Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Malcolm & Marie: uma DR sem fim, até com os críticos de cinema

Zendaya e John David Washington interpretam casal que briga em casa no novo filme do diretor Sam Levinson, disponível na Netflix.
Por Carol Braga
Cena de Malcolm e Marie. Foto: Netflix/Divulgação
Cena de Malcolm e Marie. Foto: Netflix/Divulgação

A melhor definição de Malcolm & Marie está em um comentário no Letterboxd, espaço na internet para quem gosta de cinema. “Se História de um casamento fosse uma propaganda da Calvin Klein”, publicou uma usuária de nome Tara. Na mosca para definir o novo filme dirigido por Sam Levinson, o criador de Euphoria, com Zendaya e John David Washington. Malcolm & Marie está na Netflix.

O longa tem sido divulgado como um dos poucos que foram feitos durante a pandemia. O formato não esconde isso. É a história de um cineasta e sua namorada, Malcolm e Marie, que chegam em casa após a noite de estreia do filme dele. Sim, é uma DR infinita, acompanhada de uma bela trilha sonora, com interessantes movimentos de câmera e uma fotografia em preto e branco. Pronto, resumi.

Mágoas

Só que como todo filme cujos roteiros são feitos baseados em discussão de relacionamento, o texto é cheio de desabafos e frases de efeito. Os atores estão ótimos mas não o bastante para me manter junto com eles naquelas cenas. Se Malcolm lesse isso ia passar 60 minutos me xingando. Sinto muito, caro diretor, mas a crítica de cinema que eu faço é um ponto de vista e uma impressão. Pode ser que ela revele ao criador alguns pontos que ele nem cogitou. Assim como também pode não acrescentar nada. O jogo é esse.

O cinema

Fiz essa pequena justificativa sobre o que eu acredito ser a crítica de cinema hoje – e aquela que eu gosto de fazer – porque o longa de Sam Levinson tem uma íntima relação com isso. Como cineasta vaidoso que parece ser, nos intervalos da DR com a mulher, Malcolm discute o próprio relacionamento entre realizadores e críticos. Ou melhor, ele vai além.

É divertido principalmente para quem escreve sobre cinema. Isso porque quase nunca sabemos a reação de quem recebe um texto que escrevemos. Às vezes pode ser que despertemos fantasmas que nem o criador tinha noção de existir. Levinson mostra o eterno conflito entre críticos e criadores com muita ironia e até humor. Na perspectiva do diretor, por meio do personagem, claro, os críticos não entendem de cinema, de sua história ou mesmo do que significa representatividade ou lugar de fala. É um ponto de vista.

Silêncios de Zendaya

Mas Malcolm & Marie também pode ser analisado de outras maneiras. Tive a impressão de ser uma vaidade, o ego que se transforma em violência para esconder a insegurança. Eis a fórmula perfeita para os relacionamentos abusivos. Tudo isso, claro, está nas entrelinhas das discussões e mesmo nos momentos de silêncio. Aliás, estes são os melhores. Sobretudo os de Zendaya.

A parceria da jovem atriz com o diretor já rendeu ótimos resultados para a história do audiovisual. Não há dúvidas de que é um dos nomes a se prestar muita atenção.

 

Malcolm e Marie
Cena de Malcolm e Marie. Foto: Netflix/Divulgação

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