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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

O som do silêncio: as impressões sobre uma das promessas da temporada de prêmios

Filme dirigido por Darius Marder narra a jornada de um baterista de metal que está ficando surdo

Por Carol Braga

09/12/2020 às 16:44

Publicidade - Portal UAI
O som do silêncio está disponível na Amazon Prime Video. Foto: Amazon Prime Video/Divulgação.

Tem uma pérola disponível na Amazon Prime Video. Desculpe começar logo com um adjetivo assim, mas não consigo pensar em outra coisa para falar sobre O som do silêncio, filme que marca a estreia na direção de ficção de Darius Marder. É a história do baterista Ruben (papel de Riz Ahmed) que tem um duo de metal com a namorada Lou (Olivia Cooke). No meio de uma turnê ele percebe que está ficando surdo. 

A partir deste momento, o longa cujo roteiro é assinado por Darius em parceria com  Abraham Marder e Derek Cianfrance, se transforma em uma jornada de autoconhecimento e auto aceitação. É impossível não sentir empatia pelo que Ruben enfrenta. Os olhos esbugalhados, a revolta e a tristeza no fundo contaminam o espectador que parece posto em um lugar de cúmplice. É isso! 

Ruben e Lou

Boa parte desse resultado se deve ao trabalho de interpretação de Riz Ahmed. Filmes como O Abutre e Rogue One tem o nome dele na ficha técnica mas eu confesso não me lembrar. Sinal de que o trabalho mais marcante da carreira é mesmo como Ruben. O longa começa com uma cena dele na bateria. Som alto. Na manhã seguinte somos apresentados ao trailer em que ele vive com Lou. 

É uma sequência de atos cotidianos que seriam banais se não estivessem ali para ressaltar como o ruído faz parte da nossa vida. Tem coisas óbvias como o barulho do liquidificador e outras delicadíssimas como a gota de café, a respiração e o jazz. Ah o jazz! Nessa mesma sucessão de cenas o diretor deixa claro o amor e a devoção que Ruben sente por Lou. Eles dançam e ali já se vê a química entre os atores. Tudo construído com gesto e som. Sem palavras.

Quietude

Mas O som do silêncio não fala só de amor ao próximo (a relação deles é linda linda). Talvez faz refletir, por exemplo, sobre amor próprio, o que inclui ter sabedoria para aceitar certas condições, inclusive a quietude. É essa a jornada de Ruben. 

A surdez apresenta ao protagonista um novo mundo e, claro, a necessidade de novos aprendizados. Se expressar é um deles. O processo de transformação se dá em uma comunidade no interior dos Estados Unidos. Mas Ruben não perde a esperança. É aí que entra o equívoco da tradução do nome do filme para o português. 

Em inglês é Sound of Metal, o que seria, na tradução literal, Som do metal. Serve como referência tanto ao gênero musical que o personagem toca com Lou, como também ao que vou chamar aqui de “robotização do mundo”. 

 

Riz Ahmed e Olivia Cook em O som do silêncio. Foto: Amazon Prime Video/Divulgação.

Os sons

Além da qualidade das interpretações (a jovem Olivia Cooke hipnotiza a gente!) e do roteiro, o diferencial de O som do silêncio é mesmo a maneira como o áudio é trabalhado no filme. Dessa maneira, todo barulho é dramaturgia. Se há um roteiro tradicional com as palavras, a impressão é de que houve um minucioso script para o som. A mixagem foi feita no estúdio do diretor mexicano Carlos Reygadas por Jaime Baksht e Michelle Couttolenc, que também cuidaram do som de O labirinto do Fauno, do diretor Guillermo del Toro. Em resumo, foram dez semanas de trabalho. 

Temporada de prêmios

O som do silêncio já aparece em diversas listas de previsões das temporadas de prêmios. Sendo assim, no início de novembro, a Amazon Studios confirmou que vai pegar pesado para conseguir uma indicação de melhor atriz coadjuvante para Olivia Cooke. Ela, assim como Riz Ahmed, tem performance para isso. Ou seja, eu já estou na torcida.

 

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