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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Gira chega a BH com a força do encontro entre Grupo Corpo e Exu

Por Carol Braga

30/08/2017 às 11:23

Publicidade - Portal UAI
Foto: José Luiz Pederneiras / Divulgação

Cena de ‘Gira’, espetáculo do Grupo Corpo. Crédito: José Luiz Pederneiras

O número sete é cercado de sentidos na Umbanda. São sete linhas que representam um grande exército de espíritos. Cada um tem sua própria vibração e propósito. No caso específico de Exu, tem mais curiosidades envolvendo o número. Seu Sete Encruzilhadas é uma das manifestações populares da entidade homenageada pelo Grupo Corpo na nova montagem.

No senso comum, sete é considerado um número próspero. Isso também tem a ver quando pensamos na – ainda pequena – trajetória de Gira, a 39ª coreografia do Corpo. O espetáculo que chega ao Palácio das Artes no dia 02 de setembro estreou em São Paulo no início de agosto.

Gira inaugura um sétimo movimento na trajetória do Grupo Corpo.

Pela primeira vez na história do da companhia foram realizadas duas sessões extras de uma estreia. Mesmo que a consagração pela crítica seja lugar comum, tem algo diferente desta vez. Como publicou Helena Katz, uma das maiores conhecedoras da dança contemporânea do Corpo, “como o próprio Exu, essa Gira é abridora de caminhos”. 

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GIRA EM CONTEXTO

O primeiro movimento do Grupo Corpo compreende os espetáculos criados entre 1976 e 1985. Ou seja, de Maria Maria a Prelúdios, como Helena Katz aponta em artigo acadêmico. Foi um momento em que trabalhavam com coreógrafos convidados e paralelamente consolidavam o núcleo criativo principal, com os irmãos Pederneiras (Pedro, Paulo, Rodrigo e Mirinha), Carmem Purri, a Macau e os arquitetos Fernando Velloso e Freusa Zechmeister.

A segunda fase, entre Bachiana (1986) e Uakti (1988) foi muito intensa. Eram dois espetáculos por ano. Ou seja, quanto mais se faz, melhor fica. É quando Rodrigo Pederneiras se consolida como coreógrafo e começa a deixar suas marcas registradas. Cada vez menos pas-de-deux e mais a ordem e desordem que marca a exploração do espaço pelos bailarinos.

Neste momento de alta produção e autoralidade surge a parceria com a Shell. Com mais dinheiro e possibilidade de planejamento, o Corpo seguiu aprimorando o que já fazia muito bem. No terceiro movimento, que vai de Mulheres (1988) a Variações Enigma (1991), começam a aparecer mais referências à cultura pop. O quarto, que vai de 21 (1992) a Bach (1996), parceria estreita com Marco Antônio Guimarães e as trilhas especialmente composta para os espetáculos.

No quinto movimento – de Bach (1996) a Sem Mim (2011) temos um Grupo Corpo mais pop, urbano e sempre muito brasileiro. Fazem parte deste recorte, trabalhos importantes como Parabelo (1997), O corpo (2000), Onqotô (2005). Foram trilhas de Tom Zé, José Miguel Wisnik, João Bosco, Caetano Veloso, Lenine.

Triz, criação de 2013, inaugura a sexta – e breve – fase. Foi um momento em que Rodrigo Pederneiras enfrentou problemas de saúde e, por um triz, o espetáculo não estreou. A coreografia espelha o contexto. É um Corpo mais denso. Logo chegou a hora de comemorar os 40 anos de carreira. Para isso, Cassilene Abranches foi convidada para coreografar Suíte Branca (2015) e o próprio Rodrigo presta tributo à própria trajetória com Dança Sinfônica (2015).

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CHEGA A HORA DE GIRA

Pela primeira vez foram os músicos que propuseram o tema. Exu, entidade da Umbanda, andava pelo radar do trio Metá Metá há um tempo. Kito Dinucci (guitarra), Thiago França (sax) e Juçara Marçal (voz) já queriam explorá-lo em disco. Por que não em dança?

Foi aí que os irmãos Pederneiras decidiram também se embrenhar pelo universo do sincretismo religioso. Eles e seus 21 bailarinos visitaram terreiros, investigaram movimentos e sonoridades para encontrar o que poderia ser original para o Grupo Corpo ao explorar um universo tão marcado, característico e até mesmo caricato.

A primeira decisão foi se afastar da dança afro. A partir das respectivas pesquisas, cada bailarino teve espaço para criar, propor.

O cenário instalação de Paulo Pederneiras sugere uma Gira (que significa a roda religiosa onde se dá o encontro das entidades com o público) em que os bailarinos não saem de cena. Quando não estão no centro do palco contribuem para a criação de outras camadas de significação para o cenário vivo.

O figurino de Freusa Zechmeister também sacode o lugar comum da trajetória do Corpo. Pela primeira vez, todos os 21 bailarinos estão com torso nu. Todos. Homens e mulheres.

Gira tem 40 minutos. O Metá Metá criou onze temas musicais, todos eles guiados por símbolos ligados ao Exu. Além do trio, a trilha conta com participações especiais de Elza Soares e do poeta, ensaísta e artista plástico Nuno Ramos.

Se a nova coreografia inaugura o sétimo movimento na trajetória do Corpo, curiosamente o número sete faz sentido logo na primeira cena. Gira nasce com sete bailarinas no centro da cena.

[O QUE] Grupo Corpo, Gira [QUANDO] Dias 2, 5 e 6 setembro, 20h30, 3 e 7 de setembro, 19h [ONDE] Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro BH, (31) 3236-7400) [QUANTO] Plateia I R$ 100 (inteira) R$ 50 (meia) Plateia II R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia) | Plateia Superior R$ 80 (inteira) R$ 40 (meia). [COMPRE AQUI] Somente para dia 07 de setembro. Outras datas esgotadas. 

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