Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Humberto Mauro traz mostra sobre o universo queer e os musicais

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O Humberto Mauro exibe seis filmes nos quais a música aparece como um meio de expressão e uma forma de explorar identidades

Para celebrar o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a quarta edição do projeto “Estudos de Cinema”, do Cine Humberto Mauro, apresenta uma série de filmes que abordam identidades queer e a relação delas com a música. São filmes como “Hairspray” (1988) e “The Rocky Horror Picture Show” (1975). As exibições do ciclo “O Musical e o Queer” ocorrerão nas tardes de três sextas-feiras de junho, dias 7, 21 e 28 de junho. Serão seis filmes, divididos em três recortes. Tal qual, uma palestra, ao final, sobre o tema do ciclo, intitulada “O Queer, o musical e seu universo”, com certificado de participação. Todas as sessões do Cine Humberto Mauro são gratuitas.

O projeto

O projeto “Estudos de Cinema”, lançado em março deste ano, tem curadoria do professor José Ricardo Miranda Jr. Trata-se de uma parceria entre a plataforma “De Filme em Filme”, criada por ele, e o Cine Humberto Mauro. O objetivo é proporcionar, ao público, a oportunidade de explorar e aprender sobre cinema de maneira contínua e integrada. No quarto ciclo do “Estudos de Cinema”, José Ricardo conta que o processo de seleção dos filmes suscitou diversos questionamentos.

Cena de “Hedwig - Rock, Amor e Traição” (2001), musical que tem uma protagonista trans (frame/FCS/Divulgação)
Cena de “Hedwig - Rock, Amor e Traição” (2001), musical que tem uma protagonista trans (frame/FCS/Divulgação)
Johnny Depp em cena de "Cry-Baby", filme que se passa na cidade de Baltimore dos anos 1950 (FCS/Divulgação)
Johnny Depp em cena de “Cry-Baby”, filme que se passa na cidade de Baltimore dos anos 1950 (FCS/Divulgação)

“A primeira questão é a música e o queer, e nasce daí a ideia central da curadoria. A música, especialmente quando não trabalha com a dimensão da letra, se torna uma forma de expressão abstrata de uma condição muito real, sentida e próxima. No caso, estar no mundo como uma figura fora da heteronormatividade. Pensando nisso, a música aparece como uma forma de libertação. Uma forma de expressão que transcende essas dimensões específicas. E que, mais tarde, se torna uma forma de expressar exatamente essa diferença”, explica o curador da mostra da Humberto Mauro.

A identidade queer refletida na música

Na quarta edição do “Estudos de Cinema”, o primeiro dia (7) tem como tema a obra de John Waters, diretor célebre no universo queer. Assim, serão exibidos “Hairspray” e “Cry-Baby” (1990), obras situadas no universo da música e da dança e que mostram como Waters abordou a representatividade dentro da dimensão musical. A segunda sessão (21) no Cine Humberto Mauro aborda “O queer e o camp”, conceito que a pensadora Susan Sontag define como uma sensibilidade perante o mundo e, do mesmo modo, uma tendência a apreciar certas manifestações e expressões na arte.

Frame de "Hairspray - E Éramos Todos Jovens", dirigido por John Waters e lançado em 1988 (FCS/Divulgação)
Frame de “Hairspray – E Éramos Todos Jovens”, dirigido por John Waters e lançado em 1988 (FCS/Divulgação)

Drácula

Neste dia, haverá três exibições: “The Rocky Horror Picture Show”, “Drácula: Páginas do Diário de uma Virgem” (2002) e “Vem Dançar Comigo” (1992). José Ricardo Miranda Jr. lembra que “Rocky Horror Picture Show” é um filme bastante popular não apenas no universo queer. Já o segundo filme, comenta ele, é bem menos conhecido. “E é de um diretor que transita pelo universo do queer, o canadense Guy Maddin”. O filme que será exibido é “Drácula: Páginas do Diário da Virgem”. “Um balé mudo, mas musicado. É uma obra muito curiosa nessas dualidades”.

Ele aponta, ainda, que o filme bebe diretamente nas fontes de expressão do camp. “E com profundos elementos queer, que sempre estiveram presentes na literatura gótica. Assim, Drácula não é uma exceção”.

Camp

No caso do filme que vai fechar a programação do dia 21 no Humberto Mauro, José Ricardo entende que talvez seja o que mais vai trazer reflexões e pensamentos sobre o camp e sobre a participação dele no queer. Trata-se de “Vem Dançar Comigo”, de Baz Luhrmann. “Um filme sobre dança e o universo do ballroom com elementos muito interessantes, que valem a discussão”, adianta. Abaixo, frame do filme.

A última sessão (28/6), com o tema “Queer e Rock ’n Roll”, dará ao público a oportunidade de assistir a “Hedwig – Rock, Amor e Traição” (2001), musical que tem uma protagonista trans. Em seguida, haverá o debate sobre o universo queer, os filmes de musical e o conceito de camp, presente nessas obras.

Programação

Ciclo “O Musical e o Queer”

7/6 – Sessão John Waters

14h Hairspray – E Éramos Todos Jovens (Hairspray, EUA, John Waters, 1988) | 14 anos | 1h32

15h45 Cry-Baby (John Waters, EUA, 1990) | 14 anos | 1h25

21/6   O Queer e o Camp

14h The Rocky Horror Picture Show (Jim Sharman, Reino Unido-EUA, 1975) | 18 anos | 1h40

16h Drácula: Páginas do Diário de uma Virgem (Dracula: Pages From a Virgin’s Diary, Guy Maddin, Canadá, 2002) | 14 anos | 1h13

17h30 Vem Dançar Comigo (Strictly Ballroom, Baz Luhrmann, Austrália – Reino Unido, 1992) | Livre | 1h30

28/6 – Queer e Rock’n Roll

15h “Hedwig – Rock, Amor e Traição” (Hedwig and the Angry Inch, John Cameron Mitchell, EUA – Canadá, 2001) | 16 anos | 1h35

17h Debate: O Queer, o musical e seu universo | Com certificado de participação.

Serviço

Estudos de Cinema | Ciclo IV – “O Musical e o Queer”

Quando. Dias 7/6, 21/6 e 28/6 (sempre às sextas-feiras), em horários variáveis, no período da tarde

Onde. Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro)

Classificações Indicativas: Variáveis

Quanto. Entrada gratuita, com retirada de ingressos a partir de 1 hora antes de cada sessão, na bilheteria do cinema

Informações para o público: (31) 3236-7400

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