Teatro
Novo espetáculo da Pierrot Lunar estreia no CCBB BH em julho
Dirigido por Lydia Del Picchia, espetáculo investiga tempo, memória e reinvenção após os 50 anos.
Foto: Guto Muniz
Teatro
Dirigido por Lydia Del Picchia, espetáculo investiga tempo, memória e reinvenção após os 50 anos.
Foto: Guto Muniz
A Cia Pierrot Lunar estreia o espetáculo “Eu Quero ser Uma Locomotiva” no dia 3 de julho, sexta-feira, no CCBB BH. A temporada segue até 27 de julho, no Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte, sempre de sexta a segunda-feira, às 20h.
Com direção de Lydia Del Picchia, do Grupo Galpão, e dramaturgia coletiva, a peça aborda a relação com o tempo, o desejo e a capacidade humana de se reinventar após os 50 anos. Além disso, investiga as memórias e escolhas de uma geração que viveu a transição do mundo analógico para a era dos algoritmos.
No palco, a trama acompanha dois algoritmos pré-históricos do futuro que envelhecem em uma cápsula à deriva. O espaço funciona como um mausoléu digital orbitando os escombros da memória. A montagem propõe uma arqueologia visual e sonora, em que som e imagem caminham juntos para refletir sobre a passagem do tempo.
Segundo a atriz e fundadora da companhia, Neise Neves, a obra lança um olhar sensível sobre a restauração e a reinvenção. “Nós percorremos uma trajetória que vai de um tempo ao outro com profundas mudanças no percurso. Passamos pelo carro sem cinto de segurança, pela fita cassete, e de repente tivemos que aprender a deixar fotos na nuvem. O espetáculo busca entender o que será o percurso a partir de agora”, explica Neise. “Mais do que falar diretamente de envelhecimento, queremos falar do percurso a partir de agora. As personagens tentam burlar o tempo, achando uma maneira de deixar algo que comprove que estiveram ali”.
A escolha do tema surgiu quando os atores completaram 50 anos e sentiram o desejo de falar de seus contemporâneos. Outra inspiração foi a canção “Quero Ser Locomotiva”, de Jorge Mautner, que trata de transformação e liberdade.
“Queríamos falar da nossa geração. Nós, com um pouco mais ou um pouco menos de 50 anos de vida, passamos por essa transformação. O espetáculo busca trazer tudo isso não como uma coleção nostálgica do passado em detrimento do presente, mas sim em busca do que será o amanhã. Fomos nos inspirando em pessoas que admiramos, em situações vividas por nós e por indivíduos próximos, mas também de olho no contexto político, histórico, tecnológico e social que atravessa essa geração 50+”, comenta o ator Léo Quintão.
Para Lydia Del Picchia, o teatro humaniza essa discussão. “o teatro é o lugar da imaginação, da criação de mundos, e exige de nós uma observação aguda do outro e de nós mesmos, uma espécie de empatia compulsória”, afirma. “Nossa locomotiva está numa encruzilhada onde é possível olhar para trás sem nostalgia, e para frente com a perspectiva de quem é dono dos próprios desejos. Não é uma peça sobre idade, é sobre viver”, afirma.
A dramaturgia foi construída coletivamente por Ana Regis, Arthur Barbosa, Jô Hallack, Lydia Del Picchia e Márcia Bechara. Já a cenografia de Ed Andrade reúne objetos garimpados em Belo Horizonte, como telefones, mimeógrafo, máquina de escrever e orelhão. A direção musical e a trilha original são de Luiz Rocha, que manipula esses elementos em tempo real.
Eu quero ser uma locomotiva
Temporada: 3 a 27 de julho de 2026, sexta a segunda-feira, às 20h
Local: CCBB BH – Teatro I
Classificação indicativa: 12 anos.
Duração: 70 minutos.
Sessões com intérprete de Libras: 11 e 25 de julho.
Bate-papo após o espetáculo: 06 de julho e 24 de julho (Atividade gratuita).
Ingressos para os espetáculos no site CCBB BH e na bilheteria do CCBB BH, a R$30 e R$15 (meia-entrada).
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 24/06/26