YUNZA ocupa BH com arte, memória e resistência cultural
Exposição inédita de Yanaki Herrera abre em 3 de setembro na Casa Camelo, com obras que dialogam com ancestralidade andina, coletividade e práticas indígenas.
Foto: Antonio Cigania
Exposição inédita de Yanaki Herrera abre em 3 de setembro na Casa Camelo, com obras que dialogam com ancestralidade andina, coletividade e práticas indígenas.
Foto: Antonio Cigania
A Casa Camelo recebe, de 4 a 20 de setembro, a exposição inédita YUNZA, da artista Yanaki Herrera. A abertura será em 3 de setembro, das 18h às 22h. A mostra propõe uma reflexão sobre maternidade, coletividade, migração e resistência cultural, reunindo 15 obras autorais e duas criações coletivas.
Com curadoria de Ariana Nuala, a exposição se inspira no ritual comunitário Yunza, celebrado em regiões andinas e amazônicas. Essa tradição valoriza a fertilidade da terra e o bem-viver, articulando práticas ancestrais e contemporâneas. Pinturas, intervenções e ações compõem o percurso, conectando memória familiar e lutas indígenas.
Yanaki Herrera resgata a ligação da família com a Yunza. Seus avós, migrantes da comunidade quechua de Ocobamba, preservaram a tradição em Lima, enfrentando o racismo e fortalecendo laços comunitários. Para a artista, esse ritual simboliza reciprocidade e abundância. “A fertilidade, a resistência e a abundância desafiam a visão individualista da maternidade, propondo-a como um espaço político, comunitário e de transformação”, afirma.
Ao trazer essa herança para Belo Horizonte, Herrera estabelece pontes entre memórias pessoais e experiências de coletivos indígenas no Brasil. A colaboração com o Comitê Indígena Mineiro amplia o diálogo entre territórios, gerações e práticas artísticas. “É uma troca que fortalece a visibilidade de práticas indígenas no estado e cria oportunidades para que essas narrativas ocupem espaços culturais”, sintetiza.
Durante o período da exposição, três atividades complementam a programação. Serão realizadas duas oficinas — uma para crianças e outra para adultos, com acessibilidade para a comunidade surda — além de um bate-papo com a artista e a curadora.
Segundo Herrera, o objetivo é criar espaços colaborativos que promovam a coletividade. Os encontros terão como eixos temas como ancestralidade, ecologia, arte, maternidade e migração. A programação completa será divulgada nos perfis da Casa Camelo (@casacamelo) e da artista (@yanaki_herrera). As inscrições serão presenciais, com vagas limitadas, a partir de 30 minutos antes de cada atividade.
Yanaki Herrera é mãe e artista visual, graduanda em Artes Visuais pela UFMG. De origem indígena quechua, nasceu em Cusco, foi criada em Lima e imigrou para o Brasil. Sua pesquisa confronta visões patriarcais da maternidade, explorando pintura e processos sobre latão para afirmar subjetividades maternas como resistência anticolonial.
Exposição YUNZA – Yanaki Herrera
Abertura: 3 de setembro, 18h às 22h
Visitação: 4 a 20 de setembro, terça a sábado, 14h às 20h
Local: Casa Camelo – Rua Santo Agostinho, 365, Sagrada Família, BH
Mais informações no Instagram @casacamelo
Publicado por juniodecarvalho
Publicado em 19/08/25