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Exposição “Gestos tecidos no tempo” chega à Funarte

Mostra de Isabel Miranda investiga corpo, memória e território, com abertura acompanhada por show de Sérgio Pererê

Isabel Miranda | Foto: Igor Cerqueira

A Funarte MG recebe a exposição “Gestos tecidos no tempo”, primeira individual da artista Isabel Miranda. A abertura foi no último dia 21 de abril, às 15h, com show do cantor e multi-instrumentista Sérgio Pererê.

A mostra investiga o corpo como território de memória, experiência e transformação. A partir disso, o público percorre um ambiente interativo que ativa percepções sobre o visível e o invisível. Além disso, a curadoria é assinada por Luíza Marcolino.

A exposição se constrói a partir de gestos cotidianos. Costurar, trançar, cultivar e tocar a terra aparecem como práticas que atravessam gerações. Dessa forma, Isabel Miranda cria um percurso que transita entre estados do corpo, da imobilidade à expansão.

Corpo, memória e território em diálogo

“Se existem fronteiras entre passado, presente e futuro, esta exposição mostra que eles estão tão entrelaçados na terra, nas casas e nas existências que é mais fácil continuar tramando do que tentar separá-los”, afirma a curadora Luíza Marcolino.

A partir dessa perspectiva, a mostra conecta o corpo da artista aos territórios que ela percorre. Esses espaços são entendidos como redes vivas de relações, tempos e presenças. Assim, diferentes camadas de experiência se sobrepõem nas obras.

Os materiais utilizados reforçam essa ideia. Tecidos, fios, terra, sementes e pigmentos naturais compõem a base da exposição. Em alguns trabalhos, cascas de árvores surgem como suporte, tratadas como “peles da terra”.

Além disso, há processos que envolvem o tempo como elemento criativo. Tecidos são enterrados e permanecem sob a terra por semanas. Depois, retornam marcados pela umidade e pela vida do solo, transformando-se em superfícies únicas.

Herança feminina e dimensão afro-diaspórica

A pesquisa também se articula a partir de uma dimensão matriarcal. Três gerações de mulheres influenciam diretamente o trabalho da artista. A avó utilizava terra e argila para pintar a casa. Já a mãe se dedicava à costura.

“Carrego comigo a costura da minha mãe, os tecidos, as linhas e o fazer manual, e também as memórias da minha avó, que pintava casas com terra e argila”, afirma Isabel Miranda.

Ao incorporar fios de tranças e materiais ligados ao corpo, a artista amplia o campo simbólico. Nesse sentido, práticas como tecer e trançar ganham força como memória e resistência afro-diaspórica.

Programação educativa amplia experiência

A exposição inclui um programa educativo ao longo de todo o período. Estão previstas visitas mediadas, oficinas e rodas de conversa. As mediações são de terça a domingo, com possibilidade de agendamento para grupos.

Entre os destaques, está a oficina “Dança: um estado cotidiano do corpo”, no dia 9 de maio, das 10h às 12h. A atividade propõe explorar o movimento a partir de gestos do dia a dia.

As inscrições podem ser feitas pelo formulário online.

A programação inclui ainda visitas temáticas às terças e quintas, além de ações voltadas a escolas e diferentes públicos.

Serviço

Exposição “Gestos tecidos no tempo”
Visitação: até 20 de maio

Local: Funarte MG
Entrada gratuita

Visitas mediadas: de terça a domingo
Agendamentos: 10h às 11h | 14h às 15h | 19h às 20h

Visitas temáticas: terças e quintas, às 17h

Mais informações no Instagram @gestostecidosnotempo

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Publicado por juniodecarvalho

Publicado em 22/04/26

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