Cinema
Jane Fonda salvou o Globo de Ouro! Confira o discurso na íntegra.
Atriz recebeu o prêmio Cecil B. deMille com um discurso em defesa das histórias e da diversidade
Jane Fonda no Globo de Ouro. Foto: Rich Polk/Getty Images
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Atriz recebeu o prêmio Cecil B. deMille com um discurso em defesa das histórias e da diversidade
Jane Fonda no Globo de Ouro. Foto: Rich Polk/Getty Images
A cerimônia de entrega do Globo de Ouro foi tão sem graça que é até difícil dizer algo. Que falta fizeram aquelas mesas cheias de celebridades, né. A ausência da tradicional plateia, da emoção presencial dos vencedores, fez com que a festa fosse, na maior parte do tempo, estranha e com gente esquisita. Ainda bem que Jane Fonda, a homenageada com o troféu Cecil B. deMille arrasou na presença e no discurso.
Ao invés de falar das próprias memórias, o recado de Fonda se relacionou mais com o propósito de todos os artistas que vivem de contar histórias.
“Obrigada a todos os membros da Hollywood Foreign Press Association. Estou – estou tão emocionado por receber esta honra. Obrigada.
Você sabe, somos uma comunidade de contadores de histórias, não somos? E em tempos turbulentos e de crise como estes, contar histórias sempre foi essencial.
Veja, as histórias têm uma maneira de … elas podem mudar nossos corações e nossas mentes. Elas podem nos ajudar a ver uns aos outros sob uma nova luz. Para ter empatia. Para reconhecer que, apesar de toda a nossa diversidade, somos humanos em primeiro lugar, certo?
Sabe, vi muita diversidade em minha longa vida e às vezes fui desafiada a entender algumas das pessoas que conheci.
Mas, inevitavelmente, se meu coração estiver aberto e eu olhar além da superfície, sinto afinidade.
É por isso que todos os grandes canais de percepção – Buda, Maomé, Jesus, Laotzi – todos eles falaram conosco por meio de histórias, poesia e metáfora.
Geram uma nova energia que pode nos abrir e penetrar em nossas defesas para que possamos ver e ouvir o que podemos ter medo de ver e ouvir.
Só este ano, “Nomadland” me ajudou a sentir amor pelos errantes entre nós. E “Minari” abriu meus olhos para a experiência de imigrantes lidando com as realidades da vida em uma nova terra.
E “Judas and the Black Messiah”, “Small Acts”, “US vs. Billie Holiday”, “Ma Rainey”, “One Night in Miami” e outros aprofundaram minha empatia pelo significado de ser negro.
“Ramy” me ajudou a sentir o que significa ser muçulmano americano.
“I May Destroy You” me ensinou a considerar a violência sexual de uma maneira totalmente nova.
O documentário “All In” nos lembra o quão frágil é nossa democracia e nos inspira a lutar para preservá-la.
E “A Life on Our Planet” mostra-nos o quão frágil é o nosso pequeno planeta azul e inspira-nos a salvá-lo e a nós próprios.
Mas há uma história que temos medo de ver e ouvir sobre nós mesmos neste setor. Uma história sobre quais vozes respeitamos e elevamos – e quais desligamos.
Uma história sobre quem ofereceu um lugar à mesa e quem é mantido fora das salas onde as decisões são tomadas.
Então, vamos todos nós – incluindo todos os grupos que decidem quem é contratado, o que é feito e quem ganha prêmios – vamos todos nos esforçar para expandir essa tenda. Para que todos se levantem e a história de todos tenha a chance de ser vista e ouvida.
Quer dizer, fazer isso significa simplesmente reconhecer o que é verdade. Estar em sintonia com a diversidade emergente que está acontecendo por causa de todos aqueles que marcharam e lutaram no passado e aqueles que pegaram o bastão hoje.
Afinal, a arte sempre esteve não apenas em sintonia com a história, mas também abriu caminho.
Então, sejamos líderes, ok?
Obrigada, muito obrigada.”

Publicado por Carol Braga
Publicado em 01/03/21