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Palácio das Artes 50 anos: conheça histórias e curiosidades sobre o espaço

Casa da Fundação Clóvis Salgado completa 50 anos. Conheça um pouco da história e de memórias do local

Por Thiago Fonseca *

03/03/2020 às 10:13 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Helio Ferreira / ARQBH / Divulgação

O socorro à Agnaldo Timóteo, as semanas ao lado de Fernando Torres – esposo de Fernanda Montenegro – o incêndio no Grande Teatro e dezenas de visitas ilustres. Antônio Carlos de Oliveira, o famoso Pelé, gestor de contrato de manutenção do Palácio das Artes, jamais esquecerá cada um desses momentos. Hoje, com 65 anos, esta há 23 anos na instituição. O Palácio completa 50 anos em 2020. Apesar do teatro ter sido inaugurado em 1971, as atividades culturais no espaço começaram antes da obra pronta. A Grande Galeria foi inaugurada, por exemplo, em 30 de janeiro de 1970. Por isso, aguarde uma programação especial por lá. O ano será de muita comemoração.

A ideia foi do então Prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitscheck e levou 30 anos para se concretizar. O espaço é sede oficial da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia. de Dança Palácio das Artes, além de abrigar o Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART), ambos equipamentos da Fundação Clóvis Salgado. 

O espaço nasceu de uma encomenda de JK à Oscar Niemeyer, que queria um Centro Cultural integrado a um parque, no centro da cidade. Sendo assim, o projeto arquitetônico foi feito de modo que a frente do grande teatro desse frente para o calçadão que liga o espaço ao Parque Municipal. Para a inauguração do Grande Teatro, em 1971, a apresentação ficou à cargo da orquestra nacional e o canto Coral Rio, que apresentaram a peça Messias de Handel.

Bastidores

Palco de grandes atrações, apresentações e formação, o espaço, também é encontro de muitas histórias e curiosidades. Reunimos aqui lembranças de colaboradores antigos da fundação. Sendo assim, além de muitas histórias para contar, eles tem em comum uma vida de dedicação à arte e aos artistas.

“Medi a pressão do Agnaldo quando ele passou mal em uma apresentação no Grande Teatro. Sendo assim, fiquei do lado durante todo o show. Já  fui acompanhante de autoridades, como por exemplo, o ex-presidente Lula. São muitas histórias”, relembra Pelé. A que mais marcou ele, no entanto, é um episódio triste na história do Grande Teatro. Foi o incêndio que praticamente o destruiu em 7 de abril de 1997.

“Tinha acabado de entrar para a instituição, estávamos em um treinamento de incêndio em um outro local e logo fomos acionados para ajudar no combate às chamas. De um contrato de nove meses, estou aqui até hoje. Sou um dos primeiros funcionários a chegar no Palácio. Ligo os alarmes de incêndio e o ar-condicionado. O lugar que mais gosto é a casa de incêndio. Amo trabalhar aqui. Como a arte é capaz de transformar as pessoas. Falo: quando acabar meu tesão e vou embora”, conta.

 

Incêndio destruiu o Grande Teatro do Palácio das artes em 1997 – Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

Memórias Vivas

Dos 58 anos, da bailarina, assistente de direção e ensaiadora, Sônia Pedroso, 36 foram dedicados ao Palácio das Artes. Entrou para a Cia. de Dança aos 22 anos e cresceu com ela. “Quando comecei a estrutura era precária e foi mudando. O que mais me marca é ver a mudança da companhia, que começou como clássica, passou para a neoclássica, depois contemporâneo e hoje é de pesquisa. Um dos trabalhos que mais me marcou foi Coreografia de Cordel, em 2004. Viajamos para o vale do Jequitinhonha e pesquisamos. O trabalho com o professor Carlos Leite, igualmente, me tocou muito. Já dancei muito, cantei, tive figurino descosturado minutos antes da cena. São muitas lembranças”, conta.

A Companhia de Dança é o corpo artístico mais antigo do Palácio. Foi fundada em 1971, junto com a inauguração no mesmo ano da inauguração. Atualmente é composta por 16 bailarinos, dirigidos por Cristiano Reis, que ensaiam seis horas por dia, durante cinco dias da semana. Montagens do grupo já percorreram países como por exemplo Cuba, França, Itália, Palestina, Jordânia, Líbano e Portugal. A Companhia se difere das outras por ser de pesquisa e por colocar o bailarino como protagonista e criador. Para se tornar membro, é preciso fazer concurso. Cada integrante recebe salário e é um funcionário do estado, assim como nos outros grupos da Fundação.

Um história construída no gogó

Marta Nichthauser é uma dos 55 integrantes do Coral Lírico de Minas Gerais. Há 30 anos integra o grupo, que foi fundado em 1979. Com tantas memórias e história que construiu ao lado do coral, a coralista recorda dos momentos de alegria e apresentações que marcaram a alma. “Lembro que quando fomos montar a ópera o Guarani pela primeira vez. Estávamos todos pintados de marrom e ninguém sabia quem era quem. As frutas do cenário eram de verdade e a gente comia tudo, até que substituíram para de plástico”, relembra. Ela que já participou de mais de 50 óperas afirma que a apresentação que mais marcou a vida foi para surdos na sala Juvenal Dias. “Eles sentiam as vibrações. Dessa forma, na segunda música o coral estava todo chorando”, conta.

Coral Lírico de Minas Gerais é o único coral profissional de Minas Gerais e um dos poucos do país. Nesses 41 anos já recebeu até o título de Patrimônio Histórico e Cultural do Estado, em janeiro de 2019. Interpreta repertório diversificado, incluindo motetos, óperas, oratórios e concertos sinfônico-corais. Além de integrar as temporadas de óperas da FCS, participa das séries Lírico ao Meio-dia, Lírico em Concerto, Lírico Sacro e Sarau Lírico. No coral os ensaios são diários. Três horas de dedicação. Em síntese, a rapidez em para aprender as músicas é o que marca o grupo. Segundo Marta, tem vez que os coralistas pegam a letra da canção horas antes da apresentação.

 

Ópera La Traviata: montagens são marcas registradas da Fundação que já realizou 85 –  Foto: Paulo Lacerda / Divulgação

Grandes apresentações

Sendo o mais importante palco de Minas Gerais, o Grande Teatro já recebeu inúmeros artistas. Passaram por lá, por exemplo, o bailarino Mikhail Baryshnikov, o escritor português José Saramago, o argentino Astor Piazzola, os cantores do grupo português Madredeus. Na entrada reservada aos artistas para o Grande Teatro, há placas marcando as presenças ilustres. Tem registro de Paulo Autran, Paulo Gracindo, do bailarino espanhol e virtuose do flamenco Antonio Gades, dos balés russos Kirov e Bolshoi, do pianista Nelson Freire, da Orquestra Filarmônica de Nova York, sob regência do maestro Zubin Mehta, da cantora lírica Maria Lúcia Godoy e dos bailarinos Lúcia Tristão e Alexander Filipov.

Também já se apresentaram no Palácio os principais nomes da música brasileira. A lista é grande: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Elis Regina, com Transversal do Tempo e Trem Azul, Tom Jobim, Milton Nascimento e muitos outros.

Técnica e estrutura

Em resumo, o Palácio das Artes é o maior centro de produção, formação e difusão cultural de Minas Gerais e um dos maiores da América Latina. Ocupa uma área 18.000 m² dentro do Parque Municipal Américo Renné Giannetti. O palco tem 20 metros de profundidade, sete de altura e um fosso para 80 músicos. Acústica é sempre elogiada. A boca de cena, de um lado a outro, tem 18 metros. Sendo assim, muitas companhias que rodam o Brasil com espetáculos, quando chegam no Grande Teatro, têm que se adaptar para cobrir tanto espaço. O palco ainda conta com elevadores cênicos. O teatro foi pensado para receber óperas. Sendo assim, a Fundação Clóvis salgado é referência neste tipo de montagem.

Produção Independente

Todo o figurino e cenário utilizados em óperas, concertos e apresentações são feitos exclusivamente pela Fundação. Tudo pelo Centro Técnico de Produção do Palácio das Artes. Boa parte do acervo e da produção fica em um galpão em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a outra no Palácio. Há figurinos que vestiram artistas de várias épocas. Todos são guardados com muito cuidado, pois algumas peças nem podem ser tocadas. Acervo de milhares de figurinos das 85 óperas já executadas pela Fundação.

 

Construção Grande Teatro na década de 1970 – Foto: Acervo Fundação Clóvis Salgado / Divulgação

 

Componentes

Além da  Companhia de Dança, do Coral, abriga a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, fundada em 1976, e por fim, o Centro de Formação Artística e Tecnológica (CEFART), com cursos básicos e profissionalizantes de música, dança e teatro, iniciou suas atividades em 1986.

A Fundação Clóvis Salgado abriga o Grande Teatro, a Sala Juvenal Dias, o Teatro João Ceschiatti, o Cine Humberto Mauro, a Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, a Galeria Genesco Murta, a Galeria Arlinda Corrêa Lima, o Espaço Mari’Stella Tristão, uma biblioteca, o Centro de Informação e Pesquisa João Etienne Filho, a Hemeroteca e a Musicoteca. Além desses espaços, existem os jardins internos do palácio e o Foyer do Grande Teatro – onde estão localizados o café, e por fim, a Livraria Usina das Letras.

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