Quem disse que poesia precisa ser difícil? Em O Céu da Língua, Gregorio Duvivier parte dessa provocação para mostrar como a linguagem poética está presente nas conversas, expressões populares e até nas palavras mais inesperadas. O monólogo cômico chega ao Grande Teatro Palácio das Artes, em Belo Horizonte, de 3 a 6 de dezembro, com sete sessões e ingressos entre R$ 60 e R$ 180.
Com direção de Luciana Paes, o espetáculo celebra dois anos de trajetória e já levou mais de 350 mil espectadores ao teatro. A montagem percorreu 60 cidades e dez países, além de uma recente turnê pelos nove estados do Nordeste.
A proposta é transformar a paixão de Gregorio pela língua portuguesa em uma conversa divertida com a plateia. Para isso, o ator explora metáforas cotidianas, mudanças ortográficas, palavras esquecidas e expressões que ganharam novos significados.
“A poesia é uma fonte de humor involuntário, motivo de chacota”, reconhece o artista, que estudou Letras na PUC do Rio de Janeiro e publicou três livros sobre o gênero literário. “Escrevi uma peça que pode ajudar alguém a enxergar melhor o que os poetas querem dizer e, para isso, a gente precisa trocar os óculos de leitura”.
A montagem rendeu a Gregorio o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator. Além disso, conquistou o Prêmio do Humor nas categorias Melhor Texto e Melhor Espetáculo e o Prêmio APTR de Texto.
Entre metáforas, música e humor
Em cena, Gregorio investiga como a poesia aparece em expressões como “batata da perna”, “céu da boca” e “pisando em ovos”. Também brinca com palavras como “afta”, “íngua” e “seborreia”, além de termos contemporâneos como “namorido” e “almojanta”.
A música brasileira também entra nessa conversa. O ator cita Orestes Barbosa e Caetano Veloso, por meio das canções Chão de Estrelas e Livros, para mostrar como os compositores aproximaram a poesia do grande público.
Apesar das referências literárias, O Céu da Língua não é um recital. Luciana Paes define a montagem como um “stand-up comedy pegadinha”, no qual o humor conduz o espectador por reflexões sobre comunicação, linguagem e literatura.
“O Gregorio simpático e engraçado está no palco ao lado do Gregorio intelectual com seu fluxo de pensamento ininterrupto, e imagino que, por isso, a plateia deve embarcar na proposta”, afirma a diretora.
No palco, Pedro Aune cria a ambientação musical com contrabaixo, enquanto Theodora Duvivier manipula as projeções. A cenografia é de Dina Salem Levy.
O espetáculo também estabelece conexões com a literatura portuguesa, especialmente com Fernando Pessoa e Eugênio de Andrade. Sua origem remete a Um Português e Um Brasileiro Entram no Bar, encontro de improvisação entre Gregorio e o humorista português Ricardo Araújo Pereira.
Serviço
O Céu da Língua – Gregorio Duvivier
Data: 3 a 6 de dezembro de 2026
Horários: quinta e sexta-feira, às 18h30 e 21h30; sábado, às 17h e 20h30; domingo, às 19h.
Local: Grande Teatro Palácio das Artes.
Ingressos: R$ 60 a R$ 180, pelo Sympla
Abertura da casa: 1 hora antes do início de cada sessão
Classificação: livre. Menores de 14 anos devem entrar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais.
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