Oito vozes que movem o Carnaval de Belo Horizonte
Artistas à frente de grandes blocos ajudam a consolidar a identidade musical da folia na capital mineira
Rafa Ventura | Foto: Ronaldo Alves
Artistas à frente de grandes blocos ajudam a consolidar a identidade musical da folia na capital mineira
Rafa Ventura | Foto: Ronaldo Alves
O Carnaval de rua de Belo Horizonte, hoje referência nacional, também funciona como vitrine para uma geração de artistas que encontrou na folia um espaço de projeção, troca e afirmação. Em meio a centenas de blocos, algumas vozes se tornaram símbolos dessa cena e ajudam a consolidar uma identidade musical própria para a festa na capital mineira. Pri Glenda, Cléo Ventura, Violeta Lara, Leopoldina, Rafa Ventura, Amandona, Canela e Amanda Coimbra formam um grupo diverso que leva para as ruas suas histórias, repertórios e perspectivas, ampliando o alcance do Carnaval como manifestação cultural contínua na cidade.
À frente do Abalô-Caxi, Rafa Ventura é um dos nomes centrais na consolidação da cena carnavalesca de Belo Horizonte. Multiartista e agitador cultural, ele acompanha a retomada dos blocos desde 2010, a partir dos encontros da Praia da Estação. Co-fundador da Corte Devassa e vocalista do Abalô-Caxi desde 2020, transformou o bloco em espaço de afirmação artística e identidade LGBTQIAPN+. “O Abalô foi um divisor de águas na minha carreira. Ele ampliou minha voz, minha presença e minha expressão artística”, afirma. Para ele, “O Carnaval é um ato político. É quando a gente ocupa a rua com arte, desejo, irreverência, e mostra que esse espaço também é nosso”.
Parceira de Rafa no bloco, Cléo Ventura soma mais de duas décadas de trajetória musical. Ao integrar o Abalô-Caxi, encontrou no Carnaval um espaço de protagonismo e visibilidade como voz negra feminina. Também participa de blocos como Salada de Frutas e Então Brilha, além de manter carreira autoral. Em 2025, lançou o álbum “Sonho de Verão”. “O Carnaval me entregou um palco de protagonismo que eu nunca tive em outros espaços”, diz. “Quando eu subo no trio, eu carrego comigo histórias de mulheres negras que sempre cantaram, mas nem sempre foram ouvidas. Ser essa voz é o que me move”.
Integrante do Juventude Bronzeada desde 2014, Violeta Lara ajudou a construir a identidade do bloco como um dos símbolos do Carnaval de BH. O cortejo passou a contar com um naipe vocal inteiramente feminino, do qual ela faz parte. Além disso, atua em blocos como Cilada e Judia de Mim. “Ser uma dessas vozes é levar minha música pra rua e ver que ela volta pra mim multiplicada em milhares de outras vozes”, afirma.
Leopoldina também integra o Juventude Bronzeada desde 2008. Com mais de 23 anos de carreira, participou de diferentes fases da folia na cidade e lançou três discos, além de uma gravação com a Orquestra Ouro Preto. “A música do Carnaval de BH é celebração, mas também é lugar de questionamento e reflexão”, diz.
Pri Glenda, por sua vez, encontrou no Carnaval um impulso decisivo para a carreira iniciada em 2009. Integrante do Juventude Bronzeada desde 2014, criou o Bloco da Pri e também atua no É o Amô. “O Carnaval me deu uma visibilidade que eu nunca tinha imaginado”, afirma. “Nada no Carnaval se faz sozinho. Cada música, cada cortejo, é o resultado de muitas mãos”.
Amandona atua há mais de 15 anos na música e se tornou vocalista do Abalô-Caxi, além de integrar outros cortejos. Em 2026, desfila pela segunda vez com seu próprio bloco, com o tema “Sapatão Sem Fronteiras”. “A maior parte do Carnaval de rua de BH já é LGBT-friendly, mas sinto que é uma missão minha trazer essas questões de forma leve e divertida”, afirma.
À frente do Tchanzinho Zona Norte, Canela soma música, composição e atuação. Desde 2021, lançou trabalhos autorais e se tornou vocalista fixa do bloco, assinando temas como “Me Encontra na Rua” e “Mina de Rolê”. Para ela, o Carnaval é construído ao longo de todo o ano e fortalece a relação com a cidade.
Já Amanda Coimbra lidera o Lavô, Tá Novo! desde 2017. Cantora, atriz e preparadora vocal, articula criação artística, pesquisa da voz e produção cultural. Além do próprio bloco, atua na produção e no apoio vocal de outros projetos da cena carnavalesca.
Desfiles dos Blocos:
Bloco da Amandona
Data: 8 de fevereiro (domingo)Horário: 8h
Local: Av. Brasil esquina com a rua Sergipe (rua Sergipe, 939)
Mais informações: Instagram @blocodaamandona
Bloco Tchanzinho Zona Norte
Data: Sábado, dia 14 de fevereiro
Horário: 8h
Local: Via das Artes da Andradas (Av. Andradas, 3560)
Mais informações: Instagram @tchanzinhozn
Bloco Abalô-Caxi 2026 – “Festa no Vale!”
Data: Domingo, 15 de fevereiro
Horário: 8h
Local de saída: Av. Amazonas, 547, Centro (próximo a Praça Sete).
Mais informações: Instagram @abalocaxi
Bloco Juventude Bronzeada
Data: Terça-feira, dia 17 de fevereiro
Horário: 9h
Local: Avenida Assis Chateaubriand, 127 – Floresta
Mais informações: Instagram @juventudebronzeada
Bloco Lavô, Tá Novo!
Data: Terça-feira, dia 17 de fevereiro
Horário: 14h
Local: Via das Artes da Andradas (Av. Andradas, 3560)
Mais informações: Instagram @blocolavotanovo
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 04/02/26