Aclamada companhia de dança Cisne Negro chega à BH com dois espetáculos inéditos
Foto: Reginaldo Azevedo
Foto: Reginaldo Azevedo
Fundindo a dança contemporânea com as artes tradicionais do Butoh e do Mamulengo, as performances da Companhia Cisne Negro acontecem nos dias 14 e 15 de abril
Por Caio Brandão | Repórter
Belo Horizonte receberá em abril, mês no qual é celebrado o Dia Internacional da Dança, uma das companhias de dança contemporânea mais longevas do Brasil. Completando 46 anos de existência, a Cisne Negro traz à capital mineira dois espetáculos inéditos.
O primeiro deles é a produção “Lampejos – uma degustação visual”. Juntando fundamentos da dança contemporânea à tradicional arte do Butoh, a coreógrafa Andressa Miyazato usa lampejos de memórias construídas em sua vida profissional e pessoal. Ela cria, assim, cenas que brincam com a ideia de temporalidade e com o conceito de linearidade. “Não somos nós que nos movemos cronologicamente como um ponto rígido no espaço-tempo, mas sim sob a forma da dança.” Comenta, então, Dany Bittencourt, diretora do espetáculo.
A coreografia se deu a partir de uma dinâmica singular. Sendo assim, o premiado músico Jean Jacques Lemêtre fundiu os movimentos dos dançarinos com os sons de diversos instrumentos, resultando em uma rotina firmada na sinestesia.
O segundo espetáculo é “Goitá”, formado a partir da junção da dança contemporânea com linguagem e técnicas de manipulação do teatro popular de bonecos da premiada Pia Fraus.
Dessa forma, o nome da obra é inspirado pela cidade Glória de Goitá, em Pernambuco, que é considerada a capital do mamulengo no estado.
A peça é ambientada em um mercado municipal, onde tradicionalmente são vendidos objetos de palha, artefatos de cozinha, cabaça, buchas e uma infinidade de produtos produzidos por pequenos agricultores e artesãos locais. Foi nesse tipo de local que surgiu o mamulengo, caracterizado por ser a forma popular e tradicional do teatro de bonecos no Brasil.
“Em cena, os bailarinos se utilizam de elementos do mercado e os transformam em bonecos. Panelas, vassouras, cestas e chapéus viram personagens da história”, conta, por fim, Bittencourt.
Publicado por Caio Brandão
Publicado em 10/04/23