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João Maria Matilde: novo romance da mineira Marcela Dantés

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A sensível narrativa de João Maria Matilde acompanha uma mulher que viaja além mar, para Portugal, para descobrir a verdade sobre o pai

Por Gabriel Pinheiro | Colunista de Literatura

Matilde nunca conheceu o pai. A ausência paterna marca o crescimento. Especialmente na passagem da infância para adolescência, quando o peso da falta se transforma em perguntas. Onde está o pai? Qual é o nome dele? “É muito cruel para uma criança crescer sem pai. Não que não se possa viver sem eles, claro que sim, mas àquela altura não se sabe disso”.

Perto dos quarenta anos, quando o vazio da ausência parece ter arrefecido – mas ainda está lá, latente – Matilde recebe um estranho telefonema. “Contaram-me que o tal João Maria tinha morrido havia pouco.”

Uma viagem além mar e dentro de si

João Maria Matilde, romance de Marcela Dantés, acompanha o encontro de uma filha com um pai morto. Um encontro não com o corpo, matéria, mas com o passado e com aquilo que o pai, ao morrer, deixara para trás. Um processo de descoberta das peças que, um dia, formaram a existência da personagem. Na ligação telefônica que abre o romance, Matilde é convidada a partir para o além mar. Sendo assim, vai para Portugal, para a leitura do testamento de João Maria. A presença da filha neste momento era uma exigência paterna. 

Matilde viaja, então, para a terra do pai, deixando aqui o namorado e a mãe. A mãe, Beatriz, tem o diagnóstico precoce de Alzheimer. No passado, a verdade sobre o pai nunca foi plenamente alcançada. No máximo foi dito o o primeiro nome, João. O que o tornava um João qualquer num mar de outros Joãos quaisquer. Além da explicação de que “foi um caso de uma noite”.

No presente, a verdade, vinda da mãe, em estágio avançado da doença, torna-se uma total impossibilidade. “Ela só tinha a mim, e agora eu não significava nada. Talvez seja essa a maior solidão de todas”.

As heranças familiares

Na terra paterna, Matilde, pouco a pouco, junta os cacos de uma existência terminada de forma repentina há pouco tempo. Na cidade onde o pai passara quase toda vida, ela joga breves e fugidios focos de luz numa figura que era, até então, apenas um vulto. Nesse processo, a personagem descobre muito de si, o que a assombra.

Sendo assim, o espelho é uma figura importante para a autora aqui. Ou seja, o pai passa a existir no espelho, agora que ela conhece o rosto dele por uma fotografia. Matilde encara João Maria no reflexo, nos traços herdados de uma filha. Traços aqui, mais que físicos, mas também comportamentais e psicológicos: “Essa herança indigesta que eu carrego, não sem esforço”.

Marcela Dantés constrói em João Maria Matilde uma sensível observação sobre as heranças familiares que carregamos. Um tema que parece inesgotável, repleto de camadas de reconhecimento entre leitor e personagens. Mais do que uma viagem para a descoberta de uma figura paterna, esta é uma jornada de autoconhecimento, de uma mulher que busca a si mesma no passado daqueles que a geraram.

Marcela desenvolve, ainda, uma cuidadosa discussão sobre saúde mental, sobre os laços hereditários e os traumas que definem uma existência. 

Novo selo da Editora Autêntica e clube de assinatura

João Maria Matilde é o primeiro lançamento nacional do novo selo da Editora Autêntica, o Autêntica Contemporânea. Foi enviado primeiramente para os assinantes do clube Histórias Extraordinárias, da livraria Dois Pontos. Neste novo projeto, a editora coloca em foco a literatura feita hoje, com traduções de obras de sucesso em diversos países e a ficção de escritores e escritoras brasileiros.

Assim, no Histórias Irresistíveis, a Dois Pontos busca livros com histórias envolventes e emocionantes que te prendem da primeira à última linha, com o melhor da literatura nacional e estrangeira. Saiba mais sobre o clube em: https://bit.ly/3JmlgJQ  (neste mês de abril tem cupom especial – EXPERIMENTA – que dá desconto especial na primeira mensalidade do plano anual).

Capa Livro Joao Maria Matilde Autentica Contemporanea
Capa Livro Joao Maria Matilde Autentica Contemporanea

Gabriel Pinheiro é jornalista e produtor cultural, sempre gasta metade do horário de almoço lendo um livro. Instagram é @tgpgabriel (https://www.instagram.com/tgpgabriel/)

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