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Por que você deveria ver o documentário Axé: Canto do povo de um lugar?

Filme está disponível na Netflix e conta cronologicamente e história do ritmo que surgiu na Bahia e conquistou o mundo

Por Jaiane Souza *

07/10/2020 às 09:12 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Zahir Company / Divulgação

“Já pintou verão, calor no coração, a festa vai começar…” Assim é a abertura de Axé: canto do povo de um lugar, documentário dirigido por Chico Kertész. A voz em off é de Ivete Sangalo cantando Baianidade Nagô, música do álbum Negra (1991) da Banda Mel. De cara, bate forte no coração dos apaixonados por carnaval. Não só isso!

Quem gosta de música em geral, ou de outros estilos que não o axé music, não precisa torcer o nariz. É um filme que conta 30 anos de história de um ritmo tipicamente brasileiro e fundamental para a história da música do país. 

Tudo isso por meio de entrevistas com personalidades artísticas e dos bastidores, que fizeram tudo acontecer, além de especialistas. No elenco estão nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, a própria Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Vovô do Ilê Ayê, Netinho, Beto Jamaica, Luiz Caldas etc. Ou seja, os figurões do ritmo baiano.

O filme foi originalmente lançado em 2017, mas entrou em 2020 no catálogo da Netflix. Por isso, listamos algumas razões para você conferir essa história. 

O marco zero e a cronologia

Uma das primeiras preocupações do documentário é tentar entender o ponto inicial da axé music no Brasil, ou seja, o marco zero, e a cronologia até os dias de hoje. É um consenso que o nome fundador é Luiz Caldas. O artista sempre viveu no meio da música e conciliava o trabalho em serviços gerais com atividade musical. Assim, construiu um ritmo que misturou o reggae com o pop, frevo, samba, ijexá e toques caribenhos, que ficou conhecido como Fricote

O ritmo dançante influenciou outros artistas e foi se desenvolvendo até chegar no axé propriamente dito. Caldas também criou bases de teclado e guitarra elétricas, característica muito forte na axé music. Além disso, a principal vitrine musical dos artistas era o programa Cassino do Chacrinha. Se uma banda aparecesse nele – e o público gostasse – era indicador de sucesso. 

Músicas e entrevistados

Além da narrativa cronológica construída em Axé: canto do povo de um lugar, os entrevistados são um verdadeiro presente para o espectador. Desde os mais conhecidos, como Gil e Ivete Sangalo, até as figuras menos aparentes, como Wesley Rangel, dono do estúdio responsável por gravar a maioria dos sucessos dos anos 1990.

Além disso, tem, é claro, muita música. A história do Olodum mostra como o grupo surgiu despretensioso no Pelourinho e ganhou o mundo, chamando atenção de Michael Jackson e Paul Simon. Mostra também a importância dos blocos afros, a contribuição de Carlinhos Brown e o remelexo do É o Tchan. 

Axe canto do povo de uma lugar

Foto: Zahir Company / Divulgação

Imagens de arquivo

A costura do filme é feita a partir de imagens de arquivo. O programa do Chacrinha, como dito, foi importante para muitos artistas, mas também surfou na onda dos sucessos. Essas imagens estão presentes. Além delas, gravações dos primórdios do trio elétrico e de grandes blocos, como o Ilê Ayê e o Olodum. Chama atenção a disposição dos foliões com o passar do tempo. Antes, ficavam bem perto dos artistas, mas, com o crescimento do carnaval e do ritmo, foram afastados por cordas e camarotes. 

Pontas soltas

O primeiro corte do filme, de acordo com o diretor, tinha mais de três horas. Dessa forma, com a edição, a narrativa contempla uma cronologia linear do ritmo. Mesmo assim, deixa de fora alguns pontos muito importantes. Como abordagem mais intensa de nomes igualmente como Margareth Menezes, por exemplo.

É, também, pontos de vistas parecidos, sob um único foco, que é contar a história relatando fatos, sem o cuidado de problematizar questões sociais, de racismo, machismo e a comercialização do carnaval. Mesmo assim, cumpre o papel de contar uma história rica de um estilo musical fora do eixo Rio-São Paulo, que dominou o Brasil e veio de iniciativas populares. 

Clique aqui e veja o filme disponível na Netflix

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