CinemaPelo Brasil
“João-de-Barro” estreia no Festival do Rio 2025
Único curta mineiro selecionado aborda a violência contra a mulher a partir de lenda popular e realismo mágico.
Foto: Anna Laranjeira
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Único curta mineiro selecionado aborda a violência contra a mulher a partir de lenda popular e realismo mágico.
Foto: Anna Laranjeira
Único curta-metragem mineiro selecionado para o Festival do Rio 2025, “João-de-Barro” chega à mostra unindo mito, poesia e denúncia social. O filme propõe uma reflexão profunda sobre a violência contra a mulher, um tema urgente que ainda marca a realidade brasileira.
A narrativa parte de uma lenda do interior: o pássaro João-de-Barro, ao considerar a fêmea “inadequada”, aprisiona-a no ninho, fechando a única saída. O curta ressignifica a fábula com elementos do realismo mágico, em que a própria natureza se volta contra o opressor.
Filmado no interior de Minas Gerais, “João-de-Barro” foi produzido ao longo de dez anos. O projeto contou com equipe inteiramente mineira, diversa e plural. A viabilização ocorreu por meio da lei Paulo Gustavo, através de edital da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais.
Para a co-diretora Lu Damasceno, a seleção é um marco simbólico. “João-de-Barro é um filme que nasce das entranhas de Minas. É muito simbólico que essa história, contada por uma equipe mineira, ecoe em um festival tão importante”, afirma.
O curta é assinado pela Fuskazul Filmes, em coprodução com a Cardume, que também atua na distribuição. Recebeu ainda apoio da Ponta de Anzol, Salvatore Filmes, Compasso Academia de Dança, bar do Amaro e Pousada da Sissi.
Inspirado pelos altos índices de feminicídio e pelas relações abusivas silenciadas, sobretudo em cidades do interior, o filme constrói uma experiência estética atemporal. A obra lança um olhar sensível e poético sobre uma realidade dura, abrindo espaço para o cinema como instrumento de denúncia, reflexão e transformação.
Sem oferecer respostas prontas, “João-de-Barro” propõe diálogo. A força simbólica do mito e a potência do realismo mágico reforçam o convite a repensar as estruturas sociais e a urgência de mudanças.
Em meio aos sussurros do cerrado, João conserta sua cabana de barro. Tereza reúne forças enquanto se recupera da dor.
Mais informações no site da Cardume.
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 19/09/25