LiteraturaPara famílias
O que assistir com filhos de 9 a 18 anos? Livro traz 201 filmes que aproximam famílias
Maurício Passaia propõe 201 filmes para assistir com filhos de 9 a 18 anos. Livro usa o cinema como ferramenta de diálogo familiar.
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Maurício Passaia propõe 201 filmes para assistir com filhos de 9 a 18 anos. Livro usa o cinema como ferramenta de diálogo familiar.
O autor Maurício Passaia lança o livro 201 filmes para assistir com seus filhos de 9 a 18 anos com uma proposta direta: usar o cinema como meio para fortalecer vínculos entre pais e filhos. Dividida por faixas etárias, a obra apresenta títulos clássicos e contemporâneos que abordam temas como empatia, coragem, respeito e amizade.
Cada sugestão de filme vem acompanhada de reflexões e perguntas que podem ser debatidas após a sessão. A ideia é transformar o momento da tela em espaço de conversa e escuta ativa entre gerações. O livro também funciona como diário, permitindo que pais e filhos registrem impressões e memórias.
Natural de Bento Gonçalves (RS) e pai de dois filhos, Passaia afirma que a obra surgiu de sua própria experiência familiar. Para ele, dedicar tempo a ver um filme junto, com atenção e intenção, pode gerar aprendizados valiosos e fortalecer a relação entre pais e filhos.
Confira a entrevista que fizemos com o autor:
Durante a minha juventude, me senti impactado por inúmeros filmes. Enredos que transformam, ensinam e podem até mudar o caráter de alguém para melhor. Quando meu primeiro filho nasceu, comecei a fazer uma lista dos filmes que queria que ele assistisse um dia. Assim que ele completou 9 anos, começamos a ver um por um.
Acho que o momento em que eu percebi assistir filmes com meus filhos ia além do entretenimento foi quando ele mesmo começou a pedir para ver os filmes da lista e tratar aquele tempo como algo muito especial: desligava todas as luzes, ajeitava a poltrona, fazia pipoca, deixava água ao lado. Deixou de ser uma proposta minha para ser um momento de conexão que ele mesmo me pedia.
Creio que não há transformação maior para uma criança do que o tempo de qualidade com os seus pais. A proposta do livro é justamente oferecer um guia prático e acessível para que o cinema se torne uma ferramenta de conexão familiar. Acredito sinceramente que uma família que se reúne, assiste e conversa sobre 201 filmes ao longo dos anos inevitavelmente reforçará vínculos e valores e deixará uma marca profunda na personalidade dos filhos.
O que transforma uma simples sessão de cinema em algo especial é a conexão. Poucas coisas são tão frustrantes para uma criança do que se sentar para ver um filme com os pais, esperar por um bom tempo o adulto pular de streaming em streaming até encontrar aleatoriamente um título qualquer que o agrade – e no final não gostar do que assistiu. O livro ajuda os pais justamente nesse ponto de criar a conexão: ele oferece uma curadoria pensada com carinho, que torna a experiência mais leve, significativa e prazerosa para ambos, desde a escolha até a conversa depois do filme.
O livro foi pensado para ser prático e acessível a qualquer perfil de pai, mãe ou responsável, inclusive aqueles que não têm muito repertório cinematográfico. Não é uma obra sobre a história do cinema, nem exige conhecimento técnico. É um livro feito de pai para pais, com sugestões diretas, motivos para assistir e perguntas que ajudam a transformar cada filme em uma oportunidade de conversa e conexão. Além disso, o livro traz um espaço especial para o leitor registrar suas impressões e as de seus filhos, marcando os momentos compartilhados e criando uma lembrança afetiva para o futuro. Se os enredos dos filmes não mudarem as suas vidas, ao menos terão proporcionado momentos inesquecíveis em família. E, no fundo, talvez essa seja a maior transformação de todas.

Publicado por Carol Braga
Publicado em 07/08/25