Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Festival Cine Pojichá leva cinema de graça a praças de BH

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De 23 a 28 de abril, os belo-horizontinos terão acesso a 11 produções do audiovisual mineiro, com temáticas variadas, no Cine Pojichá

Desta terça-feira, dia 23, até domingo, 28 de abril, Belo Horizonte será, pela segunda vez, sede do Cine Pojichá. Criado em 2017 pelo InCena – coletivo de realizadores da região do Vale do Mucuri e do Vale do Jequitinhonha -, o festival incentiva a formação de público e o cineclubismo. Na 10ª edição, o público belo-horizontino assistirá, em seis espaços da capital, a 11 produções. São títulos distribuídos nas categorias: ficção, documentário e experimental. A curadoria é de Caroline Cavalcanti, Flavi Lopes e Guilherme Jardim.

Este ano, o Cine Pojichá traz produções assinadas por realizadores de Belo Horizonte, Contagem, Itaobim, Diamantina e Teófilo Otoni. Na abertura, nesta terça, às 19h, o evento exibe o curta “Bruta”, com direção de As Talavistas E Ela.Ltda. Já às 20h, haverá aula magna com os cineastas indígenas Sueli Maxakali e Isael Maxakali (Vale do Mucuri).

O cineasta Isael Maxacali ministra aula magna junto a Sueli Maxakali (Roberto Romero/Divulgação)
O cineasta Isael Maxacali ministra aula magna junto a Sueli Maxakali (Roberto Romero/Divulgação)

Outros atividades

Durante o festival, estão previstas, ainda, oficinas de roteiro cinematográfico e produção em audiovisual, bem como o seminário “O Cinema é nosso clube”. Tal qual, uma aula aberta com o cineasta Joel Zito Araújo (SP). A programação é toda gratuita, com acessibilidade em Libras. As atividades do Cine Pojichá acontecem no Cine Santa Tereza e na Praça Duque de Caxias, na Praça Floriano Peixoto, no Casa Ativa (Venda Nova), na Quadra Serra Verde (idem) e na Praça José Verano da Silva (Barreiro/Praça da Febem).

“Acreditamos que a mostra local é uma ferramenta importante para fomentar e fortalecer o audiovisual mineiro”, comenta Cris Diniz, que assina a coordenação do Cine Pojichá em parceria com Bruny Murucci e Florisvaldo Cambuí Júnior, integrantes do Incena.

“Corpes Diverses”

Segundo Diniz, além de valorizar realizadores do Estado, nesta edição do Cine Pojichá a curadoria apostou no tema “Corpes Diverses”. “São trabalhos realizados com a presença de grupos e artistas que divergem de princípios, ideias, doutrinas e métodos cis heteronormativos, racistas, capacitistas e gordofóbicos.

Assim, a proposta é potencializar o protagonismo de mulheres e pessoas LGBTQIA+, negras, indígenas, PCD’,s e obesas. Ou seja, pessoas que desenvolvem trabalhos dentro do audiovisual nas cidades dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, além de Belo Horizonte e Região Metropolitana.

Formação de plateia

Para Diniz, ocupar o espaço público, com exibições ao ar livre, possibilitando encontros entre passantes e realizadores do audiovisual, faz do festival Cine Pojichá esse lugar de formação de plateia para a produção local. “Poder assistir a um filme que uma pessoa do seu bairro produziu, ou se deparar com um trabalho de alguém do Vale do Mucuri, ou seja, um realizador mineiro, se torna uma experiência muito rica. Isso, tanto para o público conhecer e valorizar o cinema produzido em Minas, quanto para o artista poder assistir ao próprios filmes em uma praça. Ou seja, para uma plateia tão diversa, como é o público de uma praça”, completa.

Abaixo, frame de “Calaboca e Escuta” (Paula Coraline, Lucas Campos do Amaral/Divulgação)

Histórico do Cine Pojichá

“Pojixá” é o nome de uma etnia indígena originária da região do Vale do Mucuri e Jequitinhonha. Não por coincidência, dá nome à locomotiva Pojixá de Teófilo Otoni, que ligava Minas à Bahia. Além de eternizada na canção “Ponta de Areia”, de Milton Nascimento, tornou-se monumento da praça principal da cidade. “Nosso festival presta homenagem aos povos originários dos dois vales. Temos inclusive realizadores indígenas da região, na programação, como Isael Maxakali, Sueli Maxakali”, ressalta Florisvaldo Cambuí Jr., integrante do Incena e coordenador do Festival.

A cineasta Sueli Maxacali, em foto de Erik Pereira/Divulgação
A cineasta Sueli Maxacali, em foto de Erik Pereira/Divulgação

“O Cine Pojichá também faz referência ao propósito itinerante da locomotiva, que pode ir a outros territórios para mostrar a produção. Assim como estamos fazendo este ano, em Belo Horizonte”, comenta ele.

Trajetória

Há sete anos, o Cine Pojichá iniciou as atividades, a partir da constatação de uma lacuna: a inexistência de um evento que promovesse a formação de público para o cinema nas regiões dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha. “Na verdade, segue ainda como o único festival no gênero na região”, revela o curador. Em nove edições, o festival já exibiu mais de 150 títulos entre curtas e longas-metragens. Do mesmo modo, realizou mais de 30 atividades paralelas. Assim, já alcançou um público de mais cinco mil pessoas. 

Programação por dia – “Cine Pojichá”

23/04 – Santa Tereza

18h – Praça Duque de Caxias. 

Longa-metragem: Bruta (Direção: As Talavistas E Ela.Ltda) 

19h – Cine Santa Tereza.

Aula magna com os cineastas indígenas Sueli Maxakali e Isael Maxakali. 

24/04 – Santa Tereza 

10h às 12h – Cine Santa Tereza.

Oficina de introdução à escrita de Roteiro Cinematográfico. 

18h – Praça Duque de Caxias

Sessão de Curtas 01

“Manifesto não-binário pela desistência do gênero ( Mostra Especial)”

“Nunca Pensei Que Seria Assim”

“Sala de espera”

“Calaboca e Escuta”

25/04 – Santa Efigênia

18h – Praça Floriano Peixoto. 

Sessão de Curtas 02

“No Início do Mundo” 

“Da Janela, quem é a Namoradeira?” 

“Depois da margem” (Mostra especial)

“Ebulição” ( Mostra especial)

“Pequeno Beijo Pudim” 

“Divina”

26/04 – Santa Tereza

Cine Santa Tereza ( parceria com Mostra Joel Zito Araújo – Uma Década em Vídeo  (1987-1997)

16h30  – Sessão Vanguarda das Lutas: Mulheres Negras na Conquista de Direitos

“Almerinda, Uma Mulher de Trinta” (1991, 25 minutos)

“São Paulo Abraça Mandela” (1991, 22 minutos)

“Eu, Mulher Negra” (1994, 31 minutos)

*Debate com Alessandra Brito

19h – Aula Magna de Joel Zito Araújo em roda de conversa com o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência e lançamento do catálogo impresso

*Toda a programação de 26/04 é em parceria com a mostra.

27/04 – Barreiro

18h – Praça José Verano (Praça da FEBEM) – Barreiro.

 Sessão de Curtas 01

“Manifesto não-binário pela desistência do gênero” 

“Nunca Pensei Que Seria Assim”

“Sala de espera”

“Calaboca e Escuta”

28/04 – Venda Nova

10h às 12h – Casa Ativa

Oficina de introdução à Produção em Audiovisual. 

16h às 18h – Casa Ativa

Seminário “O cineclube é nosso”

18h – Quadra Serra Verde

Sessão de Curtas 02

“No Início do Mundo” 

“Da Janela, quem é a Namoradeira?” 

“Depois da margem”

“Ebulição”

“Pequeno Beijo Pudim” 

19h – Casa Ativa

Festa de encerramento 

Serviço

10º Festival Cine Pojichá

23 a 28 de abril 2024

Mais informações e programação: https://www.incena.org/.

Em tempo: o projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de BH, via Edital BH nas Telas – Fundo PBH 2023.

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