Oportunidades na Cultura
Marlene Barros ocupa CCBB BH no Mês da Mulher
Exposição reúne 13 obras em bordado, crochê e escultura e propõe reflexão sobre invisibilização histórica das mulheres na arte
Foto: Larissa Micenas
Oportunidades na Cultura
Exposição reúne 13 obras em bordado, crochê e escultura e propõe reflexão sobre invisibilização histórica das mulheres na arte
Foto: Larissa Micenas
O Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH) abre o Mês da Mulher com a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”. Em cartaz de 4 de março a 1º de junho, a mostra ocupa as galerias do térreo, de quarta a segunda, das 10h às 22h. Os ingressos são gratuitos pelo site CCBB-BH ou na bilheteria.
A exposição reúne 13 obras em escultura, crochê e bordado. A artista maranhense transforma o gesto de costurar em ato político e poético. O corpo feminino, a desvalorização histórica das mulheres e a invisibilização de seus fazeres na arte atravessam o percurso.
Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra parte de uma reflexão sobre o apagamento da arte feminina. “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis. Restrito ao espaço doméstico e marcado pela desvalorização histórica, o trabalho das mulheres foi frequentemente relegado à condição de artesanato, visto como menor e privado. Por isso, neste projeto, agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia e elaboração simbólica: cada ponto carrega um grito contido, uma história que resiste ao esquecimento”, explica Marlene Barros.
A pesquisa que originou a mostra começou no mestrado em Arte Contemporânea na Universidade de Aveiro, em Portugal. “A proposta era costurar uma casa em ruínas, situada dentro do campus Santiago, que chamava minha atenção sempre que eu passava por lá”. A casa tornou-se metáfora do corpo. “A minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados, principalmente, ao universo feminino”, afirma.
Ao longo do percurso, o público encontra trabalhos que questionam padrões normativos e a coisificação do corpo feminino. A artista provoca: até que ponto o fato de possuir útero e vagina foi usado como justificativa para exclusão no campo das artes? “Eu fui escolhida para falar sobre o feminino. Nunca nem pensei em falar sobre outra coisa”, declara.
Entre os destaques está “Eu tenho a tua cara”, instalação com 49 rostos de mulheres com olhos e bocas trocados e costurados. Já “Caixa Preta” reúne fotografias, colagens e intervenções têxteis em um autorretrato expandido.
Em “Coso porque está roto”, um casaco revela órgãos bordados que representam sentimentos. “Entre nós” propõe imersão em objetos de crochê ligados ao fazer doméstico. Por fim, “Quem pariu, que embale” questiona a atribuição quase exclusiva do cuidado dos filhos às mulheres.
A montagem, coordenada por Fábio Nunes, não segue ordem cronológica. O percurso é livre. “Ao recuperar técnicas têxteis como formas de expressão estética, crítica e política, a exposição contribui para a ampliação das linguagens artísticas legitimadas no espaço institucional”, afirma Marlene.
“A arte tem um papel fundamental porque cria espaços de escuta, questionamento e deslocamento de perspectivas. Ao mobilizar emoções, ela rompe a indiferença”, diz. “Um espaço onde as feridas sociais podem ser expostas, discutidas e simbolicamente reparadas”, diz.
A programação inclui ações formativas abertas ao público. Durante todo o período expositivo, um espaço/ateliê convida visitantes a bordar, costurar ou crochetar de forma espontânea.
No dia 7 de março, das 15h às 17h, será realizada visita mediada com Marlene Barros e Betânia Pinheiro. Em 8 de março, das 16h às 18h, a curadora coordena a palestra “Tecitura do Feminino: Processos”.
A oficina “Arpilleras de si”, ministrada por Maria Vasconcelos, propõe criação e escuta por meio da arpilharia e do bordado livre. A atividade ocorre de 11 a 14 de março, de 15 a 17 de abril e de 11 a 15 de maio, sempre das 14h às 17h. Ao final, o processo coletivo resultará em obra-instalação integrada à exposição.
Exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino”
Data: 4 de março a 1º de junho de 2026
Local: Galerias do Térreo – Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários – BH/MG
Funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 22h
Ingressos gratuitos no site e na bilheteria
Visita guiada: 7 de março, das 15h às 17h
Palestra “Tecitura do Feminino: Processos”: 8 de março, das 16h às 18h
Oficina “Arpilleras de si”: 11 a 14 de março; 15 a 17 de abril; 11 a 15 de maio, das 14h às 17h.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 26/02/26