Teatro
Prata da Casa leva samba e afeto ao FESTA 2026
Monólogo com Felipe Frazão, direção de Victor Mendes e forte vínculo com o universo do samba será apresentado em 30 de maio, no Centro Cultural Minas Tênis Clube
Foto: João Maria
Teatro
Monólogo com Felipe Frazão, direção de Victor Mendes e forte vínculo com o universo do samba será apresentado em 30 de maio, no Centro Cultural Minas Tênis Clube
Foto: João Maria
“Prata da Casa” está na programação do FESTA – Festival de Teatro e Artes 2026, no Centro Cultural Minas Tênis Clube. A apresentação será no dia 30 de maio, sábado, às 20h. Com direção e dramaturgia de Victor Mendes, além de idealização e interpretação de Felipe Frazão, o monólogo acompanha a trajetória de Tatá, mestre-sala e zelador de um antigo edifício que vê sua rotina mudar com a chegada de câmeras e tecnologia de reconhecimento facial.
A montagem parte de um conflito direto. As transformações no prédio ameaçam o emprego, a moradia e o modo de vida do protagonista. Ao mesmo tempo, Tatá encontra no samba um ponto de apoio para atravessar esse processo. A ligação com a escola de samba vem da infância e também da herança deixada pelo pai, de quem recebeu não apenas a função no edifício, mas também a paixão por esse universo.
O ponto de partida da criação foi o desejo de Felipe Frazão de olhar para personagens comuns, muitas vezes invisibilizados, sem recorrer ao clichê do herói. A partir dessa proposta, o personagem foi desenvolvido em residência artística e ganhou densidade no encontro com Victor Mendes. “A gente buscou não romantizar a profissão, mas ao mesmo tempo ser um zelador que está de bem com a vida, que não se depara com problemas diariamente. Tatá está lá, vivendo a vida dele, está tudo bem para ele. Tatá gosta de sua função, tem orgulho de seguir os passos do pai”, explica o diretor.
Victor Mendes também assina a dramaturgia e define o trabalho como um momento especial de sua trajetória. “Esta direção está sendo especial porque eu acho que eu me encontro mais maduro atualmente”, revela. Em cena, essa maturidade aparece na busca por uma atuação simples e por um acabamento que aproxime o público dos conflitos vividos por Tatá.
Mais do que tema, o samba surge como território de pertencimento. “O personagem da peça ‘nasceu’ na escola de samba. Ele reconhece os gestos, as gírias, os rostos daquele lugar.” O texto também foi atravessado pelas experiências do diretor com o espetáculo “Razão Social” e com o Samba da Vela. “Foi precioso o contato com sambistas de verdade, com pessoas que, além de tocar seus instrumentos, escolheram o samba como modo de agir no mundo, de pensar a vida. No Samba da Vela, com dezenas de trabalhadores de outras áreas que na noite de segunda-feira vão cantar seus sambas em comunidade. Isso foi o melhor material para escrever o personagem de Prata da Casa”, afirma.
Além disso, a peça coloca em cena o desemprego tecnológico e a valorização de saberes construídos no cotidiano. “Nosso protagonista aprendeu fazendo no dia a dia. Isso é parte de uma tradição que tentam acabar.” Para Victor Mendes, a criação de um personagem carismático também ajuda a ampliar o alcance da montagem. “Construímos Tatá com fortes pontos de identificação para que o espectador possa se envolver com sua história e torcer por ele, mesmo que isso soe clichê”, diz.
PRATA DA CASA no FESTA – FESTIVAL DE TEATRO E ARTES
Data: 30 de maio, às 20h.
Local: Teatro do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244 – Lourdes)
Ingressos: Entre R$21,25 e R$ 50, pela Sympla e bilheteria do Teatro.
Classificação: 14 anos
Publicado por Minas Tênis Clube
Publicado em 09/04/26