fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Impressões sobre ‘O Irlandês’, de Martin Scorsese

O Irlandês é o primeiro filme de Martin Scorsese para a Netflix. Tem Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci no elenco e muita pinta de Oscar.

Por Carol Braga

02/12/2019 às 09:03

Publicidade - Portal UAI
Cena de O Irlandês. Foto: Netflix/Divulgação

O Irlandês, o primeiro filme que o diretor Martin Scorsese faz para o catálogo da Netflix estreou com explosão de estrelas da crítica especializada. Isso, lógico, eleva qualquer expectativa. Então, o primeiro aviso para quem se animar a dedicar 3h29 minutos de seu tempo ao filme é ter paciência. Principalmente porque tem sido cada vez mais difícil conseguir largar o celular para se concentrar na televisão. Nesse sentido, o ritual do cinema colaboraria para o estado de presença. 

De todo modo, no meu ponto de vista, há um excesso. Mesmo vendo Robert De Niro em uma das melhores performances da carreira, assim como Al Pacino, Joe Pesci e outros. O Irlandês prende a atenção quando falta cerca de 90 minutos para acabar. Entendo que Scorsese calculou tudo isso. É como se fosse, inclusive, uma afronta ao ritmo do cinema contemporâneo. 

Aliás, haverá algum detalhe naquele filme que não foi calculado? Por isso, caro leitor, espere até o fim pois a meia hora final faz valer a pena. 

O longa começa com um plano sequência. O espectador não sabe ao certo se entramos com a câmera em um hospital ou coisa parecida. É, na verdade, uma casa de repouso onde encontramos Frank Sheeran (Robert De Niro). Dali em diante, o roteiro de Steven Zaillian para o livro de Charles Brandt dá saltos no tempo para contar a história da máfia americana. Vamos combinar que Martin é fera em filme de gângster. Embora não seja meu gênero favorito, é fácil reconhecer a maestria no desenvolvimento da trama. 

Elementos secundários

Ao longo das duas primeiras horas, como as costuras daqueles homens não prendiam minha atenção – sim, amigas, é um filme de homens – comecei a me encantar com os detalhes. O primeiro deles, como tem figurante nesse longa! São muitos e o trança trança parece ter sido ensaiado. 

Então, se você se distrair do elemento principal da cena, veja como o diretor trabalha a presença de quem está ali para compor a cena. Ele é rigoroso. 

Aí, à medida em que você vai reparando os detalhes, a direção de arte começa a ganhar relevo. O Irlandês é sério candidato a levar as categorias técnicas do Oscar 2020. O cuidado estético aparece em tudo. Observe como a fotografia trabalha os tons de azul em perfeita sintonia com os elementos, inclusive os figurinos. Isso sem dizer no rejuvenescimento dos atores. 

 

 

Trama

Frank Sheeran (Robert De Niro) é conhecido como “O Irlandês”. Ele foi caminhoneiro antes de se tornar o homem de confiança de Russell Bufalino (Joe Pesci). Prestava alguns serviços também para Jimmy Hoffa (Al Pacino), líder sindical envolvido com artimanhas políticas daquela época. Entram aqui, pinceladas sobre os bastidores da política daquela época, anos 1960. 

Os dois terços iniciais de O Irlandês são dedicados a mostrar as relações da máfia. No terço final, Scorsese abre espaço- ainda que bem sutil – para reflexões sobre finitude. E isso aparece, principalmente, no olhar de Frank. Aliás, é um olho que também vai perdendo o brilho com o tempo. Como é forte o silêncio de todas as mulheres desse filme. Em especial, das filhas de Frank. 

No fim das contas, O Irlandês acabou me emocionando por ser um filme que faz refletir sobre o envelhecer. Sobre as escolhas feitas ao longo da vida. Sem julgamentos, afinal de contas, é um filme de gângster.

Joe Pesci e Robert De Niro em O Irlandês. Foto: Netflix/Divulgação

Joe Pesci e Robert De Niro em O Irlandês. Foto: Netflix/Divulgação

photo

O que os filmes ‘Lady Bird: A hora de voar’ e ‘Me chame pelo seu nome’ têm em comum?

O cinema tem andado muito tecnológico, né? Tanto que os cinco filmes com as maiores bilheterias no Brasil do ano de 2017 foram superproduções apoiadas em alguma medida nos efeitos especiais. São elas: Meu malvado favorito 3, Velozes e Furiosos 8, A bela e a fera, Liga da Justiça e Mulher-Maravilha. Os dados são da […]

LEIA MAIS
photo

O ano de ‘La La Land’. Confira os indicados ao Oscar 2017

Alguma dúvida de que vai dar La La Land no Oscar? Eu não tenho. Particularmente acho sem graça os anos em que há favoritos tão fortes. Acho que quebra o clima de surpresa, os burburinhos que tanto gosto em torno de indicados e vencedores. Pois La La Land se igualou ao número de indicações de […]

LEIA MAIS
photo

Conheça os principais concorrentes de ‘A Vida Invisível’

Nunca, na história do Oscar, tantos países indicaram seus filmes para concorrer a uma das cinco vagas finais na recém nomeada “internacional”. Para se ter uma ideia, se para a cerimônia de 2019 foram 87 concorrentes, para a de 2020, 93. Ok, pode até parecer pouco, mas sinaliza a importância que o resto do planeta […]

LEIA MAIS
photo

Redação do Enem: Por que é importante pensar na democratização do acesso ao cinema no Brasil?

Que bela oportunidade tiveram os estudantes que fizeram o Enem neste domingo, hein! Sim, nos dias de hoje, chega a ser um privilégio ter que pensar sobre no papel que o cinema desempenha na sociedade. Sem isso, seria muito difícil chegar a qualquer reflexão sobre democratização do acesso. Outro ponto de extrema importância, sobretudo em […]

LEIA MAIS
photo

Impressões sobre ‘Dor e glória’, novo filme de Pedro Almodóvar

Dor e Glória, o novo trabalho de Pedro Almodóvar, é daqueles que crescem na memória da gente à medida em que o tempo passa. Sabe aquele grande filme que é melhor nem ver de novo? Pois é! Isso vale para o longa protagonizado por Antônio Banderas, com Penélope Cruz, Asier Etxeandia, Leonardo Sbaraglia, Cecilia Roth, […]

LEIA MAIS