Alguns pigmentos permanecem mais aderentes. Outros se desfazem com facilidade.
O desenho também ocupa um lugar central na exposição. Para o artista, ele funciona como ferramenta de observação e investigação. Assim, desenhar envolve coletar, separar e reorganizar diferentes elementos encontrados no ambiente.
A mostra também amplia o olhar sobre as camadas e profundidades da terra. Fendas, erosões, raízes, galhos, cinzas e variações cromáticas integram essa pesquisa. O corpo do próprio artista aparece em alguns trabalhos, submetido à resistência do contato com o chão.
O título da exposição propõe uma reflexão sobre a descida ao interior da Terra. A curadoria relaciona esse movimento a memórias de exploração mineral e aos projetos coloniais que conectam regiões como Potosí, na Bolívia, e Vila Rica, atual Ouro Preto.
Glayson Arcanjo é doutor em Artes Visuais pela Unicamp e mestre pela UFMG. Seus trabalhos integram acervos da Pinacoteca de São Paulo, do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, do Centro Cultural UFG e do Museu de Arte da UFU.
Exposição ‘Horizonte Abissal’ – Glayson Arcanjo
Abertura: 31 de julho de 2026, às 19h
Visitação: até 6 de setembro de 2026
Horário: terças a sextas, das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h
Local: Grande Galeria do Centro Cultural UFMG
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 27/07/26