Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Novidade da Netflix, ‘Her’ é um poético retrato das relações contemporâneas

Por Carol Braga*

02/05/2017 às 22:19

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Crédito: Warner Bros. Pictures release.

Joaquin Phoenix é Theodore em Her (2013). Crédito: Reprodução Internet

Claro que é legal saber que Moonlight: sob a luz do luar, o filme vencedor do Oscar 2017 chega à televisão tão rápido. O longa que foi o protagonista do maior mico na cerimônia das estatuetas estreia no fim do mês na Netflix.

Com todo respeito, não é essa a notícia que mais me empolga na lista das novidades de maio mas sim a chegada de Her (Ela) à plataforma de streaming. Dirigido por Spike Jonze o filme é de 2013. Recebeu indicações ao Oscar daquele ano e, como esperado, faturou somente o prêmio de melhor roteiro. Prêmio justo, justíssimo.

Her é um dos poucos filmes contemporâneo a dar conta de todas as transformações que as tecnologias mobilizam em nossas vidas. É poético ao retratar a solidão em tempos de hiperconectividade. Todos os nossos paradoxos estão lá: ao mesmo tempo em que estamos conectados a quem desejar, a hora que desejamos e, como desejamos, parecemos viver uma grande ilusão. Não adianta o homem se afastar daquilo que é humano. Nunca será totalmente verdade, apenas representações.

Bom, todas essas são divagações que faço desde que vi Ela pela primeira vez. Lá se vão quatro anos e a história de amor entre Theodore (Joaquin Phoenix) e Samantha (Scarlett Johansson) continua reverberando. E de que trata o filme?

Crédito: Warner Bros. Pictures release.

Ele vive no ano 2000 e tanto. É cercado de pessoas que convivem melhor com as máquinas do que com gente. Theodore também é assim. Tanto que resolve “comprar” uma amiga virtual, Samantha, que logo se transforma em grande amor. Spike Jonze nos envolve na história deles. Como não acreditar naquele amor?

Um detalhe curioso é que Scarlett Johansson não aparece em nenhuma cena do filme. Nem por isso deixamos de acreditar na presença de Samantha como mulher e não apenas computador. Ela, na verdade, não passa de uma representação, um algoritmo criado à medida para fazer Theodore se sentir pleno. Que papel será as redes sociais tem na nossa vida hoje? Preencher vazios?

Pelo visto, entra ano, sai ano e Her continua estimulando mais perguntas em mim do que constatações. Acho isso bom sinal!

Outros olhares sobre Her

Compartilho com você algumas leituras alternativas sobre o filme de Spike Jonze. A escolha foi por veículos menos tradicionais. Luiza Franco faz uma reflexão psicológica sobre o filme. Para ela, Her é uma reflexão sobre ilusão. “Acredito que a mensagem principal do filme foi a ilusão. A capacidade do ser humano acreditar naquilo que quer acreditar e viver como se aquilo fosse verdade. Viver uma ilusão leva à felicidade, mas toda ilusão pode acabar de uma hora para outra, e o que sobra? Apenas o que é real.”

Lucas Bandos faz uma interessante aproximação entre a história narrada por Jonze e o pensamento de Gilles Lipovetsky. O negócio do texto de Bandos é falar sobre o “individualismo responsável”.

Her é um filme que não apenas permite aproximações e interpretações diversas como tem se mostrado imune ao passar do tempo. Recomendadíssimo!

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