Juliana Matsumura estreia individual “Rio-Correnteza” em BH
Mitre Galeria inaugura mostra da artista no dia 30 de outubro, com obras que atravessam memória, ancestralidade e território.
Foto: Juliana Matsumura
Mitre Galeria inaugura mostra da artista no dia 30 de outubro, com obras que atravessam memória, ancestralidade e território.
Foto: Juliana Matsumura
A Mitre Galeria inaugura, no dia 30 de outubro, às 19h, a exposição “Rio-Correnteza”, primeira individual de Juliana Matsumura no Brasil. A mostra, com entrada gratuita, segue em cartaz até 10 de janeiro de 2026, reunindo obras que exploram os vínculos entre memória, ancestralidade, diáspora e pertencimento.
Parte das peças foi desenvolvida durante a residência artística Xakra, na Serra da Moeda, em Brumadinho (MG). O espaço, conduzido por Benedikt Wiertz e Joseane Jorge, promove trocas entre artistas e comunidades locais, unindo cerâmica e culinária em processos colaborativos. Nesse contexto, Juliana aprofunda sua pesquisa com materiais como cerâmica e madeira, em obras que mesclam gesto, matéria e memória.
A artista utiliza papel, argila, gesso, juta, madeira, tijolo e metal, evocando os cinco elementos taoístas — metal, fogo, água, terra e madeira. Essas escolhas refletem o diálogo entre natureza, corpo e tempo, em obras que revelam o que permanece e o que se transforma. O papel carbono, presente em várias peças, carrega a ideia de inscrição e transferência, como uma memória impressa de gestos e passagens.
O percurso de Matsumura parte da investigação sobre o Butsudan — altar doméstico da tradição japonesa dedicado aos ancestrais — e se expande para outras geografias. Ao revisitar a história materna ligada ao sertão baiano, a artista cria uma cartografia da ancestralidade que conecta culturas, tempos e afetos. Referências como algodão, mamão, caqui e a arquitetura das casas das avós surgem como fragmentos de pertencimento em constante construção.
Em “Rio-Correnteza”, as obras se movem como a água — fluidas, resilientes e em transformação. Cada peça é parte de um mesmo fluxo, que atravessa corpo, tempo e memória, reafirmando o caráter vital das histórias que moldam a identidade.
Juliana Matsumura é artista visual e pesquisadora. Sua produção transita entre pintura, escultura e instalação, explorando o gesto manual como prática ritual. Participou de mostras no Brasil e no exterior, com obras que investigam a relação entre corpo e território.
Exposição: Rio-Correnteza – Juliana Matsumura.
Abertura: 30 de outubro, às 19h.
Período: 31 de outubro a 10 de janeiro de 2026.
Local: Mitre Galeria – Rua Tenente Brito Melo, 1217, Belo Horizonte.
Visitação: Terça a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 16h.
Entrada gratuita.
Publicado por Beatriz Foscolo
Publicado em 27/10/25