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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Museus para todos: cinco pontos sobre as tendências da área

Pesquisa realizada pelo Oi Futuro em parceria com Consumoteca revela tendências relacionadas a percepção dos museus pelos brasileiros

Por Carol Braga

23/05/2019 às 16:29

Publicidade - Portal UAI
Apresentação da pesquisa 'Narrativas para o futuro dos museus'. Foto: Cristina Lacerda/Divulgação

Rio de Janeiro – Qual a percepção que o brasileiro tem sobre museus? Essa foi uma das perguntas que nortearam a pesquisa ‘Narrativas para o futuro dos museus’, encomendada pelo Oi Futuro e feita em parceria pela Consumoteca. Os resultados, apresentados em evento no Rio de Janeiro, confirmam impressões que sempre tivemos sobre o consumo de arte e cultura, mas que sempre foram difíceis encarar.

A primeira delas: infelizmente não existe esse hábito entre os brasileiros. E precisamos criar pois, como bem pontuou a historiadora Marília Bonas, “museus são instrumentos contra a barbárie”. Vale ampliar: a cultura é instrumento contra a barbárie.

No caso dos museus, os dados confirmaram que, para quem ainda não naturalizou a relação com estes espaços eles, em geral, ainda são atrelados a um tipo de conhecimento “chato”. E mais: não são locais onde se pode frequentar em turma e, além disso, não tem novidades. Em resumo: “Museu é de história e de guardar o antigo”, como revelou a pesquisa.

Ou seja, a maior contribuição que os dados oferecem é um alerta vermelho de que é preciso mudar urgentemente as relações construídas até então. Não apenas das pessoas com os museus, mas com a arte e a cultura de uma maneira geral.

O gerente de cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães, sabe disso. Apesar de ter noção do tamanho do desafio, faz questão de ressaltar que as pesquisas normalmente respondem perguntas. As ações são outros quinhentos. “Nunca se falou tanto em empatia. Pesquisa é isso: querer saber o que o outro quer”, afirmou.

A pesquisa

O estudo foi realizado no segundo semestre de 2018. Ou seja, na época do incêndio do Museu Nacional o que certamente impactou o resultado. Foram ouvidas 600 pessoas, de todas as classes sociais, de todas as regiões do Brasil. Essa foi a parte quantitativa. A pesquisa qualitativa foi com grupos focais realizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belém. De acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Brasil tem hoje 3.793 museus.

Ficou claro que os museus precisam mudar. E mais: a chave dessa mudança passa por pensar ações que misturem história, acervo, com experiências. É preciso estabelecer uma relação diferente com o público. Há um sinal de que a tecnologia pode ajudar nisso, já que 56% dos entrevistados acreditam que tais ferramentas combinam com museus. Mas será que isso resolveria o problema? Parece que não. Confira a seguir algumas reflexões despertadas pela pesquisa.

 

Apresentação da pesquisa ‘Narrativas para o futuro dos museus’. Foto: Cristina Lacerda/Divulgação

 

1 – A relação com a escola

“É importante desescolarizar os museus. Essa coisa de provinha é terrível”, disse Mário Chagas, diretor do Museu da República. Eis aqui um ponto chave. Para 55% dos entrevistados a primeira experiência com museu foi no período escolar. Claro que é legal a escola promover isso, mas volte no tempo aí. Lembra que a excursão era aquele momento de quebra na rotina que sempre vinha acompanhado de uma avaliação? Você tinha que fazer uma prova, um trabalho e, muitas vezes, estabelecia mais uma relação de obrigação com o espaço do que de curiosidade. Se isso se dá na infância, fica o registro. “Essa maneira de estar em um museu condiciona a relação que vamos ter a vida toda”, observou o antropólogo responsável pela pesquisa Michel Alcofarado.

Sendo assim, de acordo coma pesquisa, se na infância a ida ao museu representava uma ruptura na rotina, na vida adulta é a mesma coisa. Ir a museu faz parte da viagem de férias. Tanto é assim que para 51% dos entrevistados, museus são atrações turísticas.

 

Confira a lista de eventos recomendados pelo Culturadoria

 

2 – “Tá visto”

A forma como as escolas obrigam os alunos a se relacionar com os museus não cria hábito e gera um comportamento curioso na vida adulta. Em síntese: a pesquisa detectou o “Tá visto”. De acordo com a pesquisa, 50% dos entrevistados afirmam que museus são lugares para se visitar uma vez só e apenas 32% dizem que é uma experiência que desperta vontade de repetir. Ou seja, a figura vai no museu uma vez na vida e acha que nunca mais precisa voltar. Esse comportamento é repetido pelos brasileiros inclusive no exterior. É como se fizesse um check list: fui ao Louvre, pronto, tá visto.

Segundo a pesquisa, o que poderia contribuir para diminuir essa ideia do “Tá visto” é transformar os museus em lugares para se frequentar, independente do acervo. Sendo assim, ter cafés, restaurantes, internet e outras coisas para fazer lá pode contribuir.

 

3- A busca por experiências inéditas

É justamente a busca pelo novo que tem feito os Centros Culturais e as galerias chamarem mais atenção do que os museus. Afinal de contas, vivemos tempos efêmeros ou líquidos, como disse Bauman. A pesquisa revelou que por apostar justamente na multifuncionalidade os Centros Culturais são percebidos como mais modernos e surpreendentes. Além do mais, estes espaços geralmente têm teatro, cinema, cafeteria e essas outras coisas apontadas como importantes para atrair frequentadores. Sim, estamos falando de entretenimento e os museus precisam perder preconceito em relação a isso.

 

Apresentação da pesquisa ‘Narrativas para o futuro dos museus’. Foto: Cristina Lacerda/Divulgação

 

4 – Museu é quadro?

Pelo menos foi essa a percepção revelada com a resposta dos não frequentadores. Sendo assim, é natural que essas pessoas não considerem uma visita como opção de lazer. Para 61% dos não frequentadores, a casa dos amigos é a melhor alternativa para diversão seguida de shopping (48%) e depois cinema (47%). De acordo com a análise da pesquisa, os dados revelam a preferência por programas coletivos. “Museu não é lugar pra ver a galera porque tem que ficar em silêncio. Você vai, olha e lê, não é divertido”, respondeu o Marcos, de 45 anos de Belém. Já para quem tem o hábito, museu é um espaço em que a arte assume vários suportes.

O desafio de quem trabalha com museologia é transferir a lógica da contemplação para a participação. Em teoria isso é muito legal, mas, na prática, além de demandar investimento, requer também a mudança da mentalidade de quem hoje pensa as experiências no museu. Ou seja, os profissionais precisam entender as transformações e encarar o desafio. Oferecer experiências inéditas em museus, se desprender da ideia de mediação dá muito mais trabalho. E ai?

 

5 – Museu x Cinema

Quando a pesquisa perguntou onde as pessoas vão aos finais de semana, mesmo quem já construiu uma relação de hábito com os museus não colocam estes locais como prioridade. Entre os frequentadores, por exemplo, a principal opção de entretenimento é cinema (77%), seguido de restaurante (64%). Bem, não deixam de ser opções que de fato possibilitam – e até incentivam – o consumo em grupo. Além disso, oferecem experiências sensitivas e até emocionais. E mais: para todos os público e não apenas para a elite. Pois é, a pesquisa também detectou isso. Para 58% dos respondentes, museus são elitizados e pouco visitados.

De uma maneira geral, a pesquisa alerta para o fato dos museus precisarem flexibilizar mais o lugar histórico de “guardião de acervo” para atender novos desejos do público.

 

Clique aqui para baixar a pesquisa completa

 

Culturadoria viajou ao Rio de Janeiro a convite do Oi Futuro

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